Matérias em Geral


Uma atriz que se leva a sério

    Discreta e tímida. Viviane Pasmanter está longe de parecer-se com Bete, sua personagem em Andando Nas Nuvens, a novela das 7 da Globo. Também não tem nada a ver com a endiabrada Laura de Por Amor (1998), ou a alucinada Malu, de Mulheres de Areia (93). Em comum com suas personagens, só tem a sensualidade, que não faz questão de realçar fora de cena.
    Apesar da linha discreta, Viviane, este ano, não escapou dos boatos que cercam os artistas. Primeiro, comentou-se que ela estaria insatifeita com a personagem. Depois, que estaria se desentendendo com Débora Bloch, que faz sua irmã. O último é que foi o pivô da separação de Marcello Novaes e Letícia Spiller. "Não imagino de onde saem essas coisas", diz ela, sem aborrecer-se. Aos 28 anos, Viviane assume que é do tipo que persegue a perfeição. Aulas de atuação e de voz fazem parte da sua rotina.
    A dedicada atriz planeja interromper a carreira, quando decidir ter filhos. Não se imagina trabalhando 16 horas diárias numa novela, enquanto a criança fica em casa. Mas não tem planos de tornar-se mãe tão cedo. "Tenho sete anos para pensar no assunto", diz.
    Estado - Dizem que as cenas de amor entre você e Raul (Marcello Novaes) vão além da ficção. Isso é verdade?
    Viviane Pasmanter - Não dá para entender essas coisas. Mal saio de casa e, quando saio, é para jantar com meu namorado. Se fosse amiga do Marcello Novaes, de ir ao cinema ou ao restaurante, até conseguiria entender esse boato. Mas nem isso fazemos.
    Estado - Como lida com as fofocas?
    Viviane - Não me aborrece porque não vale a pena ficar preocupada. Mas é chato. Falam que briguei com Débora Bloch, outro absurdo. A equipe e o elenco são as melhores coisas da novela. Há um clima muito bom. Isso tudo só me deixa descrente com a mídia.
    Estado - Bete está grávida e casará com Arnaldinho (Márcio Garcia). Agrada-lhe o caminho seguido pela personagem?
    Viviane - Acho legal. É mais ou menos o que foi previsto. Bete casa, mas continua apaixonada por Raul. Esse conflito deve continuar sendo o mote da personagem.
    Estado - Como reage quando mudam o perfil de uma personagem sua no meio da novela, para agradar ao público?
    Viviane - Ainda não passei por essa situação. Se passasse, pediria ao autor que fizesse cair uma jaca na cabeça da personagem para justificar a mudança. Em novela sempre há novidade.
    Estado - Então, nenhuma jaca está caindo na sua cabeça?
    Viviane - Não. Bete é uma mulher elétrica e também carente. A mãe dela morreu, o pai ficou doente, ela se sente meio órfã. Tinha tudo para posar de vítima, mas é alegre, positiva, apesar do lado politicamente incorreto de achar que só com dinheiro terá felicidade.
    Estado - O que significa Bete em sua carreira?
    Viviane - Tive sorte de fazer mais um trabalho diferente. É um gol. Ainda tenho dificuldades com Bete. Não posso dizer que a tenho na mão. A sensualidade dela é um desafio. Bete não é naturalmente sensual, como Gabriela (Sonia Braga). É sensual por profissão. O ofício dela é cuidar-se.
    Estado - Parece que você nunca se dá por satisfeita.
    Viviane - Sempre acho que tenho de melhorar. Então, continuo nas aulas de interpretação de Mona Lasar e faço aula de voz com uma fonoaudióloga. Sou "CDF", não sou de oba-oba. Quando não estou gravando, estudo. No início da novela, tomava sol por três horas diárias porque Bete morava em Salvador e era bronzeada. Há pessoas que se acham demais por causa de um papel numa novela, mas não consigo ser assim.
    Estado - Os atores costumam dedicar-se integralmente a um papel em cinema e teatro. Em novela, relaxam, como se a TV não exigisse tanto.
    Viviane - Há quem pense assim, mas não só com relação à TV. Quando fazia faculdade de teatro, uma amiga achava estranho cursar universidade para fazer "umas pecinhas por aí". Acho TV mais difícil, por causa da rapidez, desse embrulha e manda. Fazer um trabalho bem-feito nessas condições é mais complicado.
    Estado - Que tipo de retorno Bete está trazendo para você?
    Viviane - Há uma coisa curiosa. A imprensa costumava me ligar para saber minha opinião sobre vários assuntos. Agora, só para saber que xampu eu uso, qual é o meu creme hidratante.
    Estado - Então, vamos lá: o que faz para ficar loira?
    Viviane - Todo mês retoco a raiz e faço hidratação várias vezes. Gosto desse visual, nem lembro qual é a cor original do meu cabelo. Quando não atuo, não faço nada. Nunca gostei de sol.
    Estado - Não vai cariocar-se?
    Viviane - Não. Chinelo, chope, praia, não dá.
    Estado - É muito sacrifício morar no Rio, longe da família?
    Viviane - Já me acostumei. Afinal, são oito anos. Gosto de ir para o trabalho vendo a paisagem. Além disso, São Paulo está violenta, pior que o Rio. Só ando olhando para os lados.
    Estado - Você tem planos?
    Viviane - Filhos, só mais tarde. Tenho sete anos de prazo, pois o ideal é ter bebês até os 35. Aos 34, volto a pensar no assunto.
    Estado -Por uma questão pessoal ou profissional?
    Viviane - Profissional. Quando tiver um filho, paro tudo para viver em razão dele. Tenho uma cachorra e já fico preocupada quando viajo. Não sei se agüentaria fazer uma novela com um filho.
    Estado - Pensa em parar a carreira para ser mãe?
    Viviane - Acho que sim. Uma mãe trabalhar 8 horas por dia, tudo bem. Já 15 ou 16, não dá.

OESP



Selton Mello completa um ciclo

    O ator Selton Mello costuma dizer que trabalha movido a paixão. Se não se identifica com determinado papel ou acredita que este ou aquele trabalho não vai acrescentar nada à sua carreira, simplesmente recusa. Aos 26 anos de idade e 17 de carreira, Selton garante que nunca trabalhou numa novela simplesmente para cumprir contrato. Foi justamente por isso que, desde que terminou A Indomada, o ator recusou quatro convites. Um deles para interpretar o atormentado Frei Malthus, na minissérie Hilda Furacão. "Não estava a fim de estragar o que eu havia conquistado com o Emanuel", justifica.
    Precavido como todo bom mineiro, Selton Mello não esconde o carinho que sente pelo adolescente limítrofe criado por Aguinaldo Silva. Para ele, o abobalhado Emanuel Faruk, de A Indomada, foi um divisor-de-águas na sua carreira. No entanto, o motivo que levou Selton a quebrar o jejum das novelas também foi passional. Prestes a completar 15 anos de Globo, o ator volta a trabalhar com Gilberto Braga em Força de Um Desejo. Os dois trabalharam juntos em Corpo a Corpo, novela que marcou a estréia de Selton na emissora, em 1984. "Já estava mais do que na hora de acontecer esse reencontro. Eu me sinto como se estivesse completando um ciclo", analisa.
    Na novela das seis, Selton interpreta o rejeitado Abelardo, o filho caçula do barão Henrique Sobral, vivido por Reginaldo Faria, que se esforça para ser o favorito do pai. Não é por acaso que Abelardo Sobral reforça a galeria de personagens outsiders interpretados por Selton Mello. Avesso ao rótulo de galã, Selton tem verdadeira obsessão por tipos problemáticos, como o mau-caráter Vítor Velasquez, de Tropicaliente, ou o apalermado Chicó, de O Auto da Compadecida. Como se não bastasse, ele incorpora o cáustico Mick, o protagonista da peça O Zelador, do dramaturgo inglês Harold Pinter, em sua estréia como produtor teatral. "Prefiro os personagens problemáticos porque eles têm uma carga dramática maior. Os mocinhos não passam de uns chatos!", esbraveja.
    - Após recusar quatro personagens depois do Emanuel de A Indomada, o que mais o encorajou a aceitar o papel de Abelardo em Força de Um Desejo?
    - O Abelardo é um personagem bacana porque me oferece a possibilidade de fazer um trabalho bonito. Além de não ser o filho predileto do barão, ele ainda descobre que pode ser filho do sujeito que deu o tiro na perna dele. Pode até ser que Abelardo venha a se transformar num cara mau, já que é filho do Higino Ventura. Além do mais, a novela está sendo escrita pelo Gilberto Braga. Estreei na Globo em 1984, justamente em Corpo a Corpo. Na época, eu tinha 11 anos e, nestes 15 anos, nunca mais fiz nada do Gilberto. Já estava na hora de acontecer esse reencontro.
    - Por que você prefere interpretar tipos outsiders como Emanuel, Chicó e Abelardo?
    - Na verdade, essa história não começou como uma predileção e sim como uma conseqüência natural do meu trabalho. Geralmente, os diretores só me convidam para fazer esse tipo de papel. Quando eles escalam uma novela, não pensam em mim para interpretar o Inácio. De cara, pensam logo em mim para fazer os Abelardos da vida. Pessoalmente, acho ótimo. Hoje, agradeço a eles por terem me dado esses papéis. Os coadjuvantes são mais interessantes. Se começarem a pensar em mim para fazer outros tipos de papel, aviso que não tem mais volta. Eles me acostumaram mal.
    - Você teve alguma preocupação na hora de fazer o papel?
    - A minha maior preocupação foi com a delicadeza do Abelardo. Tive o maior cuidado na hora de compor esse personagem que não é o filho preferido de Henrique Sobral, mas quer provar a todo momento que pode ser tão bom quanto o Inácio... Essa delicadeza foi a minha maior preocupação. Quis fazer do Abelardo um personagem doce. Fora isso, fui para um haras a fim de treinar montaria. Queria pegar mais intimidade com o animal. Isso foi muito bom. Afinal, não tinha muita experiência. A minha única experiência se resumia a umas poucas cavalgadas na fazenda do meu avô quando era pequeno...
    - Você arriscaria estabelecer alguma predileção entre compor um tipo naturalista ou outro que exige composição?
    - Não faço qualquer tipo de distinção entre um personagem e outro. Pelo contrário. Gosto de experimentar os diversos textos, gêneros e habilidades dramáticas. A microssérie O Auto da Compadecida, por exemplo, me ofereceu a oportunidade de fazer um humor completamente histriônico e farsesco. Foi o tipo de coisa que eu nunca tinha feito antes. Enquanto isso, Lavoura Arcaica, do Luiz Fernando Carvalho, é um filme barra-pesada, que tem uma intensidade dramática fortíssima. Já o Abelardo exige um tipo de interpretação mais contida e delicada. Gosto de passar pelos mais diversos níveis de atuação...
    - Dos trabalhos que você recusou desde A Indomada, um deles era para fazer o Frei Malthus de Hilda Furacão. Você não se arrepende?
    - Não. Se tivesse aceito o papel, eu teria de emendar um trabalho no outro. Eu tinha acabado de fazer A Indomada e estava muito desgastado. O Emanuel foi um personagem complexo e a novela durou duzentos e tantos capítulos. Se aceitasse fazer Hilda Furacão, não ia fazer bem. Além disso, precisava de um tempo para me reciclar. Afinal de contas, eu já estava escalado para fazer o Lavoura Arcaica... Isso sem falar que o Rodrigo Santoro fez muito bem o papel.
    - Como está sendo a experiência de fazer a primeira novela de época de sua carreira?
    - Em 1986, fiz uma pequena participação em Sinhá Moça, mas não deu nem para sentir o gosto. A maior dificuldade é justamente a necessidade de viajar muito. O elenco tem de gravar em lugares que ainda não foram maculados pela modernidade e, por conta disso, somos obrigados a gravar em fazendas no meio do mato e assim por diante. Fora isso, temos muitas cenas com charretes. Só que acontece sempre do cavalo ir para um lado e a charrete para o outro. Isso sem falar no figurino que é muito pesado para o calor que faz aqui. As dificuldades são grandes. Mas a novela ganha em beleza porque fica distante da realidade atual...
    - Mesmo assim, Força de Um Desejo não tem alcançado os índices de audiência desejados. A que você atribui isso?
    - Há cerca de 15 anos, as novelas de época faziam muito sucesso no horário das seis. De uns tempos para cá, as mulheres passaram a atuar mais no mercado de trabalho, devido à crise que assola o país. Às seis da tarde, as mulheres não estão mais em casa. A tevê a cabo também cresceu muito. O trânsito nas cidades grandes também. Tudo isso dificulta a audiência. Não sei realmente o que fazer, mas acho essa novela irretocável. A trama é boa. O elenco, idem. Se ela não vai bem, a Globo deveria repensar o horário das seis. Se essa novela fosse exibida às oito da noite, o resultado seria bem diferente...
    - Você é tido como um dos melhores atores de sua geração. Você concorda com isso?
    - Na verdade, me considero mais um cara de sorte. De uns anos para cá, desde que fiz Pedra Sobre Pedra, os diretores só me escalaram para papéis legais. Por conta disso, tive a oportunidade de mostrar para o público que sei interpretar tipos diferentes entre si. Desde um personagem histriônico como o Chicó, de O Auto da Compadecida, até um tipo mais contido como o Abelardo, de Força de Um Desejo. O Emanuel, por exemplo, foi um divisor-de-águas na minha carreira. Graças a ele, consegui ser elogiado por crianças, por um público mais adulto e por gente da própria tevê. Foi maravilhoso. Acho ótimo ser chamado de um dos mais talentosos. Isso faz com que as pessoas continuem me chamando para bons papéis.
    - Qual é o seu critério na hora de decidir se vai fazer ou não um determinado papel?
    - O meu principal critério é a paixão. Sou apaixonado pelo que faço. Por isso mesmo, posso me dar ao luxo de escolher os meus papéis. Escolho tudo o que faço pela paixão. O personagem pode até ser legal, mas, se eu não me apaixonar pela novela, não faço o trabalho. Ou então a novela pode até ser maravilhosa, mas se o papel não diz muito... Sou incapaz de aceitar um convite apenas para cumprir contrato ou coisa parecida. Só funciono bem quando vejo que um determinado papel tem a possibilidade de fazer o público rir ou se emocionar. Se estou fazendo meu trabalho para alguém, pretendo tocar esse alguém de alguma forma. Não importa como.
    - Esse processo de seleção nunca criou nenhum mal-estar na alta cúpula da Globo?
    - Não. A Globo sempre me tratou de forma respeitosa. Eles sabem que faço a tevê com o mesmo respeito com que faço teatro ou cinema. Costumo citar uma entrevista do Paulo José em que ele dizia que interpretava o Orestes, de Por Amor, com a mesma grandeza com que interpretaria o Rei Lear, de Shakespeare. É exatamente isso. Eles sacaram que não adianta a gente entrar em atrito. Se fizer uma coisa que não estou a fim, vou acabar fazendo malfeito e isso vai ser ruim para todo mundo. Eles sabem também que, quando topo fazer alguma coisa, faço com paixão. Foi assim em O Auto da Compadecida, Força de Um Desejo e é assim que vai continuar sendo. É por essas e outras que me considero um cara privilegiado.


Obsessão perfeccionista

    A primeira incursão de Selton Mello no cinema não foi das melhores. Em 1990, quando tinha apenas 17 anos, ele fez uma pequena participação no filme Uma Escola Atrapalhada, estrelado por Angélica e Os Trapalhões. O ator, porém, só fez as pazes com a sétima arte em Lamarca, dirigido por Sérgio Rezende, quatro anos depois. O papel era pequeno, mas valeu o convite para trabalhar em Guerra de Canudos, do mesmo diretor. No filme, ele interpreta um tenente de caráter duvidoso que se apaixona por uma sertaneja vivida por Cláudia Abreu. "Foi ótimo. O tenente Luís começou o filme como um mauricinho qualquer e termina quase como um jagunço bêbado", recorda.
    Pouco depois de rodar A Guerra de Canudos, Selton foi convidado pelo diretor Bruno Barreto para interpretar um ex-seminarista que participa da luta armada em O Que É Isso, Companheiro?. No filme, ele contracena com dois de seus atores favoritos: Pedro Cardoso e Fernanda Torres. O melhor, porém, ainda está por vir. Segundo Selton, o seu melhor papel no cinema foi no filme Lavoura Arcaica, dirigido por Luiz Fernando Carvalho a partir do livro de Raduan Nassar. Na ocasião, Selton conciliou as filmagens de Lavoura Arcaica com as gravações de O Auto da Compadecida. "O ano de 98 foi um marco. Fui do poço profundo à galhofa suprema", sintetiza.
    Na verdade, "poço profundo" é pouco para definir a trama de Lavoura Arcaica. No longa, Selton interpreta André, um descendente de libaneses que foge da cidade em que nasceu depois de se apaixonar pela própria irmã. Ao voltar, completamente bêbado, briga com a família e violenta a irmã. Para interpretar o papel, Selton emagreceu 20 quilos. Num esforço de caracterização digno de um Robert de Niro, o ator fez musculação, tomou diuréticos e só se alimentou à base de sopa. O resultado pode ser conferido nos cinemas a partir do ano que vem. "Só não caí doente porque tive acompanhamento médico. Mas valeu a pena. Este é o melhor trabalho da minha vida", garante.

Gazeta de Cuiabá


Bussunda, o Casseta que só brinca em serviço

    Atores costumam rechaçar comparações com seus personagens, mas quem imaginaria que Bussunda, do programa Casseta & Planeta, Urgente!, é um ator muito sério? O personagem é o escracho em pessoa, mas seu criador, Cláudio Besserman Vianna, não é de sair contando piadas ou distribuindo sorrisos à toa. “Eu me sentiria muito bobo se fosse sempre o que sou na televisão”, diz ele.
    Bussunda é o mais popular dos Cassetas, seguido de Hélio de La Peña – e a razão da preferência até virou piada. “A brincadeira interna é que as aberrações é que ficam mais famosas”, conta o empresário do grupo, Manfredo Barreto. “Um é gordo (Bussunda pesa 117 quilos), outro é preto, e que não venham as minorias reclamar, debochamos de todas.”
    A imagem que mais se aproxima da verdade sobre Bussunda é a que foi mostrada pela Globo durante a transmissão do jogo do Brasil com o Paraguai, direto do Chile, na terça-feira. Localizado na arquibancada, o semblante concentrado do humorista foi flagrado. Sua timidez também é notória e freia um pouco a ansiedade dos fãs, como aconteceu com o grupo que o abordou para pedir autógrafos e fotos no aeroporto de Congonhas na sexta-feira, 26 de junho.
    Aquela era uma tarde especial. Em São Paulo desde a manhã para a gravação de um comercial da rede de supermercados Carrefour, Bussunda corria contra o relógio para chegar em sua casa, no Rio, e comemorar os 37 anos de idade, completados naquele dia, com a família. Quem imaginaria que ele é um cara assim, tão família?
    Adolescente problema - O caçula de três irmãos é um pai coruja e foi o típico adolescente problema. “Era considerado um caso perdido”, admite. O auge do desajuste se deu aos 16 anos, idade em que conseguiu a proeza de tirar zero em 10 matérias, ser expulso do colégio Princesa Isabel e matar seis meses de aula de inglês. “Entrei numas, pensei até em fazer análise.”
    Naquela vez, o filho rebelde ouviu os conselhos maternos. “Espera um mês, se a vontade de fazer análise não passar, você faz”, foi a dica dada por ela, a psicanalista Helena Besserman Vianna. “Brinco que fiz 23 anos de análise porque morei com minha mãe durante 23 anos.”
    Helena estava certa. Um mês foi suficiente para que se amainasse a crise, que desapareceu pouco mais de um ano depois. Aos 18 anos, o então estudante de jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se aliou a um grupo formado por outros alunos, Hélio Antônio do Couto Filho, o Hélio de La Peña, Roberto Adler, o Beto Silva, e Marcelo Garmatter Barreto, o Marcelo Madureira. Formado por ex-militantes do PCB, o trio editava o despretensioso jornalzinho mimeografado Casseta Popular – o embrião do atual Casseta & Planeta.
    Para Bussunda, o jornalzinho foi a salvação. “Fui salvo pelo humor”, diz ele. “Passei a me concentrar em alguma coisa, comecei a mudar.”
    Adulto crítico - As mudanças não pararam mais. Bussunda descobriu que adora estudar. Vai passar férias na Itália, em agosto, e já comprou três livros diferentes sobre história, cultura e arte italianas. Cabulava tantas aulas porque, como percebeu, não consegue gostar do esquema. “O esquema é para formar um tipo de pessoa que eu não sou”, afirma um dos principais redatores de um dos mais criativos grupos de humor, o Casseta & Planeta, que mudou a face do humor na televisão.
    Bem que ele tentou ter trabalhos burocráticos. “Desisti, dava bode receber ordens”, explica – logo ele, que tem como patrão Roberto Marinho. “Meu patrão é um dos homens mais poderosos do País, mas eu sou patrão do meu tempo.”
    Algo em que ele jamais imaginou se tornar parece que já começou a acontecer. Graças ao jornalzinho, que virou show e chegou à televisão, Bussunda se tornou ator. “Fomos evoluindo no programa, agora me considero um ator”, conta. “Fui convidado para atuar em um filme que não é de humor. Achei legal. Estamos negociando.” O próprio Bussunda acha que será difícil não cair na gargalhada. “Toda vez que tentei escrever uma coisa séria comecei a sacanear”, compara.
    Afinal, por que a seriedade tem tanto a ver com a vida dele? “Acho que é porque a gente, que é humorista, é muito crítico.”


Gerentes do próprio humor

    Para o ano 2000, um filme e, até dezembro, a expansão da marca Casseta & Planeta. O licenciamento de produtos, o que inclui camisetas, bonés, chicletes, cadernos, agendas e pagers, será intensificado. No segundo semestre devem ser lançados o terceiro volume do livro As Melhores Piadas do Planeta... e do Casseta Também e dois CDs, um de piadas e outro de música, o que remete ao início do grupo.
    Foi com shows e músicas como Tô Tristão e Mãe é Mãe que a trupe entrou para o elenco de intérpretes da Globo. Na emissora, como redatores do TV Pirata, os então integrantes dos jornais alternativos Casseta Popular e Planeta Diário lançaram no Canecão do Rio um CD com o repertório dos shows. Reza a lenda que na platéia estava o então vice-presidente da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.
    O ano do show era 1987. Desde então, os humoristas escreveram e atuaram no Dóris para Maiores, até lançarem o Casseta & Planeta, Urgente!, em 1992.
    Sete anos e muito ibope depois (a média do programa tem sido de 32 pontos), viraram uma empresa sólida. Cada um cuida de uma área de ação: televisão é com Cláudio Manoel; música, com Hubert de Carvalho; home page (10 mil visitas por dia), com Marcelo Madureira; licenciamento, com Hélio de La Peña; livro, com Beto Silva; Bussunda, que até 1998 era responsável por ócio e lazer, cuida do cinema. “Reinaldo (Figueiredo) incorporou tanto o personagem Devagar Franco que não faz nada”, brinca o empresário Barreto.


O papel mais sério: o de pai

    Co-autor de algumas das piadas mais machistas destiladas na televisão, Bussunda é pai de uma menina, Júlia, de 5 anos, e adoraria ter outra filha. “Menina é mais carinhosa, mais tranqüila. Fico me imaginando chegar em casa e levar chute no saco de um garoto. Dá uma preguiça...”, brinca o humorista.
    Casado com a radialista Angélica há nove anos, Bussunda preserva ao máximo a família da exposição. Como os demais Cassetas, trabalha muito durante a semana, mas raramente marca algum compromisso que não seja social e familiar para sábados e domingos. “Como pai, o que sobra do meu tempo livre é da Júlia.”
    Censura - Não é por ser filha de um pai tão crítico e, portanto, exigente, que Júlia é proibida de assistir a determinados programas na televisão. “Tenho uma enorme preocupação com o que minha filha assiste. Isso faz com que eu assista televisão com ela.”
    Eis a questão: ser pai dá trabalho. “Quem não quiser ter trabalho, então que não seja pai.” Bussunda já passou pelo sufoco de assistir com Júlia a um programa que detesta, a novela Chiquititas, do SBT. “Acho a novela triste, ruim para a criança, com muita tragédia, coisa de novelão. Mas não mudo o canal. Converso com ela.”
    Criança de novela, “todas inteligentes, que falam perfeito”, ele detesta. Júlia também assiste aos Teletubbies, programa que o pai, como a maioria dos adultos, não acha graça. “Pelo menos minha filha também assiste ao Cassetubbies (sátira feita pelo ‘Casseta & Planeta Urgente’). Entre seus programas preferidos está o Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, e os desenhos da televisão a cabo.
    Bussunda defende a qualidade da programação das emissoras, mas é contra qualquer tipo de controle que possa desembocar em censura. “O brasileiro está sempre procurando um pai. Quando vota para presidente, quando o filho quer ver televisão, quer sempre que alguém faça o trabalho por ele.”
    Para ele, programa bacana não precisa ser educativo. Pode ser só divertido. Bussunda também não se incomoda em ver a filha imitando a dançarina Carla Perez, ex-integrante do grupo de pagode É o Tchan. “Vejo isso como uma brincadeira, nada de sexual.”


Fazendo corar os canarinhos

    Nem o técnico Disciplinei Luxemburgo, ou melhor, Wanderley Luxemburgo resistiu às piadas da trupe do Casseta & Planeta, que invadiu a concentração da Seleção Brasileira em Foz do Iguaçu, na última quarta-feira.
    Quando foi abordado no hotel, o técnico que sempre se esforça para manter uma postura séria, soltou logo uma gargalhada. Os jogadores também não escaparam e foram bombardeados com trocadilhos do tipo: “você já assisiu ao clássico México X Peru?”.
    Do humor característico do grupo, ninguém consegue escapar – e talvez seja esse o fato que faça com que os mais ilustres parodiados por eles não se importem com as piadas.
    Durante um treino da Seleção, Hubert vestiu-se com um alinhado terno e entrou no meio da torcida afirmando que era o técnico Disciplinei Luxemburgo – que também já foi chamado de Convoquei Luxemburgo, na ocasião da convocação para a Copa América, e Magoei Luxemburgo, quando o jogador Leonardo deixou a Seleção.
    Hubert tentava ensinar a torcida a não falar palavrões. “A torcida precisa ser disciplinada como a minha seleção”, repetia. O mesmo ator, logo depois encarnou o presidente Viajando Henrique Cardoso, que estaria nas Cataratas a passeio.
    Os políticos são também um dos alvos preferidos dos humoristas. Recentemente eles estiveram no Congresso Nacional e nem mesmo o presidente do Senado, Antônio Carlos Mandalhães, ou Magalhães, conseguiu se desvencilhar das brincadeiras de que manda no Brasil.
    As denominações do Presidente da República são as mais divertidas. De acordo com os fatos políticos da semana, o nome do presidente muda. Na época da queda das Bolsas de Valores ele chegou a ser parodiado com o nome de Ficando Henrique Nervoso: e depois, de Reclamando Henrique Cardoso, quando não poupou críticas à imprensa e à oposição pelas especulações de que o nosso Real estava indo por água abaixo.

JT


Cláudio Marzo, marcado pela maldade

    À primeira vista, o ator Cláudio Marzo parece confirmar o jeitão taciturno dos personagens que incorpora na tevê. De uns tempos para cá, ele tem se especializado em interpretar tipos maléficos, como Pedro Afonso, de A Indomada, e Vô Xistus, de Era Uma Vez.... Quando fez o cruel Pedro Barros no remake de Irmãos Coragem, por exemplo, chegou a receber ameaças de morte por telefone. Aos poucos, no entanto, o ator se revela um sujeito pacato e bem-humorado, que já aprendeu a dar boas risadas dos vilões que interpreta em novelas. Atualmente, ele encarna Antônio San Marino, o inescrupuloso dono do jornal Correio Carioca, de Andando nas Nuvens. "O importante é despertar o interesse do público. Geralmente, os vilões não são tão bobos quanto os mocinhos", compara.
    Mas nem sempre foi assim. Na década de 70, Cláudio Marzo chegou a ser considerado um dos mais cobiçados galãs da tevê brasileira. Na época, o ator ficou famoso ao fazer par romântico com a "Namoradinha do Brasil" Regina Duarte em quatro novelas consecutivas. Hoje, Cláudio Marzo reconhece que tem interpretado papéis mais condizentes com a idade. Aos 58 anos, com quase 40 anos de carreira e cerca de 30 novelas no currículo, ele só se ressente mesmo de não poder escolher os personagens que interpreta na tevê. "Nunca fui nenhum Marcello Mastroianni para escolher meus papéis. Ainda hoje, vivo modestamente do meu trabalho", lamenta.
    Desta vez, a situação foi ainda pior. No início das gravações, o elenco de Andando nas Nuvens teve de regravar boa parte das cenas porque a alta cúpula da Globo não aprovou os cenários da novela. Por isso mesmo, Cláudio Marzo não esconde a insatisfação com o número excessivo de capítulos. Se pudesse, garante que só faria seriados, minisséries, Você Decide... Como não pode, prefere viajar nos finais de semana para espairecer a cabeça em um sítio em Nova Friburgo, na região serrana do Rio. "Lá, só faço o que eu quero. Mesmo porque não tenho a obrigação de fazer absolutamente nada", acredita.
    - Você não se incomoda de ter a imagem sempre associada a vilões como o San Marino?
    - Não. Na verdade, não faço distinção entre personagens bons ou maus. O que me incomoda mesmo é o fato de não poder escolher os personagens que vou interpretar na tevê. Como sou contratado da Globo, não me cabe escolher esse ou aquele papel. A minha margem de discussão é muito pequena. Eu até já disse não algumas vezes, mas muitos "nãos' acabam pegando mal. Sou do tipo de ator que vive modestamente do próprio trabalho. No entanto, não tenho qualquer tipo de problema entre interpretar tipos bons ou maus.
    - Se pudesse escolher, que tipo de papel você gostaria de interpretar na tevê?
    - Se pudesse, gostaria de não fazer tanta novela. Prefiro os personagens sucintos, bem-resolvidos, aqueles que têm início, meio e fim. A novela é uma obra aberta. E como tal, está aberta para funcionar de acordo com os interesses de quem a escreve. O ator não participa deste processo. Ele apenas executa os capítulos que recebe e só. A minha preferência não é exatamente por esse ou aquele personagem, mas principalmente por esse ou aquele formato. Dos atores de tevê, 98% preferem fazer minisséries. Novela é excessivamente longa. Tanto para quem faz quanto para quem assiste.
    - A Globo alega que produzir novelas com menos capítulos não é viável economicamente. O que você pensa disso?
    - Quanto a isso, não posso fazer nada. Se é economicamente inviável para a emissora, as novelas vão continuar sendo feitas assim. Não estou aqui para modificar nada. Já disse que sou ator e, como tal, preciso de trabalho. Mesmo assim, gostaria de fazer participações menores em novelas. É muito ruim você ter de interpretar o protagonista de uma novela e ter de ficar no ar por quase nove meses. Fazer novela é muito cansativo. O início é sempre interessante. Cansativo é do meio para o final...
    - Mas você não acha que os papéis de vilão estão muito parecidos entre si?
    - Cada um tem a sua característica primordial. O Vô Xistus, de Era Uma Vez, por exemplo, não tinha nada de vilão. A única coisa que ele tinha de ruim era uma visão deturpada sobre a educação dos netos. No final das contas, ele não passava de um capitalista como outro qualquer. Já o San Marino é barra-pesada. Ele é o protótipo do mafioso que só anda cercado de capangas e vive mandando liquidar seus opositores. O San Marino é outro esquema. Inclusive, ele lembra muito o Pedro Barros, de Irmãos Coragem. O Pedro fazia parte de outra área, mas era igualmente um mafioso. O importante é fazer um personagem que desperta o interesse do público...
    - Os tipos malvados são mais interessantes de fazer que os mocinhos?
    - Não saberia dizer se o vilão exige mais do ator que o mocinho. Na verdade, você tem de estar no estúdio para gravar os capítulos da mesma forma. O trabalho é o mesmo. A única diferença é que interpretar vilões é mais agradável para o ator. Afinal, você pode brincar um pouco em cima das vilanias do personagem. O San Marino, por exemplo, vive cercado de muitos fantasmas. Ainda acho que ele poderia lidar com esses fantasmas de uma maneira mais irônica ou bem-humorada. No entanto, estou tendo o mesmo trabalho para fazer o San Marino quanto o Nanini para fazer o Otávio Montana.
    - Você já passou por alguma situação embaraçosa na rua?
    - Já. Certa vez, tive de mudar o telefone da minha casa por causa do Pedro Barros, de Irmãos Coragem. Um sujeito de Campina Grande, na Paraíba, ligava todos os dias para a minha casa. Ele fazia ameaças de morte, me xingava de tudo o que era nome e depois desligava... O pior é que, às vezes, ligava a cobrar. Felizmente, mudei o telefone da minha casa e ele nunca descobriu o novo número. Nesta época, eu não viajava para Campina Grande nem acompanhado de guarda-costas... Hoje, as pessoas já sabem distinguir melhor ator de personagem. Pelo menos, nunca mais recebi nenhuma ameaça de morte. Isso já foi um avanço.
    - Antes de fazer vilões, você fez sucesso como galã em novelas como Véu de Noiva, Minha Doce Namorada e Carinhoso. Você sente saudades daquele tempo?
    - Realmente, não tenho mais idade para interpretar galãs. A única recordação que guardo desta época foi o sítio que comprei no meio do mato. Comprei esse sítio há 30 anos e tenho ele até hoje. Mas não guardo saudades daquele tempo. O assédio era muito grande. Eu não podia sequer sair nas ruas. É, mais ou menos, o que acontece atualmente. Só que, nos dias de hoje, o assédio já não é comigo. Posso andar sossegado nas ruas. Com a idade, a gente adquire um pouco mais de tranqüilidade. Mas nós temos excelentes atores da nova geração. A Globo dispõe de uma rapaziada muito boa, como Márcio Garcia e Caio Blat. Eles são muito talentosos. Se tiverem juízo, vão longe.
    - No início da carreira, você trabalhou em muitas novelas escritas por Glória Magadan. O que você pensa das novelas que são feitas atualmente?
    - Por um lado, os meios de comunicação melhoraram muito. As emissoras de tevê evoluíram muito tecnologicamente. Por outro, as histórias ficaram muito repetitivas. Não surgiu nada de muito original nos últimos anos. Se você assistir ao Vale a Pena Ver de Novo ou à novela das oito, não vai notar qualquer diferença. A mesmice é generalizada. No entanto, não sou a pessoa mais indicada para falar do assunto. Eu faço novelas, mas não as assisto. Mesmo porque não tenho tempo. Às sete da noite, costumo estar no Projac trabalhando.
    - Você já trabalhou com o Euclydes Marinho na minissérie Quem Ama, Não Mata. Que avaliação você faz do Euclydes como autor de novelas?
    - Aquela minissérie foi muito boa. Fiquei contente com o resultado. Gosto muito do Euclydes. Acho até que ele encontrou um bom gancho para conduzir a narrativa de Andando nas Nuvens. Mas novela é um formato muito longo. Não dá nem para comparar com minissérie. A obra do Euclydes poderia ser interessante, mas não tem como não ficar maçante com tantos capítulos. O autor tem de inventar muitos acidentes de percurso para preencher 180 capítulos. Se bem que essa novela tem uma dinâmica interessante. As cenas são curtas e pouco trabalhosas.
    - Em Andando nas Nuvens, você interpreta um dono de jornal corrupto. Você acha que novela tem a capacidade de suscitar a reflexão do público?
    - Duvido muito. Em primeiro lugar, novela não tem esse objetivo. Pelo contrário, novela é feita para entreter o telespectador e ponto final. Pessoalmente, acredito que 90% do público assistem às novelas fazendo outras coisas. Ninguém senta para ver novela com o intuito de absorver o que quer que seja dito ali. Se sentasse, o público seria muito mais crítico. Não apenas iria refletir sobre o que está assistindo, mas sobre tudo o que está acontecendo no país. As pessoas sempre assistem às novelas lendo um livro, tomando café ou fazendo crochê... Muitas vezes, a tevê está ligada e as pessoas não estão sequer prestando atenção. Novela não prende a atenção das pessoas...


Galã cinqüentão

    Cláudio Marzo não guarda as melhores recordações do seu último papel na tevê. Mesmo assim, faz questão de frisar que só aceitou fazer o durão Xistus, de Era Uma Vez..., para atender a um pedido do amigo Walter Negrão. Foi justamente numa novela escrita por Negrão, a partir de uma radionovela do dramaturgo Oduvaldo Vianna, que Cláudio Marzo estreou na tevê. A novela chamava-se Marcados pelo Amor e foi exibida pela Record em 1964. Para retribuir o voto de confiança do amigo, Negrão fez com que o malvado Xistus terminasse Era Uma Vez... ao lado da bela Heloísa, vivida por Suzy Rêgo. "Fui chamado de galã a vida inteira. Hoje, interpreto papéis mais condizentes com a idade", brinca.
    Durante os anos 60, Cláudio se sujeitou a participar de inúmeras novelas escritas por Glória Magadan, como Eu Compro Esta Mulher, de 1966, e A Rainha Louca, de 1967, ambas da Globo. A autora cubana ficou famosa por escrever folhetins sem qualquer engajamento com a realidade socioeconômica brasileira. Pelo contrário. O inconfundível estilo de Glória Magadan recheava as tramas de condes, príncipes e rainhas. Na novela A Última Valsa, exibida pela Globo em 1969, por exemplo, Cláudio Marzo interpretou Olemberg, um duque austríaco que, durante a Segunda Guerra Mundial, foi acusado de espionagem a favor da Alemanha. "Esse duque de araque foi um verdadeiro fracasso!", sintetiza.
    No mesmo ano, porém, Cláudio Marzo deu a grande virada de sua carreira. Na novela Véu de Noiva, escrita por Janete Clair, ele foi escalado para fazer par romântico com a atriz Regina Duarte. A história de amor entre Marcelo e Andréia encerrava o ciclo de novelas supervisionadas por Glória Magadan e deixava para trás o estilo hispano-americano que marcou suas produções. Na ocasião Véu de Noiva fez tanto sucesso, que Cláudio Marzo e Regina Duarte repetiram a parceria em Irmãos Coragem, de Janete Clair, Minha Doce Namorada, de Vicente Sesso, e Carinhoso, de Lauro César Muniz. "Nunca fiz questão de fazer sucesso na tevê. E a culpa foi toda da Regina e de quem me colocou ao lado dela", elogia.


Bicho-do-mato

    Há 30 anos, o ator Cláudio Marzo cumpre uma rígida disciplina de trabalho. De segunda a sexta, ele grava as novelas da Globo nos estúdios do Projac, na zona oeste do Rio. No entanto, quando chega os finais de semana, ele abre mão do conforto de seu apartamento na Gávea, na zona sul do Rio, para se refugiar com a mulher, Néa, num sítio na cidade serrana de Nova Friburgo, a 150 km do Rio. A propriedade foi comprada com o dinheiro que Cláudio ganhou fazendo galãs ao lado de Regina Duarte nos anos 70. "É para lá que viajo quando não quero que ninguém me encha o saco!", diverte-se.
    Além de descansar do corre-corre das gravações, Cláudio Marzo aproveita a estada em Nova Friburgo para espairecer a cabeça. Lá, ele gosta de pescar num riacho próximo à propriedade ou jogar conversa fora com os vizinhos da região. Entre os hobbies prediletos, Cláudio Marzo destaca a criação de peixes e o cultivo da terra. No ano passado, a mulher do ator resolveu expandir os negócios da família e abrir um salão de beleza nas redondezas. Hoje, Cláudio Marzo já não consegue andar tão sossegado pelas ruas da cidade quanto gostaria. "Se um dia eu puder me aposentar, quero morar lá definitivamente...", planeja.
    Não é de hoje que Cláudio Marzo tem verdadeira paixão pela natureza. Por isso mesmo, ele não hesita em escolher o misterioso Velho do Rio, da novela Pantanal, escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, como o seu papel favorito na tevê. Como se não bastasse o fato de o personagem ser quase imaginário, o trabalho forneceu a Cláudio Marzo a rara oportunidade de gravar a maioria das cenas da novela no exuberante Pantanal mato-grossense, na região Centro-Oeste do país. "Eu não gravei uma cena sequer desta novela em estúdio. Você conhece um trabalho melhor do que esse?", empolga-se.

Gazeta de Cuiabá


Se precisar, ela roda a baiana

    Sua marca registrada, a gargalhada, é forte e solta. A maioria de suas personagens, também. Susana Vieira não gosta de mulheres submissas, na ficção, daí adorar Branca de Por Amor (1998) e Nice de Anjo Mau (1976), ou fora de cena. Gonçala, seu papel em Andando Nas Nuvens, era para ser submissa, "dentro da ostra", como definiu a própria atriz. Mas antes de gravar sua primeira cena na novela das 7 da Globo, avisou: "Não sei por quanto tempo vou agüentar San Marino (Cláudio Marzo) dando ordens", disse.
    Não deu outra. Gonçala já começa a libertar-se da tirania do marido, para felicidade da atriz. Com 55 anos, Susana é o tipo de mulher que assume a idade que tem. Só é aconselhável que ninguém lhe pergunte sobre a proximidade dos 60 anos. A resposta pode ser áspera.
    Susana é assim. Alterna risadas e tiradas bem-humoradas com rodadas de baiana. Casada, um filho, dois netos, está comemorando 30 anos de Globo. A atriz, que é fã de novelas mexicanas, diz que adora ver dramas. Mas na hora de atuar, prefere uma boa comédia.

    Estado - Após a forte Branca, de Por Amor, como é fazer uma submissa como Gonçala?
    Susana Vieira - Peguei a atual novela com capítulos gravados porque eu estava em Chiquinha Gonzaga. Só tive um dia de descanso entre os dois trabalhos e só deu tempo para mudar o cabelo. Por experiência, não levo meses estudando uma personagem. Primeiro, a rapidez da TV não permite. Depois, novela é algo que muda muito no meio do caminho. Não adianta vir com o papel pronto de casa.

    Estado - Como se sente em tal processo?
    Susana - Eu me entrego ao autor. É claro que posso não gostar de certas cenas, mas ou faço o papel ou saio do mercado. Novela é isso. Antes, a sinopse de uma novela era seguida à risca. Agora, as tramas são sujeitas a tudo. Pela sobrevivência das TVs, é preciso dar o que o público quer. É tudo um grande Você Decide.

    Estado - Você tem estratégias para levar tal situação de modo mais fácil?
    Susana - Tento extrair o lado positivo da personagem. Acho chato uma mulher chorona, que não sai da ostra. Ao ver o perfil de Gonçala, percebi que não ficaria submissa por muito tempo.

    Estado - Se não gosta de personagens assim, por que aceitou fazer Gonçala?
    Susana - Porque sou uma empregada da Globo. Nunca recusei papel nem escolhi personagem. Fico mais feliz com certos resultados, mas não me frustra uma personagem que não faz sucesso. Não se pode comparar o impacto de uma vilã das 8 com o de uma boazinha, como Gonçala. Ela e Otávio (Marco Nanini) são perdidos no mundo por serem puros e honestos. Em vez de passar isso com tristeza, faço com alegria. Gonçala está sempre alegre.

    Estado - Com isso, você acabou por mudar o perfil de Gonçala?
    Susana - Dei características minhas a ela. Não sou chorona, batalho, sou guerreira. Meu tipo físico sai do padrão oprimido: gosto de saia curta e braço de fora. Não faria uma submissa de hoje como uma carpideira de 1800. Mesmo as mulheres liberadas vivem situações de opressão, pois se passa por tudo na vida. Muitas vezes, engolimos sapos na relação afetiva, familiar ou no trabalho.

    Estado - Mesmo não recusando papéis, não ficou refém de um tipo. Foi sorte?
    Susana - Não. Sorte é quem não faz nada na vida, passa na rua, um diretor da Globo acha bonita e chama para protagonizar uma novela. Este ano faço 30 anos de Globo. A rapidez com que são gravadas as novelas, hoje, não permite que a gente brilhe, o que lastimo. Trabalha-se muito, mas não a cena, como um pianista ensaia ou um atleta treina. Os autores gostam que eu faça mulher rica. As "bichas" acham que uso um salto alto como ninguém (risos). Isso é por causa do meu começo, com teatro de revista, em São Paulo, aos 16 anos. Sempre fui disponível. Vejo meninas dizendo que não aceitam personagens porque querem descansar. Não quero descanso. O trabalho me recicla. Se ficasse parada por oito meses voltaria atuando muito mal. O exercício diário da profissão é enriquecedor.

    Estado - Com 30 anos de Globo, como avalia as novelas?
    Susana - Dizem que a Globo está se popularizando, mas sempre foi popularíssima. A emissora uniu o Brasil. Nas novelas, o que nos diferencia do exterior é que, aqui, as histórias são mais reais. Agora, adoro novela mexicana porque sabe fazer chorar. Você já viu as vilãs mexicanas? São dez Brancas. Já imaginou uma vilã caolha que combina a cor do robe com a do tapa-olho? É o máximo .

    Estado - As novelas brasileiras estão melhores ou piores do que as de antigamente?
    Susana - Não poderia falar que estão pior porque trabalho nisso e não piorei. Nenhum ator, autor ou diretor piorou. Mas aconteceu algo, não sei o que é. A imprensa busca um culpado quando o que há é um movimento. Há uma insatisfação do público. Não é com a TV, mas com suas vidas, devido à falta de emprego e perspectivas. Isso se reflete no gosto por programas ou na falta de fidelidade a uma emissora. Continuamos a trabalhar com o mesmo afinco. As novelas tentam divertir e os programas ditos populares, dar alívio às pessoas, com favores. Isso mostra o abandono em que está o público.

    Estado - Há novelas demais?
    Susana - Não. O ideal seria muitas novelas, em vários horários, mas com menor duração. Os capítulos duram uma hora. Antes eram 25 minutos. Mas nas novelas, a preocupação é dar alegria. Sempre há um núcleo de humor. Talvez seja hora de ter um pouco mais de drama nas histórias. Gosto de fazer comédia, mas prefiro ver drama. Por isso, gosto das novelas mexicanas, apesar de elas terem parado no tempo. Nelas, não há cenografia, externas, essas coisas.

    Estado - Apesar do bom humor, você explode fácil, não?
    Susana - Sou alegre porque não guardo nada. Sou transparente.

    Estado - Tem o reconhecimento que gostaria?
    Susana - Não tenho dúvida de que a emissora sabe quem sou. Tenho uma auto-imagem ótima. Sempre tenho dúvidas se uma personagem dará certo, se a crítica será boa. O ator é um ser frágil. Mas sobre o que represento para a casa, não tenho dúvidas.

    Estado - A crítica abala você?
    Susana - Abala, mas não sou um alvo fácil.

    Estado - Afinal, você prefere ser loura ou morena?
    Susana - Loura faz um sucesso! Mas, baixinha e moreninha, não é que agradei? Mas gostei muito de ser ruiva. Já mudei tanto que esqueci qual a cor natural do meu cabelo. Acho que tenho originalmente o cabelo que uso hoje. Foi um reencontro. Gosto de cores radicais, de vermelho e preto (risos), porque sou Flamengo.

    Estado - Você está a cada dia mais bonita. Qual o segredo?
    Susana - Ajudo a natureza não indo contra ela. Deixei minha vida passando, naturalmente. Nunca fui de malhar, não suporto exercício. Adoro dormir até tarde. Tomo muita água, como de tudo. Não deixo de comer manteiga, adoro um pão francês. Como tudo de forma comedida, mas tudo com gosto, nada de culpa. A única coisa que não faço é comer doce. Não como açúcar de nenhuma espécie por causa da minha criação. Meus pais não deixavam tomar refrigerante, comer bala, chiclete e isso foi maravilhoso.

    Estado - E plástica? Você já fez ou pretende fazer?
    Susana - Não tenho absolutamente nada contra o que uma mulher faz para melhorar sua aparência. Só que a gente vive uma cobrança pública absolutamente desnecessária e insuportável. Consegui vencer sem a plástica porque não fui ser atriz por causa da minha beleza. Não se conhece nenhuma atriz que vingou por ser linda, a não ser Vera Fischer, que é um espetáculo. Para mim, é a mulher mais linda do mundo.

    Estado - Você assume sua idade. A proximidade dos 60 anos lhe preocupa?
    Susana - Acho essa pergunta desnecessária. Nunca penso que estou próxima de nada. Não paro para pensar nessas coisas porque a vida é muito rápida. Sou como uma criança, corro o dia todo, deito e durmo maravilhosa de noite. Eu deixo rolar. É por isso que estou até hoje como estou.

OESP


Opção irreverente

    Voz grave, jeito despojado e estilo sincero vão ser a marca das noites de sábado da Band. Após nove anos na MTV, Astrid Fontenelle prepara-se para estrear, dia 10 de julho, o "Programão", uma produção semanal de variedades voltada para o público jovem e que tem como objetivo se tornar uma alternativa para o baixo nível da programação de sábado. Na verdade, esta carioca de 38 anos vai trazer para o novo programa ingredientes e formatos que deram certo na MTV. O "Programão" vai ter entrevistas e debates, uma clara mistura do "Pé na Cozinha" e do "Barraco MTV", que Astrid idealizou e apresentou na emissora musical. "Foram programas também idealizados por mim. Não vejo nenhum problema em adotar o mesmo formato", ressalta.
    A principal diferença do "Programão" é que, em vez de o entrevistado ir até o estúdio, Astrid vai buscá-lo e fazer a entrevista dentro da cozinha de um "trailer". Enquanto conversam e cozinham, o veículo vai levar os dois até um local de concentração de jovens, como um pátio de colégio ou um bar. A partir daí, o programa vira uma espécie de "Barraco MTV", onde os jovens farão perguntas sobre um tema preestabelecido. "Acho que a saída do estúdio deixa a galera mais solta e descontraída", acredita.
Astrid só não quer ficar pensando no ibope. Para ela, a obsessão pelos números da audiência se transformou em uma praga. "Quero me manter distante disso", avisa. A apresentadora acredita que a guerra pelos índices está tirando a originalidade e a criatividade da tevê brasileira. "Se eu ficar preocupada com o ibope vou cair na criancinha dançando É o Tchan. Não quero isso", alfineta Astrid, referindo-se aos concursos do "Programa Raul Gil", da Record.
    De qualquer forma, a apresentadora sabe que vai ter de conquistar o telespectador. Tanto, que aposta no estilo ousado que sempre a acompanhou na MTV. Nem a fama de desbocada será modificada. Para Astrid, os palavrões, além de não serem ditos de forma gratuita, são uma forma de se fazer entender. "Não dá para falar de forma técnica e muito formal com o público jovem. Tenho de falar que o show foi "do caralho' mesmo", defende.
    Depois de nove anos, você saiu da MTV para comandar um programa em uma emissora que possui um público mais diversificado. A questão da audiência preocupa?
    Na verdade, nem comecei a pensar sobre isso. Se ficar pensando primeiramente na audiência, vou acabar fazendo igual ao Raul Gil: botando criancinha dançando É o Tchan. Eu acho que tenho de estar um pouco distante da neura da audiência. O diretor é quem tem de ter essa preocupação. Não quero me deixar contaminar por essa praga. Daqui a pouco, vai ter um terminal do Dataibope dentro da minha casa, como o Gugu Liberato. Eu não quero ter esta máquina dentro da minha casa. Acredito que o "Programão" tem de ser visto e respeitado e sei que há metas a cumprir junto com à direção da Band, as quais ainda desconheço. Nem sei quanto é a audiência a essa hora na Band e nem sei o que esperam de mim em termos de ibope. Vamos entrar na concorrência com outras armas.

O sábado virou uma guerra e você vai lutar contra o "Programa Raul Gil", da Record, e "Festa do Mallandro", da CNT. Será que suas armas serão suficientes?
A concorrência foi uma das motivações. Quando a gente viu aquele sábado, com os pagodeiros, percebemos que tinha muita gente em frente à tevê insatisfeita. O que se apresenta aos sábados é muito pouco para a inteligência que, acredito, exista em frente da tela. Raul Gil com crianças dançando É o Tchan e pegadinhas do Sérgio Mallandro, não dá... Faremos um programa de uma forma que o povo me entenda. Com bom humor, simplicidade, a linguagem que eu uso, na cara dura.

Esse estilo funciona?
O "Pé na Cozinha" tinha retorno dos telespectadores, que falavam que eu fazia as perguntas que eles queriam. Nunca fiquei perguntando se o cara namora ou não ou se a pessoa fuma ou não maconha. É uma "cagada" ficar fazendo esse tipo de pergunta. A minha trip é não explorar o superficial, o que todo mundo sabe.

Além do estilo sincero, você também tem fama de desbocada. O jovem se identifica com isso?
Conheço umas pessoas desbocadas e que falam gratuitamente palavrão. Acho que não sou assim. E para falar com jovem não tem como dizer que o show do U2 foi "muito bom" ou que "a qualidade do som estava impecável". Não estarei falando do U2, estaria falando do Luciano Pavarotti. Falo mesmo: "o show do U2 foi do caralho". Rápido, direto, objetivo e prático. De vez em quando, alguma senhora reclamava que tinha uma apresentadora falando palavrão. Só que esta senhora estava assistindo ao canal errado, pois estou dentro do segmento, estou falando com a juventude. Ir a um jogo de futebol e não querer que o cara ao seu lado fique pulando, é difícil. Não estou nem maneirando para conversar com você, estou falando normalmente. Faz parte do contexto. Não é que nem a Dercy Gonçalves, que fala gratuitamente uns cinco palavrões seguidos só para chamar a atenção, pois este é o marketing dela.

A idéia inicial do "Programão" era fazer um programa de calouros, ao estilo do Chacrinha. Como se chegou ao formato atual?
Primeiramente, o Nílton Travesso - superintendente de Operações da Band - pensou em show de calouros. Começamos a pensar em algo com uma coisa de novos talentos. Ao mesmo tempo, porém, ficava encafifada se era o que realmente queria fazer. Tinha na cabeça que foi o "Pé na Cozinha" que fez com que o Nílton voltasse a me ver na televisão. Eu já havia trabalhado com ele há 10 anos, no "Mulher 90". Indaguei ao Nílton sobre o motivo pelo qual ele tinha me chamado na MTV e ele respondeu que era por causa das entrevistas. Então, resolvemos investir nesse formato.

O "Programão" é uma mistura de "Pé na Cozinha" com "Barraco MTV". Você não se sente constrangida em copiar o formato dos programas da MTV?
Não tenho pudor e não estarei ferindo ética alguma se continuar fazendo o que fazia na MTV. Primeiro porque o "Pé na Cozinha" acabou e foi um programa idealizado por mim juntamente com outros profissionais e feito passo a passo por mim e pela produção. É muito a minha cara para não continuar fazendo. Vejo nele o "meu sofá da Hebe". Nunca vi a Hebe sem sofá. Ou seja, achei o meu canto na televisão. Por que vou abrir mão disso e daqui a pouco ficar vendo algum picareta fazendo esse programa?

Além da cozinha, o programa vai ter entrevistas e dabates em locações como bares, colégios e até em uma ilha. Qual o objetivo de fazer um programa em vários locais diferentes?
Primeiro, não dava para ter duas horas de entrevista na cozinha. Então começamos a pensar em outras coisas para não perder o contato com a galera, já que o programa não vai ter auditório. Pensamos num formato em que vou buscar a pessoa em casa, no treino, ou no ensaio, entrevistá-la na cozinha e depois levá-la a um debate com uma galera num pátio de um colégio ou no botequim da esquina. Em outra meia hora, estaríamos levando pessoas a lugares bacanudos e inusitados, que tivessem a ver com eles. Por exemplo: o Henrique Stroeter, cujo personagem, o Zé na "Guerra dos Pintos", vende sapatos, e o Salgadinho, vocalista do Katinguelê, que já vendeu sapato antes de ser cantor. Vamos todos comprar sapatos. O Salgadinho, com a experiência, e o ator, que pode fazer um laboratório. Além disso, dentre os vários exemplos que listei com o Nílton, falei também sobre "Quem levaria para uma ilha deserta". E estamos à procura de uma ilha para fazermos entrevistas e ter uma outra situação de programa. Ou seja: serão mais ou menos três entrevistas por sábado nessas variantes de situação.

O debate vai seguir o estilo do "Barraco", com todo mundo falando ao mesmo tempo?
Mais ou menos. A galera vai entrevistar uma pessoa sobre um tema pautado. E aí a gente vai até onde a galera está. Imagino que gere uma espontaneidade maior para eles, pois não tem aquele ambiente de estúdio.

A televisão vem pecando por pautas repetitivas, com a maioria das produções abordando os mesmos assuntos e da mesma forma. Você não tem receio de que o "Programão", como um programa de variedades, caia no lugar-comum?
Acho que isso ocorre porque as pessoas são meio setorizadas. Na maioria das produções há o pauteiro, que trabalha sozinho, o editor, que trabalha sozinho, e o diretor, que manda em todo mundo. A gente tem um saudável hábito de trabalhar junto. A estagiária, a produtora, o diretor, o apresentador, todo mundo junto dando palpite na pauta, interagindo. Um bando de cabeças pensantes certamente é muito melhor, criativo e mais dinâmico para você arrumar alternativas, sem obrigatoriamente estar olhando para o canal do lado para ver o que estão fazendo e verificar o quanto o ibope está dando.

Mais uma vez você citou o ibope. Parece que você tem ojeriza aos números da audiência...
O ibope tira um negócio de você que é o instinto, o "feeling". No final das contas, você vai jogar com as mesmas pedras dos outros. Aí não tem graça. Você deixa de ser criativo.


Sem papas na língua

    Além da sinceridade com a qual costuma tratar os entrevistados, Astrid Fontenelle também se destaca pela ousadia. A apresentadora do "Programão", mostrou audácia ainda na MTV ao chamar para o "Pé na Cozinha" o VJ Gastão. Até aí, tudo bem. No entanto, Gastão, que também produzia programas na MTV como "Hermanos" e "Gás Total", tinha acabado de ser demitido da emissora musical. Havia, portanto, a certeza de que ele não iria poupar críticas à MTV, tampouco à ex-chefe, a diretora Cris Lobo.
Mas a direção da MTV não colocou obstáculos e a entrevista com Gastão foi ao ar. Astrid lembra que foi um dos melhores "Pé na Cozinha". "Ele falou mal, mas não foi grosseiro", enaltece a apresentadora, destacando que nunca teve caso de veto a entrevistados. "É mais fácil alguém sugerir uma entrevista e eu vetar porque não vou conseguir ser simpática", garante.
    Astrid prefere não listar as pessoas às quais não gostaria de entrevistar, mas reconhece que gostaria de fazer um programa com uma figura polêmica, apesar de não gostar nem um pouco da pessoa. Trata-se de Fernando Collor de Mello. Mesmo assim, sincera como sempre, ela faz ressalvas. "É uma entrevista que não cabe dentro de uma cozinha. Cozinhar é um ato de amor e como eu vou cozinhar e comer do lado de uma pessoa de quem não gosto?", explica.
    Astrid só não abre mão de um aspecto ao fazer uma entrevista: a preparação. A apresentadora acredita que muitos entrevistadores na televisão pecam pela falta de pesquisa sobre o entrevistado. Ela cita como exemplo o "Pé na Cozinha" com Paulo Coelho, para a qual leu dois livros do escritor. "Acho muito feio não se preparar, não saber o que aquele entrevistado escreveu ou gravou. Você pode dar cada fora...", afirma. Na ocasião, aliás, Astrid não desperdiçou a oportunidade de pôr em prática sua ousadia e apontou erros de português nos livros de Paulo Coelho. "Não abro mão desta preparação prévia", avisa.
    Astrid garante que os nomes levantados para serem entrevistados pelo "Programão" já estão sendo devidamente pesquisados. E trabalho não vai faltar à produção. Afinal, serão, em média, três entrevistados por programa. Nos dois primeiros quadros, o convidado é entrevistado por Astrid em uma cozinha e depois participa de um debate com jovens. Na segunda hora de "Programão", um ou dois entrevistados são convidados para um passeio no qual vão visitar lugares que tenham relação com a infância. Por fim, o quadro "Quem Você Levaria Para uma Ilha Deserta", no qual Astrid vai levar um convidado para uma ilha onde será realizada a entrevista.
    Do rock ao samba - Astrid Fontenelle já caiu no samba. Mas o fato não ocorreu devido à "popularização" da programação da MTV, que abriu espaço para clipes de grupos de pagode e axé. O Carnaval foi o primeiro "teste" da apresentadora na Band. E que prova. Ao lado de Luciano do Valle, Astrid comandou a cobertura do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro durante o último Carnaval. "Foi um teste de resistência física e improviso sobre o nada", desabafa a apresentadora.
    O convite para narrar o desfile partiu do supervisor de operações da Band, Nílton Travesso. Segundo Astrid, Nílton queria alguém que agüentasse o "tranco". "Além disso, ele queria botar um "X' na transmissão, um sotaque carioca", diverte-se.
    Astrid resolveu se aventurar em 14 horas de transmissão de um evento no qual o improviso e o dinamismo para não deixar o telespectador dormir são fundamentais. A pior experiência, no entanto, ficou por conta do Desfile das Escolas de Samba do Grupo de Acesso. A apresentadora conta que, ao contrário do Grupo Especial, que fornece à imprensa releases com bastante informação sobre carros alegóricos, enredo e destaques, o Grupo de Acesso não passa nada. "Você não sabe quem é o presidente, o diretor de bateria, o mestre-sala. E você fica ali 12 horas sobre o nada", explica. Mesmo assim, Astrid reconhece que adorou participar da festa carnavalesca. Ela, que só havia pisado no Sambódromo do Rio para assistir a shows de rock, conta que ficou deslumbrada. "Quero fazer de novo", avisa.

A Gazeta de Cuiabá


Palavra de mulher

    O dia rende na vida de Marta Suplicy. A sexóloga aproveita a entressafra eleitoral para voltar à TV em Jogo Aberto com Marta Suplicy, que tem previsão de estréia no sábado, às 20 horas, na Band. O tema será amplo: o que pensam homens e mulheres no fim do milênio. O resultado dará combustível para outras discussões. No palco estarão anônimos e personalidades como o jogador Raí, o escritor Leonardo Boff e a atriz Bete Coelho. "As pessoas querem mais do que entretenimento, querem aprender algo na TV", diz Marta.
    Aos 53 anos, casada há 34 com o senador Eduardo Suplicy (PT), mãe de três rapazes, Supla, André e João, ela não pára. Deu entrevista ao Estado enquanto almoçava, fazendo pausas para dar uma entrevista, por telefone, ao jornal americano Washington Post, discutir o orçamento da troca de piso do quintal de sua mansão e marcar reunião de estudo sobre o transporte da capital. Ainda produziu-se rapidamente para as fotos. Ex-deputada federal pelo PT e futura candidata à Prefeitura de São Paulo, Marta já se acostumou com a correria de quem tem pouco tempo para a família. "Só não gosto de dormir sozinha."

    Estado - Como se sente voltando à TV?
    Marta Suplicy - Tenho duas profissões: sou psicóloga psicanalista e uma pessoa de mídia. Por seis anos, participei de um programa diário, o TV Mulher (Globo), na década de 80. Quando entrei na política, interrompi o consultório e já estava fora da TV. Após as últimas eleições, não voltei ao consultório porque continuarei na política e não daria para iniciar tratamento com um paciente e interrompê-lo. Como quero trabalhar, me sobra a oportunidade de voltar à TV.
    Estado - Será um programa para mulheres?
    Marta - Será diferente do TV Mulher. Estou tendo o cuidado de tornar os temas mais amplos e não ficar só na questão da sexualidade. Não quero que o programa fique carimbado como sendo de mulher ou para eu expor meus projetos.
    Estado - Que assuntos pretende abordar?
    Marta - Esses quatro anos no Congresso me permitiram uma compreensão do Brasil e dos temas sociais de forma mais ampla do que eu tinha como psicanalista. É um programa que abordará todos os temas sobre comportamento. Não tenho proibição. Minha idéia é fazer algo que responda a um desejo que percebo nas palestras que faço pelo País: a vontade que as pessoas têm de aprender alguma coisa na TV, de ver um programa que não seja só entretenimento e seja exibido num horário aceitável para quem trabalha.
    Estado - E o que você sente que as pessoas estão querendo?
    Marta - Prestação de serviço, mas de uma maneira mais ampla. E atrações que façam pensar, refletir. Há opções como Jô Soares, mas é à meia-noite e nem todo mundo pode ver, ou Silvia Poppovic, num horário em que as pessoas estão trabalhando. O horário nobre é de entretenimento, as pessoas se divertem, mas acham que é pouco. Uma pesquisa do grupo TVer mostrou que a mulher não se sente retratada na TV e agüenta acompanhar uma novela duas vezes por semana. Espero que meu programa acrescente algo à vida delas. Não dá para fazer mágica, mas, aos poucos, posso criar uma nova forma de encarar os problemas, o que já é uma contribuição num programa com formato popular.
    Estado - Como será?
    Marta - Terá duas arenas, com 20 pessoas de cada lado. Os convidados terão de ser articulados, mas não especialistas em determinados assuntos. Como política, vou muito à periferia e nas bases organizadas do meu partido, onde encontro pessoas simples e inteligentes. Fico impactada com a fala de algumas, que não têm nem o curso primário, mas percebem a realidade de maneira clara, sabem defender seus direitos e explicitar suas opiniões. Vou dar voz a elas. Será um programa opinativo acima de tudo.
    Estado - Como será sua atuação?
    Marta - Vou ficar na platéia, com os convidados, andando de um lado para o outro, mas vou convesar, instigar o debate, expor minhas idéias e, no final, dar um resumo do que foi dito.
    Estado - Qual é a expectativa de audiência?
    Marta - Não falei com a Band sobre isso. A emissora não tem índices altíssimos, globais. Acho que teremos de esperar uns três meses para saber se o programa está agradando ou não.
    Estado - Você tem ambições políticas e, ano que vem, haverá eleição. Como fará?
    Marta - Assinei um contrato de um ano com a Band, até junho do ano que vem, quando terei de me desencompatibilizar para concorrer à Prefeitura. Por sugestão do meu advogado, Sérgio Dantino, há uma cláusula, caso os meus colegas do Congresso decidam mudar o prazo, para que eu não pague multa pela rescisão de contrato.
    Estado - Você teme ser acusada de usar a TV como palanque eleitoral?
    Marta - Eu tenho de ser muito politicamente correta no meu programa, o que não será problema. Não vou ficar falando de política ou de partido. Em nenhum momento, as pessoas têm de pensar que eu sou candidata a qualquer coisa. Têm de ouvir o programa e achar interessante.
    Estado - O seu discurso vai mudar na TV?
    Marta - Vou defender o que sempre defendi. Na última campanha, muitas pessoas diziam que não gostavam dos meus projetos, mas que pelo menos eu tenho garra para lutar pelo que acredito. Outras diziam que não votavam em mim por causa do meu projeto de união civil entre pessoas do mesmo sexo. Eu sentava com a pessoa e explicava o que era e muita gente mudava de opinião. Não é uma questão de achar bonito ou feio, mas de cidadania, de direitos.
    Estado - Como lida com as críticas?
    Marta - Não gosto, mas escuto.
    Estado - Você apresentou o projeto desse programa a outras emissoras. Por que escolheu a Band?
    Marta - Houve interesse de outras, até da Globo, mas decidi não aceitar e prefiro não falar no assunto. A Record se mostrou interessada, mas ficou parada e eu fui conversar com a Band. Nilton Travesso (superintendente operacional e artístico da Band), com quem já havia trabalhado no TV Mulher, me abriu todas as portas.
    Estado - Você criou o grupo TVer para discutir a qualidade da programação. Como fica sua atuação agora que vai estar fazendo TV?
    Marta - Deixei a presidência do grupo, mas continuo como integrante. Eles continuarão se reunindo na minha casa.
    Estado - O que você vê na TV?
    Marta - Eu olho tudo, mas não vejo muitos programas por inteiro porque não agüento e não tenho tempo. Andei intrigada com esse movimento de promover mulheres como Carla Perez e Tiazinha, principalmente tendo em vista uma pesquisa que saiu num jornal, mostrando que os publicitários davam tiro n'água ao retratar o universo feminino. Eles ainda se comunicam com as mulheres dos anos 60 e 70, quando só 20% trabalhavam fora. Nas propagandas, elas aparecem na boca do fogão. Mesmo a mulher que só trabalha no lar, hoje, tem outra imagem. Ela mexe no computador, participa do mundo e da vida da cidade. E, quando se vê na boca do fogão, fica ensandecida, com toda a razão.
    Estado - O que a mulher quer ver na TV?
    Marta - Pesquisas do TVer mostram que a mulher que trabalha fora tem horror a figuras como a Tiazinha, que não apresentam inteligência ou competência e sim partes de um corpo. O publicitário, que recebe pesquisas diárias sobre tudo, sabe muito bem disso. O fato de fazerem uma propaganda equivocada não significa armar um complô contra as mulheres, mas é uma resposta inconsciente à ascenção da mulher. A gente está numa época de desemprego, as mulheres disputando mercado, ganhando 40% menos que os homens e a TV pondo no imaginário das meninas, com Tiazinha e Carla Perez, que estudar não é mais importante. Se você conseguir malhar e ter um belo corpo, estará feita na vida e, se tiver sorte, ainda casa com um milionário e vira Adriane Galisteu. Isso explica porque o maníaco do parque conseguiu levar dez meninas decentes para dentro de um parque com uma história maluca de fazer um álbum de fotografia. O que deveria estar sendo aprendido é que o importante é estudar muito, investir, ter capacidade. Aí, sim, você vai ter um emprego, ser valorizada, vencer.
    Estado - E quando esses programas, que exploram a erotização, estouram em audiência?
    Marta - É complicado. O brasileiro tem uma sensualidade inerente à mistura de raças. No Nordeste, você vê as pessoas dançando de forma espontânea e é muito sensual, bonito, não choca. Na TV é diferente, pois passa a ser um objeto de consumo, ensinando às crianças gestos que não existem nas danças espontâneas.
    Estado - Como é o seu dia-a-dia?
    Marta - Estou trabalhando como nunca, em várias atividades. Tento fazer ginástica três vezes por semana, pela manhã, numa academia, mas às vezes não consigo. Durmo tarde, fico lendo, vendo TV e aí não acordo. Corro o dia inteiro. Vivo reclamando.
    Estado - Sobra tempo para a família?
    Marta - Meus filhos não moram comigo. Supla está em Nova York, João, no Rio. Só André mora em São Paulo, então ele e a mulher almoçam comigo uma ou duas vezes por semana. Meu marido passa a semana em Brasília.
    Estado - Sente falta de ter uma vida familiar?
    Marta - É claro. Sinto muita falta do meu marido, detesto dormir sozinha, é a pior coisa de tudo isso. Foi bom o período em que eu estive em Brasília, mas chega um momento em que você tem de escolher e, embora eu sempre tenha colocado o meu marido em primeiro lugar, estava numa encruzilhada: ou tentar um crescimento político ou continuar no Parlamento.
    Estado - No TV Mulher você tinha uma superstição: só usava calcinha vermelha.
    Marta - É verdade, mas já passou. Agora, estou voltando com a cara e a coragem.

OESP


Realidade total

    Fábio Assunção já deixou claro desde o início de "Força de um Desejo": não quer ter o auxílio de dublês nas gravações. O ator não abre mão de fazer as seqüências em que o ágil Inácio Sobral vai galopar com seu cavalo de raça, brigar de faca em punho com escravos e participar de tiroteios com bandos inimigos. "Vou tentar gravar todas as cenas. Só se não conseguir que vou pedir a ajuda do dublê", garante o ator. Por isso, Fábio não se desgruda do belo cavalo negro que utiliza nas gravações, numa tentativa de criar a maior amizade possível com o animal. O ator já gostava de andar a cavalo, mas depois que teve aulas de equitação para compor o personagem, Fábio descobriu que tem jeito para a montaria. "Não sinto dificuldade e acho lindas as seqüências de cavalgadas", afirma Fábio.
    A disposição em realizar cenas de ação é uma conseqüência do último trabalho do ator. Na minissérie "Labirinto", também de Gilberto Braga, Fábio passou o maior tempo fugindo da polícia e realizou várias cenas arriscadas. Na pele do ex-iatista André, o ator ficou embaixo de um caminhão em movimento, participou de uma perseguição de carros e correu pelos telhados do Pelourinho, em Salvador, na Bahia. "O dublê ficava só olhando. Ele dizia que era o trabalho mais fácil da vida dele", brinca Fábio.
    Além das seqüências de maior correria, o ator fez questão de também gravar ele mesmo as cenas em que o personagem da minissérie mergulhava para se esconder da polícia. A cena foi realizada na pacata região de Itacuruçá, próxima a Angra dos Reis, no Rio. "Fiz um curso de mergulho e tirei de letra a cena", gaba-se o ator. Na verdade, Fábio já se encantou com belezas submarinas da Tailândia e da Indonésia. "Fiz seis mergulhos em Bali, com visibilidade de 30 metros. A beleza do fundo do mar me fascina", frisa Fábio.
    Metamorfose ambulante - A carreira de Fábio Assunção é marcada pela diversidade de tipos. O ator acredita que o primeiro papel, o Marco Antônio de "Meu Bem, Meu Mal", tenha sido um bom começo. "Foi ótimo, porque deu tempo de trabalhar com o Cassiano Gabus Mendes. Ele era um autor único", elogia Fábio. Para o ator, a partir desta novela, que foi ao ar em 1990, tudo foi acontecendo naturalmente. O convite de Jorge Fernando para ele integrar, em 1991, o elenco de "Vamp", de Antônio Calmon, foi importante para aproximá-lo do público infanto-juvenil. Fábio viveu o divertido Lipe, que era um dos filhos do personagem de Reginaldo Farias. "Foi uma experiência diferente, em que pude explorar o humor", afirma o ator.
    Da novela seguinte, "De Corpo e Alma", em 1992, Fábio nem poderia guardar boas recordações. Seu personagem, o Caio, era o par romântico de Daniela Perez. "O assassinato de Daniela mexeu muito com a emoção da gente", lembra. O primeiro vilão aconteceu em "Sonho Meu", de Marcílio Moraes. Ele interpretava o mau-caráter Jorge Candeias de Sá. Depois veio "Pátria Minha", em que ele era o arquiteto Rodrigo. "Foi marcante para mim, pois era a primeira vez que me deparava com um texto do Gilberto Braga", garante. Logo em seguida Fábio participou de "O Rei do Gado", de Benedito Ruy Barbosa. Ele viveu o rebelde Marcos Mezenga, que o ator considera seu papel de maior sucesso.
    Com duas participações de "A Comédia da Vida Privada" - ele fez um jornalista atrapalhado e um tipo rastafári -, Fábio ainda viveu a experiência de encenar a "Paixão de Cristo", no papel principal, em 1997 e 1998. "O espetáculo me aproximou muito do Nordeste. Conheci o povo de Caruaru. Foi inesquecível", emociona-se o ator. Em seguida vieram dois trabalhos bem diferentes que Fábio praticamente emendou com "Força de Um Desejo": "Por Amor" e "Labirinto". Na novela de Manoel Carlos, Fábio viveu o mauricinho Marcelo, inspirado no socialite Antenor Mayrink Veiga. Já a estréia em minisséries deu oportunidade do ator interpretar André, o protagonista escrito por Gilberto Braga que mostrou Fábio em cenas de ação, sexo e suspense. "Mergulhei de cabeça no André. Me envolvi até com a pré-produção", enfatiza Fábio.


Objeto de desejo

    Os gritos de "lindo, lindo, lindo..." interrompem constantemente as gravações nas externas de "Força de Um Desejo". A dose exagerada de tietagem tem endereço certo: Fábio Assunção. Enquanto o diretor Mauro Mendonça Filho interrompe a cena para começar tudo de novo, o ator de olhos azuis abre um sorriso digno de anúncio de creme dental para a turma que acompanha de longe as gravações há mais de quatro horas. Na pele do romântico Inácio Sobral - personagem que é um misto de cowboy e lorde inglês -, o ator paulistano volta a se concentrar e passa a mão no belo cavalo negro que vem utilizando na novela. Logo após a seqüência de cavalgada, Fábio discretamente entra no trailer da produção da Globo. Além de privacidade, Fábio foge do sol forte, pois quer manter a pele branca, mais indicada para o personagem. Para o ator, a dedicação é um item primordial para ele se sentir à vontade em um novo papel. "A maior dificuldade é equilibrar o lado rústico e refinado do Inácio", reflete Fábio, que após sete novelas e nove anos de carreira, vive o primeiro personagem de época.
    O ator não esconde o entusiasmo em realizar o terceiro trabalho com Gilberto Braga. Fábio já havia interpretado o arquiteto Rodrigo em "Pátria Minha" e, no ano passado, foi o protagonista André da minissérie "Labirinto". Além do entusiasmo por vestir figurinos de época, o ator assume a euforia por viver na trama dois triângulos amorosos ao mesmo tempo. O personagem Inácio é objeto de desejo tanto de Ester, papel de Malu Mader, quanto de Alice, personagem de Lavínia Vlasak. "É uma situação que não vivi na minha carreira. O Gilberto sempre me surpreende", elogia o ator.
    Reeditar o par romântico com Malu Mader, com quem trabalhou em "Labirinto", também é motivo de alegria para Fábio. Para ele, o fato da atriz sempre estar preocupada com a qualidade das cenas e ser extremamente perfeccionista só aumenta a afinidade entre eles. "Já ter trabalhado antes ajuda a obter uma cumplicidade com o outro ator. Eu e a Malu funcionamos bem juntos", enfatiza Fábio.

Seu personagem Inácio mistura uma certa sofisticação da vida na corte com um lado mais bronco, de quem vive no campo. É difícil trabalhar com essa ambigüidade?
Acho que saber dosar estes dois lados na medida certa é a parte mais difícil do trabalho. Desde o início da novela, busco equilibrar estes dois universos. O Inácio é muito apegado à fazenda. A infância dele e a adolescência foram ligadas aos animais e a terra. Mas ele é um cara que estudou fora, na Europa. Não é um homem com um perfil demasiadamente bruto. É uma pessoa que, ao mesmo tempo que tem esta cultura do campo, também possui o refinamento da corte e da sociedade mais burguesa, vamos dizer assim.

"Força de Um Desejo" é seu primeiro trabalho de época. As roupas e adereços ajudam até que ponto na composição?
Acho que o figurino encaminha muito bem. Não digo que é meio caminho andado, mas realmente quando boto as roupas da época é que começa o tom do personagem. Você já ajeita a postura. Vem toda a parte estética do personagem, a caracterização do cabelo e os gestos que você vai criando para o papel. É maravilhoso poder usar, por exemplo, uma cartola original da época. Ela foi comprada em Londres, numa loja com mais de 150 anos de tradição. É o sonho de todo o ator poder brincar com acessórios deste tipo.

Como é incorporar um personagem que está envolvido em dois triângulos amorosos?
É uma situação que ainda não tinha vivido na minha carreira. Na verdade, a história do Gilberto é maravilhosa. Em termos de folhetim, é o que há de melhor. Apesar de toda novela ter triângulos amorosos, em "Força de um Desejo" o conflito é grande pela terceira parte do triângulo ser o pai do Inácio. E o meu personagem ainda é mais interessante porque tem o conflito com o irmão Abelardo, que vai se casar com Alice, e que na verdade é apaixonada pelo Inácio. Acho que a trama vai esquentar. O Gilberto sempre me surpreende.

Este é seu terceiro trabalho seguido. O que animou você a aceitar o convite?
Foi a força da sinopse. O Gilberto e o Alcides acertaram em cheio. Acho que os dois estão brilhantes. A novela une paixão e conflito, elementos essenciais para uma novela fazer sucesso. Os arquétipos da dramaturgia estão inseridos neste trabalho de uma forma primorosa. Os textos são lindos. E tem também todo este transporte para o século passado, que dá uma poesia especial. Até o vilão é perdoável, porque dá para ver que ele está agindo passionalmente. Ao mesmo tempo, quando li sobre o Inácio, vários personagens de cinema vieram na minha cabeça.

Quais, por exemplo?
De cara, veio o personagem do Alan Delon em "O Leopardo", filme de Luchino Visconti. O outro foi o personagem de Robert Taylor na "A Dama das Camélias", de George Cukor. Ele contracenava com Greta Garbo. São dois personagens que acho que têm muito a ver com o Inácio. Não só pela história, mas pela caracterização e também no estilo de interpretação. O Taylor e o Delon arrasam nos dois filmes. Foi uma coisa meio automática na minha cabeça. Acho que o Inácio tem a limpeza do personagem do Taylor, o cabelo arrumadinho. Todo "clean". E tem a paixão imprimida por Delon no filme do Visconti. Aquela masculinidade.

Por outro lado, o Inácio é meio ingênuo...
Todos os personagens da novela são meio ingênuos. Naquela época, para uma pessoa receber uma notícia demorava, no mínimo, um mês. Então, o raciocínio das pessoas era mais cadenciado. Existia uma ligação maior com a terra e os animais, o que fazia as pessoas não terem o ritmo alucinado das cidades como hoje.

Ter de lidar com animais e situações ligadas ao campo é mais difícil para você do que fazer um personagem estritamente da cidade?
Pessoalmente sempre gostei de animais e de fazendas. Prefiro muito mais mato e montanha do que o mar. Apesar de fazer mergulho. É claro que fazer personagens que vivem na cidade é mais fácil, o que torna o trabalho às vezes menos prazeroso. A dificuldade faz você se superar e é o que está acontecendo nesta novela comigo. É uma pergunta difícil de responder. Muitas vezes a gente termina a novela sem saber se o tom é aquele que a gente criou. Mas sou do tipo de ator que sigo e confio muito na direção. Se não confiar, meu trabalho dança. Preciso da direção como referência. E o que o Mauro Mendonça Filho está falando para mim é que o personagem está bacana. Acho que estou mais maduro e o teatro me ajudou em várias coisas.

Em que, por exemplo?
Aprendi a chegar nas gravações sem referência nenhuma. Principalmente quando vou realizar cenas mais elaboradas. Chego só com o texto decorado. Não fico pensando: "vou fazer isto ou aquilo". Chego sempre aberto a toques e leituras externas. É um trabalho de equipe. O tom do outro ator interfere no seu tom. Às vezes você acha que o outro ator vai fazer de um jeito, mas ele muda e aquilo conduz você para outro lugar. Isto acontece muito em cenas de emoção. Você está fazendo uma cena, de repente, no gravando, o outro ator começa a chorar ou se emociona mais e você acaba se emocionando com o personagem. É quase viver o momento. E tenho que vir aberto para isso. O trabalho cresce com esta possibilidade de mudança. Se viesse com tudo pronto, poderia ficar fora do tom da cena. E tem a coisa externa. Um pássaro pode pousar na frente da gente e isso interfere no personagem. Esses dias mesmo estava gravando, vários urubus voaram perto do cavalo e ficou demais. A produção não pode prever isso.

O fato de já ter feito par romântico com a Malu em "Labirinto" não oferece o risco de cair na repetição na novela?
Não creio. Um trabalho não bate com o outro. "Labirinto" era em outro horário e outro público. Era outra época. Eu estava diferente e a Malu também. Era uma minissérie, agora é uma novela. Na verdade, gosto de contracenar com a Malu porque nos entendemos bem. A gente é amigo. Sempre trocamos informações sobre a cena. Discutimos e passamos os textos antes de gravar. Ela é muito preocupada com qualidade e eu também. Este perfeccionismo faz a gente ter uma afinidade no trabalho e a vontade de que dê certo. Nisto a gente realmente compactua. Ter trabalhado junto ajuda. Como com o Reginaldo Farias, que já tinha sido meu pai em "Vamp". Já existe uma cumplicidade com o outro ator e você não parte do zero. Isso facilita muito em trabalhos posteriores. Mas o grande barato é trabalhar com pessoas que mesmo já conhecidas, surpreendem você com novos dados. É isso que sempre busco. Mostrar que posso tirar cartas da manga na hora certa para interpretar tipos diferentes. Se acontecer, por exemplo, de me oferecerem um personagem músico, poderia mostrar os meus conhecimentos nesta área. Toco desde os nove anos e já tive uma banda de rock. Tenho formação clássica em piano. Isto pode me diferenciar de outros atores no momento certo.

Gazeta de Cuiabá


Homem de negócios

    Depois de muitos domingos na liderança da audiência, Gugu Liberato agora investe em outras produções, inclusive fora do SBT. A carreira de apresentador ficou pequena para o líder do Domingo Legal. Sua produtora, a GPM (Gugu Produções e Merchandising), que já produz a Escolinha do Barulho, na Record, está investindo no formato das revistas de televisão. Gugu, pessoalmente, dirigiu parte do piloto de Teleshow, um programa tipo Video Show e Zapping, que deverá ir ao ar no SBT.
    “Convidei Clodovil para participar do projeto com Otávio Mesquita e Márcia Goldschmidt. Já apresentei para o Silvio (Santos), que se mostrou muito interessado. Acho que vai ser um sucesso porque o público, em geral, tem muita curiosidade sobre os bastidores da televisão”, diz Gugu que nessa entrevista ao Dia falou também sobre os planos que tem para a Rede TV!, antiga TV Manchete.
    Nenhum desses projetos, no entanto, abala a relação de Gugu Liberato com Silvio Santos, dono do SBT. ‘‘Ele sempre tem prioridade em qualquer projeto criado por mim. No caso da Escolinha do Barulho, por exemplo, só liberei a GPM para apresentá-lo à Record depois de confirmar com o Silvio que não existia interesse por parte do SBT’’, esclarece o apresentador, que nessa fase empreendora também radicalizou no visual, agora afinado com a tendência da moda masculina internacional.


Novos vôos

Você está atuando como produtor e diretor de programas. O que mais pretende realizar na TV?
Meu maior sonho é conseguir a concessão de uma emissora. Atualmente, estou na disputa de um canal em Curitiba e, se isso vingar, pretendo implantar um canal de notícias 24 horas.

Quais são os outros projetos de sua produtora, a GPM? Pensa em alguma coisa para TV a cabo ou cinema?
A Gugu Produções e Merchandising atua na área de comercialização e criação dos merchandisings exibidos em meus programas. Tenho outros projetos, tudo ainda em fase embrionária, que estamos desenvolvendo para a Rede TV!, antiga Manchete. Para TV a cabo, não temos nada em mente e cinema, nunca pensei em enveredar para esta área.

Como é sua parceria com a Record? Seu contrato com o SBT não o impede de assumir parcerias com outras emissoras?
Minha relação com o Silvio Santos é muito limpa, sem nenhuma linha truncada. Além disso, a Escolinha do Barulho, na Record, é um projeto tocado pela Câmera 5, a cooperativa Artistas Unidos e pelo Homero Sales, um grande amigo que já dirigiu o Domingo Legal. Esse mesmo grupo está desenvolvendo o Hotel do Barulho, outro humorístico para a Record. Tudo isso, eu falo com a maior tranqüilidade pois já é do conhecimento de Silvio Santos.

Como vai ser o Teleshow, que você está produzindo para o SBT?
Será uma revista eletrônica voltada para o entretenimento. Segue a linha de programas como Video Show e Zapping que, por sua vez, seguem modelos tradicionais na TV de todo o mundo. O objetivo do Teleshow é mostrar bastidores de shows, TV e, acima de tudo, reviver a história do SBT.

Clodovil será convidado especial do programa. De quem foi a idéia de contratá-lo?
Minha. Clodovil é uma personalidade amada pelo público. Além disso, Clodovil tem aquela coragem rara de fazer perguntas mais picantes. Trata-se de um profissional de qualidade inegável. Se alguma vez ele teve problemas de relacionamento em outras emissoras isso não abalou seu carisma e capacidade. Eu confio no resultado e o piloto gravado provou que estou certo. Mas ele ainda não foi contratado de fato. Tudo depende da aprovação do SBT.

Você dirigiu o piloto do Teleshow. Quer investir nesta carreira também?
Não digo investir. Aliás, projetos como este têm uma característica mais idealista de minha parte. Estive presente na gravação do piloto e tracei o caminho que acho ideal. Caso o programa seja aprovado, deixarei a cargo de profissionais da emissora. Meu prazer está em criar e implantar novas idéias.


Versão fashion

Visual
‘Mudei porque senti vontade. Sabe quando a gente percebe que está na hora de se cuidar mais, de sentir-se bem consigo mesmo? Foi o meu caso. Não foi nada planejado. Foi acontecendo e gostei do resultado”.

Estilo
‘Não me preocupo com grifes e sim com o fato de usar uma roupa que faça o meu estilo. Eu mesmo compro as minhas roupas, mas conto com a consultoria de Márcia Maia, um misto de amiga e figurinista, que trabalha comigo há mais de um ano e com quem me dou muito bem. Ela me conhece bem e sabe escolher roupas e acessórios. Meus ternos são confeccionados por Ricardo Almeida. E é o Jassa quem cuida do meu cabelo”.

Dieta
‘Emagreci 12 quilos fazendo regime e deixando de comer aquelas coisas boas que todo mundo gosta. Fiz e sempre faço dieta, mas sempre sob orientação médica. Faço um pouco de ginástica na minha casa, mas não sou a pessoa mais esportista do mundo. Malho porque é preciso”.

Paixão
‘Não estou nem namorando, nem apaixonado. Mas estou ótimo e isso é o que importa”.

A Gazeta de Cuiabá


Humor familiar

    A atriz Nicette Bruno jura de pés juntos que não é como a Judite Mota, de "Andando nas Nuvens". Na trama de Euclydes Marinho, ela interpreta a mãe possessiva do jornalista Chico Mota, papel de Marcos Palmeira. Para Judite, o filho ainda não cresceu, não sabe se defender e está sempre precisando de ajuda. Por isso mesmo, se mete na vida do rapaz sem o menor receio de parecer ridícula. Apesar de ser descendente de uma família do sul da Itália, Nicette não se considera uma "mamma" tão superprotetora quanto Judite. Mãe de Bárbara, Beth e Paulo, ela garante que nunca passou dos limites. "Sempre respeitei a privacidade deles. Nunca fui de interferir na vida dos meus filhos", diz, repetindo um discurso comum de se ouvir de uma mãe.
    Bem-humorada, Nicette Bruno já se diz acostumada a incorporar mães possessivas e sogras odiosas na tevê. A última delas não fugiu à regra. Em "O Amor Está no Ar", Nicette fez Úrsula, uma rica fazendeira que tinha como único objetivo infernizar a vida da nora Sofia, papel de Beth Lago. Mas, se o perfil das personagens é semelhante, o enfoque dado pelo autor é completamente diferente. Desta vez, Nicette tem a chance de matar saudade dos tipos engraçados que interpretou em novelas como "Bebê a Bordo" e "Perigosas Peruas", ambas de Carlos Lombardi. "O Euclydes também escreve muito bem. O ator não sente vontade de mudar uma vírgula sequer", elogia.
    Satisfeita com a repercussão do personagem, Nicette confessa que não esperava que Judite causasse tanto alvoroço. Ela credita esse sucesso ao bom entrosamento com a atriz Júlia Lemmertz, que interpreta a desafortunada nora de Judite. Nas ruas, Nicette tem recebido inúmeras demonstrações de solidariedade de outras tantas mães, que elogiam a determinação daquela mulher de fazer as vontades do rebento. Por outro lado, ela também já foi alvo de protestos bem-humorados de filhos e noras indignados, que criticam os exageros cometidos pela personagem. "Hoje em dia, já não preciso dar tantas explicações. As pessoas já separam direitinho atriz da personagem", esclarece.
    P - O fato de você ser descendente de italianos torna mais fácil a composição de uma autêntica mamma superprotetora como a Judite?
    R - No fundo, toda mãe é superprotetora. Não tem jeito. E eu também não sou diferente. Agora, o que não dá é você ultrapassar certos limites e invadir a privacidade dos filhos. Às vezes, quando o temperamento de uma pessoa é muito forte, não adianta nenhuma lição porque a pessoa extrapola mesmo. No meu caso, a minha maneira de amar sempre foi de doação e não de cobrança. Já a Judite quer que os filhos estejam com ela o tempo todo. É claro que eu também quero. Mas nunca fui de cobrar o que quer que fosse. Nem de pai, nem de marido e muito menos de filho...
    P - Você se lembra de já ter extrapolado os limites e invadido a privacidade dos seus filhos?
    R - Sinceramente, não lembro. É mais fácil os outros analisarem a atitude da gente do que nós mesmos. Nunca fui de me intrometer na vida dos filhos. Pelo contrário. Sempre tive uma relação de troca muito grande com meus filhos. Até eles saírem de casa, sempre tive a preocupação de transmitir bons valores. Nunca fui muito de falar. Sempre achei que a ação falasse mais alto que a palavra. No entanto, todos nós erramos. Não sou melhor que ninguém. Quando alguém mostra algo que fiz de errado, reconheço meus erros para tentar melhorar.
    P - Você acha que o público de casa tem se identificado com o jeitão possessivo da Judite?
    R - Toda mãe se identifica com a Judite no que diz respeito ao amor pelos filhos. Afinal, tudo o que ela faz é por amor ao Chico. Só que o amor da Judite é possessivo. Ela não percebe que, agindo dessa maneira, acaba prejudicando a vida dele. A superproteção da Judite não passa de uma carência enorme. Tudo o que ela faz é muito instintivo. O personagem é autêntico e verdadeiro. O que não deixa de ser uma qualidade. Ela só não precisava chegar a tanto. Nem precisava ser tão declaradamente egoísta a ponto de querer os filhos debaixo das asas.
    P - Você teve alguma preocupação na hora de compor o papel?
    R - Não. Nunca tenho esse tipo de preocupação quando faço novela. Só me preocupo com composição de personagem quando trabalho na adaptação de uma obra fechada. Em novela, a melhor coisa que o ator tem a fazer é ficar neutro. Afinal, você não sabe o que vem pela frente. É por isso mesmo que novela é chamada de obra aberta. Claro que sempre traço as características mais marcantes do personagem a partir da sinopse que o autor faz da novela. Nesta profissão, temos de trabalhar em equipe. Como não tenho uma convivência maior com o autor, estabeleço esse diálogo através do meu trabalho. Às vezes, você propõe uma coisa e, se ele gostar, aproveita. Se não, manda recado e assim por diante.
    P - Você não teve receio de fazer da Judite um personagem antipático aos olhos do público?
    R - Não, porque a antipatia nunca foi uma das características marcantes da personagem. Se estivesse escrito na sinopse que Judite era uma pessoa chata ou mal-humorada, eu teria de fazê-la assim. Mas não foi o caso. A Judite não passa de uma sogra. Mas, afinal, o que é uma sogra? Não sei. O Dênis apenas pediu que eu interpretasse o papel e ponto final. Foi o que eu fiz. Deixei o barco correr. No meio do caminho, inventei a tal cuspidinha para o lado e a coisa emplacou. Pode ser que, até o final da novela, invente outras. Mas não quero pecar pelo excesso.
    P - Apesar de ser um tema árido, a relação entre sogra e nora está sendo tratada de uma maneira leve e divertida. Como você avalia isso?
    R - Acho ótimo. Principalmente, porque todo mundo fala de sogra como se fosse a quintessência do mal. Mas não é verdade. A má sogra é a má esposa, a má amiga e a má irmã. Ninguém é mau apenas num determinado momento da vida. Existe um grande folclore em torno disso. Só porque pais e sogros querem o melhor para os filhos. Isso é natural. Eles nunca acham que o escolhido é o ideal para os filhos. Nenhuma mãe quer que os filhos sofram, se aborreçam ou passem necessidade. Elas acham que a felicidade dos filhos é tão importante quanto a própria felicidade.
    P - Você acha, então, que é possível se chegar ao convívio perfeito entre sogra e nora?
    R - Os meus três filhos já se casaram e se separaram, mas continuo amiga das minhas noras e genros. Evidentemente, não temos muita convivência, mas isso é decorrência do trabalho. Eles têm a vida atribulada e eu também. Mal tenho tempo de ficar com o Paulo durante a semana. A minha vida é uma correria só. Por isso, costumo dizer que não sou cricri, porque não tenho sequer tempo para isso. Quando estamos juntos, a qualidade e a intensidade da relação compensa qualquer distância. A minha família sabe que a gente se vê pouco por força das circunstâncias. O importante é que estão todos com os valores bem-definidos e aproveitando essa distância para curtir a vontade de estar juntos novamente.
    P - Que avaliação você faz da estréia de Euclydes Marinho como autor de novelas?
    R - Estou impressionada com ele. O Euclydes tem um texto muito bom. Os diálogos são enxutos, objetivos e muito divertidos. O Euclydes escreve um tipo de texto que, quando o ator lê, não sente a menor vontade de mudar qualquer expressão ou de improvisar falas. Considero isso uma grande vantagem. Ele também tem um "timing' muito bom para o humor. As cenas da novela têm o tempo certo. Não são nem muito longas nem muito curtas. O texto dele é simples e sem rebuscamento. Os personagens soam verdadeiros aos olhos do público. Estou feliz com o encaminhamento que ele está dando para a novela. Não somente para o meu núcleo, mas para toda a trama.
    P - Como tem sido a reação das pessoas nas ruas?
    R - Tenho recebido muitos elogios por onde eu passo. Logo no início, brinquei com o Dênis dizendo que isso não ia dar certo. É engraçado porque tem muita gente que me telefona para elogiar o papel. Nas ruas, é a mesma coisa. Quem se identifica com a Judite, pede para eu continuar desempenhando o meu papel de mãe. Algumas pessoas falam: "É isso mesmo, Judite!' ou "Você está corretíssima!'. Já tem outras que não aprovam a postura da personagem e a criticam, dizendo: "Mas que mãe, hein?!' Aí, tento defender a personagem. Respondo que ela só faz isso por amor e assim por diante. Hoje em dia, já não preciso dar tantas explicações. As pessoas aprenderam a diferenciar ator de personagem.
    P - Você esperava que a Judite fizesse tanto sucesso?
    R - Não. Mas também nunca espero nada dos meus personagens. A minha profissão é repleta de surpresas e incógnitas. Nunca sei o que vai acontecer. Desde o começo, já sabia que o papel era pequeno e, por isso mesmo, teria de dar o máximo de mim. No entanto, estabeleci um ótimo entrosamento com o Dênis Carvalho e a Julinha Lemmertz. Nos divertimos muito com as brigas da Judite e da Lúcia Helena. Mas sabe que, no fundo, as duas se amam? Porque elas brigam e reclamam uma da outra, mas a Judite sabe que a nora só faz o que faz por amor ao filho. É por isso que digo que o sucesso só acontece quando ocorre uma coincidência de diversos fatores. Quando todas essas coisas estão bem sintonizadas, a coisa deslancha...


Jornada dupla

    No ano passado, Nicette completou meio século de carreira. Bem-humorada, ela diz que já interpretou tantos papéis na vida, que perdeu as contas. Na tevê, começou em 1967, quando trabalhou na novela "Os Fantoches", de Ivani Ribeiro. A novela marcou o início da parceria artística com o marido Paulo Goulart. Com 44 anos de casados, os dois já trabalharam juntos em novelas como "A Muralha" e "Signo da Esperança", ambas da Tupi. A novela "Papai Coração", também da Tupi, enfatizou a união da família Goulart. A lado de Paulo e Nicette, estavam os três filhos, a sogra e o genro. "Nunca houve competição ou vaidade entre nós. Procuramos nos entender mutuamente", esclarece.
    De fato, o casal Paulo Goulart e Nicette Bruno é do tipo que manda flores um para o outro e não dispensa um jantar à luz de velas. Nem mesmo a separação provocada pelo trabalho interfere na vida do casal. Pelo contrário. Nicette admite, por exemplo, que já houve ocasiões em que esteve dedicada exclusivamente aos filhos. Outras vezes, porém, reconhece que a carreira falou mais alto e teve de recorrer à família para que os pimpolhos não ficassem sozinhos. Hoje, com três filhos e sete netos, ela gosta de aproveitar toda e qualquer oportunidade para reunir o clã num animado jantar em família. "Nessas horas, procuro compensar a distância com uns paparicos a mais", confessa.
    Dividida entre as obrigações de atriz e mãe, Nicette permaneceu na Tupi até a derrocada da emissora, em 1980. Protagonista da novela "Como Salvar meu Casamento", ela lamenta que a novela tenha saído do ar sem apresentar o final da história. Dois anos depois, Nicette retomou a carreira em "Sétimo Sentido", da Globo. Na emissora, interpretou tipos memoráveis como a extrovertida Dona Neiva, de "Rainha da Sucata", ou a espalhafatosa Dona Nina, de "A Próxima Vítima". Apesar de toda a experiência, ela só teve a oportunidade de interpretar uma vilã, em "O Amor Está no Ar". "A Úrsula me ensinou tudo o que eu não devo fazer com meus filhos", ironiza.
    Assunto de família - Na ficção, Judite Mota é capaz de qualquer coisa para bajular o filho. Num dia, levou as rosquinhas favoritas do rebento na redação do "Correio Carioca". Noutro, foi capaz de tomar satisfações com o diretor do jornal, que despediu Chico Mota. Na realidade, porém, Nicette Bruno não faz o tipo superprotetora. É o que garante o filho Paulo Goulart Filho. Aos 38 anos, o caçula da família Goulart tem dado boas gargalhadas com interpretação histriônica da mãe. Longe dos estúdios de tevê, ele assegura que Nicette nunca chegou a tanto. "Minha mãe sempre foi uma ótima sogra para as minhas ex-mulheres. Elas nunca tiveram do que reclamar", afirma.
    Beth Goulart é da mesma opinião que o irmão. Ela acrescenta que a família é tão unida, que não perde o hábito de contracenar no teatro. No ano passado, Nicette, Beth e Paulo encenaram o espetáculo infantil "A Menina e o Vento". Este ano, Nicette e Beth voltaram a se encontrar em "Somos Irmãs". Há três meses, Beth substituiu Cláudia Lira no musical que tem Nicette Bruno como Dircinha Batista. Aos 42 anos, Beth considera a mãe uma das maiores incentivadoras do seu trabalho. Ela estreou no teatro ao lado da mãe em "Os Efeitos do Raio Gama nas Margaridas do Campo", de 1974. "No dia da estréia, ela estava mais nervosa do que eu", recorda.
    As preocupações de Nicette Bruno, porém, não se limitam ao âmbito profissional. A atriz Bárbara Bruno, de 46 anos, solta uma risada ao lembrar da vez em que participou de um Curso de Primeiros Socorros, promovido pelo Hospital das Clínicas, em São Paulo. Exausta depois de uma aula sobre queimaduras, Bárbara chegou em casa, foi direto para o quarto e nem avisou nada para ninguém. Quando acordou, encontrou a família em polvorosa. Assustada com o sumiço da filha, sua mãe tinha ligado para Deus e o mundo. "Ela me procurou em todos os lugares. Só esqueceu de dar uma espiada no meu quarto para ver se eu não estava dormindo", diverte-se.

Gazeta de Cuiabá


Atriz para toda obra

    Há pouco tempo, Danielle Winits era mais um rosto da nova safra de atrizes da Globo. Costumava ser escalada para personagens à loira burra, com o figurino mais econômico possível. No currículo, há fracassos, como o game Ponto a Ponto, que apresentou com Márcio Garcia e Ana Furtado em 1996. De uma hora para outra (segundo ela, após a novela Corpo Dourado) virou carta sempre na manga da emissora. Pode ser vista tanto no seriado Mulher, quanto num Você Decide ou no juvenil Sandy & Jr. Sem contar o Zorra Total, em que dividia a cena com mais duas beldades: Paula Burlamarqui e Cláudia Lyra. O quadro, em que as três fazem personagens cheias de curvas e com cabeças vazias, está suspenso. Mas Danielle se prepara para outra esquete do humorístico, enquanto curte o sucesso no cinema: é uma das estrelas de Até Que a Vida nos Separe, de José Zaragosa.
    Aos 25 anos e 7 de profissão, Danielle mostrou versatilidade ao fazer a divertida Alicinha, par de Gerson Brenner em Corpo Dourado (1998). O casal foi o destaque da novela, quando, pouco antes do final, Brenner foi baleado num assalto. Até hoje, Danielle não se conforma com o acidente do colega.
    Ao Estado, diz que está no melhor momento da carreira. "Quando você se enquadra no clichê da beleza, tem de matar um leão por dia", diz. "Num país onde só se fala em Tiazinha e bumbum é cultuado, é gratificante estar do outro lado."

Você tem atuado em programas bem diversos. O que acha de ser curinga da Globo?
Danielle Winits - Quando fiz uma vedete em Chiquinha Gonzaga, as pessoas se surpreenderam com meu trabalho. Esses outros papéis foram convites de pessoas com quem gosto de trabalhar.

Seu quadro no Zorra Total parou de ser produzido. Você gostava dele?

Danielle - As gravações de vários quadros estão suspensas. Gostava de fazer, mas faltavam bons textos. Não por falta de autores, mas de preparo para certo tipo de trabalho. Via o quadro como uma sitcom, algo como Friends, que consegue ser engraçado sem cair no vulgar. Nossa dificuldade era dosar atrizes bonitas, que sabem fazer comédia, sem cair no apelo do corpo.

Parecia que só estavam ali para mostrar o corpo.
Danielle - As pessoas só viam que estávamos com pouca roupa porque o texto deixava a desejar. Com roteiro adequado, o quadro renderia até um programa. As crianças adoravam as personagens, loucas e peruinhas, porque pareciam bonecas. Eu as via como barbies. Os textos de Miguel Paiva e de Marcelo Saback eram ótimos, mas eles não podiam escrever só para nós. Quando não eram deles, os roteiros descambavam para outro lado. Foi bom a direção dar um tempo.

Ter feito a vedete na peça Cabaré Brasil ajudou na escalação para Chiquinha?
Danielle - Não sei. Jayme Monjardim não viu a peça, um dos trabalhos que mais amei fazer. Vinha de uma experiência forte com a Alicinha, de Corpo Dourado. Monjardim me deu muito apoio porque estava muito abalada com a tragédia de Gerson Brenner.

Até Chiquinha, você era escalada para papéis que exploravam seu corpo. Por que a mudança?
Danielle - Quando você se enquadra no clichê da beleza, tem de matar um leão por dia. Num país onde só se fala em Tiazinha, onde bumbum é cultuado, é gratificante estar do outro lado. Até certa época, o que eu podia oferecer à emissora era mesmo o papel da garotinha com corpo legal. Mas estou certa de que a virada foi com Alicinha. Ela me ensinou a gostar de fazer comédia.

Até então, comédia não estava nos seus planos?
Danielle - Sempre quis fazer, mas nunca imaginei que teria oportunidade. Geralmente, na novela, o comediante é aquele com cara esquisita, mal-arrumado ou com estilo paz-e-amor. Enfim, não se cuida nem vai à academia. Tive a oportunidade de fazer uma figura sensual e cômica. Devo o papel ao diretor Paulo Ubiratan. Ele me viu na peça e deu o toque a Antônio Calmon (autor de Corpo Dourado).

Então, a beleza pode atrapalhar?
Danielle - Você tem de saber levar até onde ela não atrapalha. É com trabalho, nada mais, que se supera isso. Se hoje faço todos os tipos de programas é porque as pessoas perceberam minha versatilidade. Fui chamada para o Sandy & Jr. porque detectaram que tenho apelo junto às crianças.

É mesmo? E não vai ganhar um programa infantil?
Danielle - Não (risos). Apresentei Ponto a Ponto, para adolescentes, mas acho que minha onda é fazer as crianças rirem. Pelo que recebo de carta, percebo que 60% dos meus fãs são crianças. Pedem foto, perguntam qual a cor do meu batom, essas coisas. Aonde chego, elas me seguem.

Como é a Danielle empresária?
Danielle - Montei uma grife em sociedade com minha mãe, Nadja. Ela sempre trabalhou com moda, teve até fábrica e, na época do Collor, faliu. Estava parada, com vontade de recomeçar. Então, foi uma forma de retribuir tudo o que ela me deu. Ela foi mãe e pai para mim, porque meu pai morreu quando eu tinha 7 anos. Temos uma pronta entrega em Ipanema (zona sul do Rio), ela desenha as roupas e sou a garota-propaganda da grife. Já estamos fabricando até sapato e vendendo para o Brasil todo. Temos planos de partir para moda masculina e abrir uma loja. É bom ter um trabalho à parte porque, neste país, a gente nunca sabe o que pode ocorrer.

Chegou a hora se ser uma protagonista de novelas? Ou isso não é importante?
Danielle - Não é. O importante é chegar às pessoas, seja no papel de mocinha, vilã ou empregada. Até porque, hoje, os personagens estão mais diluídos numa novela.

Mas é regra medir um ator por ele ser ou não protagonista. É como se fosse um reconhecimento.
Danielle - Pelo tempo de carreira, não poderia ter mais reconhecimento do que tenho hoje.

Você está casada ou solteira?
Danielle - Sempre digo que estou feliz e fica ao gosto do público interpretar o que isso significa. Minha separação do André (Segatti) foi dolorosa e a mídia ficou em cima. Por isso, prefiro dizer que estou bem a me expor. Nos últimos tempos, eu me senti muito policiada. Já tive minha cota de berlinda.

Como é estar na berlinda?
Danielle - Não é agradável. Ficam conjecturando sobre sua vida, fabricando boatos. Não gostaria de que minha história vendesse notícia, ainda mais hoje, quando a bruxa está solta, com tanta gente se separando. Já dividi muito minha vida com o público e fiquei aborrecida. No momento, o trabalho é a minha prioridade.

OESP


Barros de Alencar quer voltar à TV

    Barros está afastado da TV há dois anos. Sua última experiência, na CNT/Gazeta, durou apenas três meses.
    Sua atuação mais constante tem sido no rádio, onde participa, duas vezes por semana, dos debates do "Show do Paulo Lopes", nas manhãs da Globo.
    Mas o veículo que o consagrou como o melhor DJ latino de 1976, segundo a revista norte-americana Billboard, pela atuação na Tupi AM, não o atrai mais.
    "O rádio sofreu grandes transformações. Hoje, para alguns diretores de emissoras, o nome não importa, e sim o dinheiro", alfineta.
    E o nome dele, sobretudo na década de 70, não só era importante, como ficou associado às maiores audiências do dial paulistano -mas essa é uma outra história.
    O desejo de Barros é apresentar um talk-show (programa de entrevistas e entretenimento). Com duas horas de duração, a atração seria exibida à noite, uma vez por semana, entre segunda e sexta-feira. "Vou fugir do sábado, que sempre me marcou na televisão."
    Intitulado "Programa Barros de Alencar" -nome, que, aliás, batizou a maioria das atrações que ele comandou ao longo dos quase 40 anos de carreira-, o talk-show já tem formato definido.
"Será uma cópia do que faz Jô Soares, que é cópia do que faz David Letterman. Só que será mais popular."
    O comentário irônico se justifica, segundo ele, porque "tudo o que se vê na TV brasileira, hoje, é imitação da TV norte-americana".
Letterman apresenta o "Late Show", um dos programas de maior audiência nos EUA. No Brasil, é exibido no Superstation (canal pago).
    O projeto do talk-show já foi apresentado a três emissoras de TV, cujos nomes Barros prefere não revelar.
    "Vou voltar à televisão, com certeza, mesmo que tenha de tirar dinheiro do bolso para isso. E o pior é que eu vou ter de tirar", afirma.
    Aos 60 anos, Alencar diz não ter problemas financeiros. "Não preciso de dinheiro. Acredito que possa dar uma boa contribuição à televisão brasileira", diz. "Meu sonho é morrer no palco, como Chacrinha", comenta.


Auge na televisão foi na década de 80

    O melhor período de Barros de Alencar na TV ocorreu entre 1980 e 87, quando pilotava um programa homônimo na Record, nas tardes de sábado.
    Entre 80 e 85, Alencar alcançava os mais altos índices de audiência -não foram poucas as vezes em que passou dos 20 pontos.
    Vale lembrar que a Globo tinha Chacrinha, a Bandeirantes, Bolinha e a TVS (atual SBT), Raul Gil.
"Era um sábado concorrido, e eu batia todos eles."
    No programa, tinham vez artistas como Nahim, Gilliard e Trio Los Angeles, além de revelações da época: Ultraje a Rigor, RPM e Metrô.
    O público podia até entrar no palco. Calouros participavam de concursos e imitavam astros da época, de Michael Jackson aos Menudos.
    "Era um programa feito na raça. A equipe de produção era reduzida e eu cheguei a comprar equipamentos, como câmeras e instrumentos de iluminação, para incrementá-lo", conta.
    Para ele, a atração era sucesso porque respeitava a vontade popular. "Sou contra o jabá", diz ele, referindo-se à suposta cota que as gravadoras enviam às rádios e TVs, para tocarem músicas de seus artistas.
    "Os cantores devem ter saudades de mim, pois nunca tiveram que pagar nada", ironiza.

Agora SP


Marcelo Rezende, de frente para o crime

    Com quase 30 anos de carreira, o jornalista Marcelo Rezende está reaprendendo a se postar diante das câmaras. Até agora, ele sempre havia trabalhado como repórter, fazendo matérias na rua com apenas com uma câmara. Atualmente, como apresentador do Linha Direta, ele lida com pelo menos três câmaras, além de contracenar com cenários interativos. "Antes era mais simples", compara. A mudança é mais radical do que parece.
    Ao assumir o programa, Marcelo deixou de responder à Central Globo de Jornalismo e passou a prestar contas à Central Globo de Produções, responsável também pelas novelas da emissora. Não é coincidência. O jornalista agora, quando apresenta uma matéria, tem de se preocupar em fazer um espetáculo. "Tenho de falar de uma maneira que atraia o público", admite. Para ajudá-lo nesse espetáculo, Marcelo conta com a direção de Flávio Colatrello - também diretor de Malhação. Flávio foi o incumbido pelo diretor de núcleo Roberto Talma para dar uma linha dramatúrgica ao programa. "Ele é o meu condutor. É quem diz como devo me posicionar", revela Marcelo, com ares de ator.
    A idéia de misturar jornalismo e dramaturgia surgiu em meados do ano passado, quando o Fantástico exibiu uma entrevista feita pelo jornalista com o Maníaco do Parque, o motoboy Francisco de Assis. Com direção de Roberto Talma, a matéria durou exatos 45 minutos e alcançou 43 pontos no Ibope. Linha Direta não chegou a tanto, mas, na estréia, teve média de 28 pontos, contra 20 do SBT com Ô Coitado!. Mais que os 24 do Zorra Total, que ocupava o horário antes.
    Como pertence à Central Globo de Produção, o Linha Direta é gravado nos estúdios do Projac, na zona oeste do Rio de Janeiro, onde também são reproduzidos os cenários das casos explorados pelo programa. Agora, enquanto descreve os casos, ele circula pelo local do crime, mexe nos elementos de cena e se desdobra nos diversos closes. "Não trabalho mais com aquele ritmo jornalístico cadenciado. Agora tenho mais liberdade", vibra.
    - Você havia dito inicialmente que, apesar de ter sido inspirado na entrevista com o Maníaco do Parque, Francisco de Assis, o Linha Direta não seria sensacionalista. Mas a própria trilha sonora usada no programa não desmente essa intenção?
    - A música faz parte. Ajuda a contar as histórias. As pessoas reclamam tanto de que os programas na tevê são sempre iguais que, na hora em que surge um programa diferente, também não aceitam...
    - Em que o Linha Direta se diferencia dos demais programas policiais?
    - O Linha Direta não é um programa policial. Ele fala de questões sociais. Nós sempre vimos programas de histórias policiais, mas agora o enfoque é outro, porque fala de tudo. De falcatruas políticas a remédios falsificados. Os crimes exibidos não serão só de mortes. Falaremos também de questões sociais, econômicas e políticas, como, por exemplo, os crimes de colarinho branco. A nossa busca é o senso de justiça.
    - Com o atual índice de violência no país, um programa com essa temática não aterroriza ainda mais a população?
    - Não acho que as matérias possam assustar alguém. Pelo contrário. Acredito que as pessoas possam raciocinar em cima do fato. A idéia é fazer um programa para a família em geral. O "Linha Direta' analisa o crime e tenta aproximar o público dos fatos.
    - Para contar as histórias, o programa mistura dramaturgia e jornalismo. Essa fórmula não diminui a credibilidade das reportagens?
    - Não faço ficção. Até porque, se eu fosse ficcionista, estaria rico. Sou um jornalista. O que fazemos é narrar histórias reais utilizando uma linha dramatúrgica. O importante é que a base do que estamos fazendo sejam histórias reais. Estamos sempre baseados nos inquéritos policiais, nas denúncias dos Ministérios Públicos e nos processos que estão na Justiça. Elas são reconstituídas e é nesse momento que entra o olhar do diretor Flávio Colatrello. Eu entro com a visão do jornalista investigativo, que, acredito, ninguém duvida que eu tenha. E ele passa a impor um ritmo para as matérias.
    - No caso da entrevista com o Maníaco do Parque, que também misturava dramaturgia e jornalismo, por exemplo, a repercussão acabou sendo negativa...
    - É. Confesso que errei na edição daquela entrevista. Achávamos que tínhamos a entrevista que todo jornalista no Brasil gostaria de ter. Pensamos em criar um programa a partir daquilo e resolvemos juntar psicólogos, psiquiatras, paranormais e até um astrólogo. A verdade é que todo mundo lê astrologia mas, quando usamos isso no programa, as pessoas falaram mal. E eu errei. Errei naquela história dos 103. Estava andando no corredor do presídio quando Francisco me falou daquilo. O número ficou na minha cabeça e eu errei ao explorar o fato na edição. Se há algum culpado, sou eu. Talvez o público tenha sido muito mais compreensivo com a gente do que nós mesmos. Se repararmos bem, a audiência foi incrível.
    - Se você, como jornalista, não ficou satisfeito com o resultado do programa, por que decidiu trabalhar em um projeto inspirado no quadro? Foi por causa da audiência de 43 pontos no Fantástico?
    - Não podemos fazer tudo pela audiência. Isso é besteira. Faço meu trabalho há 30 anos e as pessoas se lembram de várias reportagens que fiz. Mas por causa do equívoco de um, não vou apagar o resto. Por que não poderia haver um casamento entre mim e o diretor Roberto Talma? Por que as linguagens não podem ter harmonia? A gente não pode desperdiçar uma idéia por causa de um erro. Atualmente, o lema do meu programa é Erre, mas ouse. É melhor errar na ousadia do que errar no cartesianismo. E o Linha Direta é uma ousadia. A entrada de Flávio Colatrello foi um ganho. Trouxe a linha dramatúrgica, só que no plano do real. No caso do maníaco não. Nós fomos além do que podíamos. Agora temos o maníaco como exemplo do que não podemos fazer. Não há um paranormal para desvendar o crime. Nós temos o crime e nós jornalistas é que vamos desvendá-lo. Para isso, além da equipe de repórteres, vamos contar com a ajuda do disque-denúncia do programa.
    - Quais as maiores dificuldades que surgiram na hora de realizar o programa?
    - O primeiro desafio era me transformar em um contador de histórias. O segundo era juntar o real com a linguagem artística. E o terceiro, e o mais importante, era que a história fosse bem-contada, a ponto de atrair todo mundo. Sem que a história precise ser sensacionalista, bizarra ou pesada. Queríamos que fosse sensacional, mas no sentido pleno, legal. A idéia era de que o público percebesse os diferentes planos de câmara, quase como cinematográficos, além de poder participar do programa, ligando e fazendo denúncias. Para isso, resolvemos criar uma central de atendimento 24 horas por dia, um "site' na Internet e uma caixa postal. As pessoas vão poder falar comigo e se eu puder, vou responder.
    - Você já recebeu pedidos do público para que o programa retomasse algum caso esquecido?
    - Mesmo antes do Linha Direta existir, as pessoas na rua já me cobravam para investigar alguns fatos. O mais pedido era o da morte do tesoureiro Paulo César Farias. Tanto que, estreamos o programa com o caso. Nunca havia entrado no caso PC. Era uma barafunda tal que eu sempre fiquei observando de longe. Acontece muito das pessoas não se convencerem com alguns casos que vêem na tevê e pedem para que eu entre no caso. Pedem até para que eu resolva questões de terreno com a prefeitura. Tem gente que pergunta de casos que nunca ouvi falar. As pessoas querem mais tempo para ouvir a história. Com o Linha Direta, elas vão ter mais tempo para entender os casos, saber quem e como são os personagens.
    - A Record se prepara para estrear o Profissão Repórter, um programa no estilo do Linha Direta, comandado pelo jornalista Domingos Meirelles. Você acredita que há público para esse tipo de programa?
    - Ninguém queria fazer um programa assim. Comecei o meu em fevereiro e agora todo mundo quer. Agora falando sério, o Domingos, inclusive, é meu amigo. Mas acredito que o mundo está precisando disso. Acho que o Jornal Nacional, por exemplo, não tem tempo suficiente para explorar tais assuntos. Nós vamos trabalhar sobre casos que não foram solucionados.
    - Então o programa não vai investigar novos casos?
    - Se hoje tivesse reportagens como a de Diadema, do CD da China, a entrevista exclusiva do Maníaco e o caso das armas, pegaria todas e as entregaria ao jornalismo. Temos de respeitar os limites do jornalismo. Não existe nenhuma forma de competição com a CGJ - Central Globo de Jornalismo. A matéria deve ser feita para o Jornal Nacional. Se eles quiserem, vou lá e faço. Nós vamos contar histórias. Mas não esperem de nós novas histórias, esperem apenas grandes revelações.


Fachada profissional

    Por trás da aparência sisuda e compenetrada do apresentador do Linha Direta, se esconde um sujeito calmo e brincalhão. Quando não está trabalhando, Marcelo assume uma postura bem mais extrovertida. Com um repertório cheio de histórias envolvendo as reportagens investigativas que realizou ao longo da carreira, ele assume o papel de um contador de "causos" e relembra alguns dos episódios mais engraçados que viveu.
    Ele conta que, certa vez, foi convidado a dar uma palestra sobre drogas, mídia e família na Assembléia Geral da ONU. Chegando lá, ficou assustando com a quantidade de seguranças do Presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. "Sou caipira completo. Achei que fosse acontecer alguma coisa", lembra. Logo, notou um pipoqueiro posicionado em frente ao prédio da ONU. Intrigado com o fato de haver um pipoqueiro no meio de tantos carros presidenciais, deixou a mulher no prédio e foi checar de perto o que o sujeito fazia ali com o carrinho de pipoca. Ao se aproximar, descobriu que era um segurança de Clinton à paisana. "Eu, com essa cara de Jacu, fiquei até com medo", diverte-se.
    Outra vez, passou dois dias em negociações com um sujeito na tentativa de fazer contato com um capataz do tesoureiro Paulo César Farias. Depois de 48 horas, quando já estava convencido do sigilo do jornalista, o rapaz levantou e se apresentou: "O capataz sou eu". "Quase caí para trás", conta.


Linha de produção

    Desde que se mudou de mala e cuia para o Projac, o jornalista Marcelo Rezende tem suado o paletó para gravar os programas. Juntamente com uma equipe de quase 40 pessoas, entre técnicos, repórteres, produtores e assessores jurídicos, ele passa mais de dez horas por dia envolvido em pesquisas, reportagens e apresentações. "Um dia eles me açoitam e no outro me jogam no fel. Depois, me penduram no pelourinho", dramatiza Marcelo. Bem-humorado, ele conta que até mesmo na hora do almoço, também no Projac, a equipe continua falando dos casos explorados pelo programa. "Também não paro mais em casa", lamenta.
    Apesar do excesso de trabalho, Marcelo diz que está feliz com o programa. Ele enche de elogios a equipe - a maioria, jovens - e diz que o programa não sairia do papel se não fosse pelo trabalho do grupo. "A soma dos pedacinhos tem de ser maior que o todo. Quando um tenta ser maior que o outro, o todo quebra", divaga. A empolgação com o programa é tanta que, no começo, ele queria convidar vários jornalistas para trabalhar com ele. Marcelo conta que, quando participava do último Seminário Internacional de Telejornalismo, realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, ficou tão impressionado com as perguntas de três estudantes de jornalismo que quase os convidou para trabalhar no Linha Direta. "O Flávio iria me matar!", diverte-se.
    Para motivar a equipe, Marcelo costuma instituir lemas na redação do programa. O último deles, pinçado da obra do poeta português Fernando Pessoa, diz "O absurdo é o Divino". Mesmo que não realize o impossível, a equipe tem trabalhado para reconstituir os crimes nos mínimos detalhes. A intenção do diretor Roberto Talma, criador do programa, é dar o máximo de credibilidade às reconstituições.
    Entre outras tarefas, a equipe de produção resgata processos na Justiça que são repassados para os redatores. Os roteiristas do programa, então, trabalham em cima dos depoimentos das testemunhas para poder montar o roteiro das cenas. Se, por exemplo a vítima foi assassinada dentro de um carro. Eles fazem de tudo para descobrir o modelo, a cor e até a placa do carro para usar um igual na hora da gravação. "O inquérito é analisado exaustivamente pela equipe de dramaturgia", explica.

A Gazeta


Imitação da vida

    O diretor Herval Rossano é do tempo em que as novelas no Brasil não duravam mais que 15 minutos por capítulo. Quando estreou na tevê - como diretor de teleteatro na extinta TV Tupi - , os capítulos de novelas eram escritos e entregues ao elenco no mesmo dia. Quase 35 anos depois, Herval Rossano é incumbido pelo diretor- geral de criação da Globo, Daniel Filho, de assumir um projeto semelhante no horário vespertino da emissora. Com os mesmos 15 minutos por capítulo, Aconteceu vai recorrer às notícias dos jornais para narrar uma história completa por semana. Ainda em fase de gravação do piloto, o programa está previsto para estrear ainda este mês, logo depois de Malhação. Para o diretor, o maior mérito do programa é mostrar que a vida não se resume ao "mundo cão". "Quero mostrar, por exemplo, que existem pessoas boas que salvam a natureza e cuidam de menores carentes", acredita.
    No episódio de estréia, Herval Rossano começa exaltando o Corpo de Bombeiros. A idéia partiu do escritor José Louzeiro, autor de novelas como Corpo Santo e Guerra Sem Fim, da Manchete, que sugeriu que o tema principal fosse Suicídio. Escrito por Fausto Galvão, um dos roteiristas do Você Decide, o episódio começa quando um trabalhador descobre que foi demitido da empresa em que trabalhava há mais de 30 anos. Desesperado e sem saber o que fazer, ele não pensa em outra coisa a não ser em suicídio. O conflito existencial do protagonista, no entanto, não dura mais que cinco minutos. O restante da história se desenrola quando uma viatura do Corpo de Bombeiros chega ao local para desencorajar o sujeito a pular do edifício em que mora. Segundo Fausto, a maior dificuldade é não errar a mão na condução da trama. "Não podemos esquecer que a galera que assiste à Malhação é que vai estar na frente do aparelho", raciocina.
    Para o episódio de estréia, Fausto Galvão ouviu profissionais dos mais diferentes setores da sociedade, como médicos, padres e psicólogos. Além disso, o programa dispõe da assessoria da pesquisadora Adriana Tayah, que buscou os dados de uma recente pesquisa do IBGE sobre o perfil das pessoas que cometem suicídios. "Segundo essa pesquisa, 80% dos suicidas têm entre 25 e 35 anos", exemplifica Galvão. Para os próximos episódios, o diretor- geral Herval Rossano e o supervisor de textos José Louzeiro já cogitaram abordar trote nas universidades e doação de órgãos. "O programa não apresenta maiores novidades em dramaturgia. O que pode gerar interesse é o assunto enfocado", acredita Louzeiro.
    O diretor Herval Rossano admite que Aconteceu foi criado nos moldes do extinto Caso Verdade, exibido há quase uma década na Globo. Na época, a emissora recebia cartas do país inteiro e um grupo de roteiristas selecionava as histórias que mais tinham chances de ser roteirizadas. Já Aconteceu não pretende contar a história de ninguém em particular. "A proposta é discutir assuntos de interesse nacional", frisa Herval. Ex-diretor de Núcleo da Globo, ele já foi responsável por programas como Vídeo Show e Você Decide. Com 26 anos de carreira na Globo, Herval Rossano reconhece que a emissora não tem se preocupado muito em investir numa programação de conteúdo educativo. Pelo contrário. O próprio Aconteceu corre o risco de repetir o mesmo erro da concorrência ao lançar mão da desgraça alheia na tentativa de angariar pontos no Ibope. "Estamos preocupados em colocar no ar uma atração com o maior senso de responsabilidade possível", jura.
    Para Herval Rossano, a falta de ética que assola a tevê aberta no país é decorrência dos 20 anos de ditadura militar. Segundo ele, a repressão preconizada pelos órgãos da censura levaram autores, diretores e produtores a perderem a noção do limite. O próprio Herval admite que exagerou na dose ao dirigir as cenas de nudez de Maitê Proença em Dona Beija, novela exibida pela Manchete em 1986. Hoje, ele garante que não cometeria os mesmos erros. "Temos de encontrar o equilíbrio para a liberdade de expressão não violar os direitos do telespectador", garante.

A Gazeta


Uma paixão de infância

    Aos sete anos, a comediante Berta Loran foi levada pelo pai pela primeira vez a um teatro. Isso foi em Varsóvia, na Polônia - terra natal da atriz. Ao fim do espetáculo, a menina, de origem judaica, decidiu que iria seguir a carreira artística. Mas, para desespero do pai, um barítono de ópera israelita, Berta optou pela comédia. Na primeira peça de que participou, aos 14 anos, interpretou uma velha avó, com direito a peruca branca e tudo. Para o pai, a atuação foi um golpe mortal. "Ele achava que comédia não era arte e dizia que eu não tinha talento", lembra Berta.
    Falante e sorridente, ela não muda de expressão nem mesmo quando relembra a infância pobre. A família, com 14 pessoas, dormia em um único cômodo. Na vinda para o Brasil, por exemplo, a família se espremeu em um porão de um navio, onde passou dias com fome e frio. Já instalada no país, a atriz tirou proveito da trajetória de vida para criar textos de teatro. É que além de atuar, ela também escreve espetáculos teatrais, quase sempre com a temática judaica. O primeiro deles foi Divirta-se Com Berta Loran, que ficou mais de dez anos em cartaz. "O judeu, por ser perseguido, é muito jocoso. Eles fazem piadas uns dos outros", explica a atriz.
    Nos primeiros anos no Brasil, ainda adolescente, Berta passava o tempo nas coxias do Teatro Israelita, no Rio, observando os bastidores. Ela conta que o período pós-guerra ficou marcado pela proliferação de musicais. "Era como o Lido de Paris", exagera. Em pouco tempo, recebeu um convite para participar de uma comédia musicada e não parou mais. Depois de dez anos fazendo teatro de revista, foi chamada para trabalhar em Portugal. "Lá eles dão valor ao talento", alfineta. A atriz, que antes morava em uma pensão, aproveitou o sucesso para fazer um pé-de-meia. "Consegui comprar três apartamentos", orgulha-se.
    De volta ao Brasil, já instalada em um dos apartamentos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, Berta emplacou vários espetáculos seguidos. Entre outros, participou de Boing Boing, ao lado de Eva Wilma, e Como Vencer na Vida Sem Fazer Força, juntamente com Marília Pêra, Moacyr Franco e Procópio Ferreira. Em 1963, foi chamada para fazer parte do cast da Globo. Na mesma época, participou de A Dama do Maxim's, com Tônia Carrero e Paulo Autran. Dessa vez, Berta interpretou um papel dramático. "Não gostei muito... Queria fazer o público rir", confessa a atriz.
    Com 30 anos de Rede Globo, Berta sempre participou de humorísticos, como Escolinha do Professor Raimundo. Atualmente ela vive a judia Sara, mas já interpretou durante anos a portuguesa Manoela D'Além-mar no programa comandado por Chico Anysio. Também marcou como a Frosina da novela Amor com Amor se Paga, em 1984. Nela, Berta fazia um duelo cômico com Ary Fontoura, que vivia o avarento Nonô. Ela só lamenta não poder mostrar todo o potencial cômico na tela. Juntamente com Yolanda Cardoso, Dirce Migliaccio, Carmem Verônica e Murilo Benício, Berta foi convidada para fazer parte da série As Tias de Mauro, inspirada na peça As Tias, escrita pelo autor Mauro Rasi. A peça narrava o cotidiano de Rasi, intermediado pelos comentários engraçados das tias - uma delas vivida por Berta - moradoras de Bauru, no interior de São Paulo. Apesar do sucesso, a peça ficou apenas seis meses em cartaz. "A maluca da Yolanda Cardoso brigou com o Murilo", lamenta. O projeto para a tevê também não foi longe. Com dois episódios já gravados, o então todo-poderoso Boni decidiu engavetar o programa. "Ele só podia estar de mau humor", resmunga.
    Berta prefere esquecer o episódio e falar de Sara. Ela a descreve como se fosse uma velha conhecida. Não é para menos. A personagem é uma mescla de várias amigas da comunidade judaica. Agora, enquanto vive uma judia na tevê, Berta interpreta uma sogra "moderninha" e adepta da macumba no espetáculo Até que as Sogras nos Separem, em cartaz no Rio de Janeiro. "O público gargalha do início ao final", gaba-se Berta.

A Gazeta


A fantasia infantil de Jaqueline Petkovic

    Nos tempos da escola, Jaqueline Petkovic costumava dar uma pausa nos estudos para assistir ao seu programa preferido: Show da Xuxa. Hoje, aos 18 anos - apenas alguns anos depois -, a jovem de olhos azuis, cabelos louros e lábios carnudos já comanda o próprio programa infantil: o Bom Dia & Cia, que registra audiência média de oito pontos, com picos de 12. Atualmente, o programa é o maior concorrente do Angel Mix, apresentado por Angélica, na Globo, que também alcança oito pontos de audiência.
    Apesar de ser uma mulher capaz de deixar muitos adultos de queixo caído, Jaqueline mantêm o jeito de criança sapeca. Ela fala do programa com o deslumbramento de uma garotinha que descreve um brinquedo que acabou de ganhar. "Eu também tenho esse lado infantil", justifica. Embora agora pareça à vontade no meio da criançada, foi no Fantasia, um programa nada infantil, que Jaqueline estreou como apresentadora.     Decidida a mostrar o rosto angelical na tevê, se inscreveu em uma seleção para auxiliar de palco do programa. Concorreu com 12 mil garotas da mesma faixa etária e acabou sendo escolhida para ser apresentadora. No programa de jogos, hoje comandado por Carla Perez, Jaqueline apresentava uma das brincadeiras interativas - na época, a apresentação do programa ficava a cargo da ex-sem-terra Débora Rodrigues. Poucos meses depois, era a escolhida para ser a nova apresentadora infantil da emissora. Dessa vez, concorreu com a colega Débora Rodrigues e com Adriane Galisteu, entre outras. "Queria muito passar no teste. Meu sonho era trabalhar com criança", confessa.
    Jaqueline foi chamada pessoalmente pelo presidente do SBT, Silvio Santos, para substituir Eliana, que trocava a emissora pelos estúdios da Record. "Nos primeiros dias, tremi na base", relembra a apresentadora. Bem-humorada, ela imita a mão trêmula e a voz embargada das primeiras gravações. Ela conta que foram necessários meses para se adaptar às câmaras e ao ritmo de trabalho. Jaqueline não precisou fazer muito esforço para conquistar a criançada. Bastou apenas extravasar o lado infantil e tratar as crianças como se fosse uma delas. Assim, a apresentadora costuma se sentar no chão, contar histórias e imitar bichos, entre outras façanhas. "Aprendi a entrar no universo da criança", justifica.
    Hoje, a rotina de Jaqueline é uma correria. Mas, apesar do excesso de trabalho, ela garante que se diverte diariamente com a apresentação do programa. O entusiasmo pelo trabalho é tanto, que ela já emplacou várias idéias no Bom Dia & Cia. Agora, ela quer se dedicar mais ao quadro educativo, no qual interpreta um personagem que explica algum período da História. Em um dos programas, por exemplo, encarnou um tipo dos anos 70. Como uma criança que rouba a roupa da mãe, Jaqueline descreve em detalhes o figurino que usou. Com uma peruca Black Power e uma calça boca-de-sino, ela discursou no programa sobre hábitos mais importantes da década. "Mexer com criança é de uma enorme responsabilidade e dar informação para ela é fundamental", acredita.
    Jaqueline abraça a causa e diz estar satisfeita com os desenhos educativos exibidos no programa. "Desenhos como Tom e Jerry e Pica-pau não inspiram violência", justifica. Mais melosos e inocentes que Tom e Jerry, os demais desenhos do programa, como Ursinhos Carinhosos, Bananas de Pijamas e Cãezinhos do Canil sempre trazem uma mensagem ao final. Entusiasmada, ela conta que o próximo passo vai ser a reestréia de desenhos bíblicos, uma vez a cada semana.
    Assim como as demais apresentadoras infantis, Jaqueline se prepara para faturar em cima de seu nome de forma bastante adulta. Já fechou contrato de exclusividade com a Estrela e a Grandene para lançar, a partir de junho, uma linha de jogos, bonecas e sandálias. Em setembro, chega às lojas o primeiro disco da apresentadora. Ainda em fase de escolha de repertório, Jaqueline bateu o pé na escolha de uma das músicas: Carimbador Maluco, de Raul Seixas. Ela conta que, assim como Xuxa, a música também faz parte de sua infância. "Eu ouvia e pirava. Ficava pulando no sofá igual uma doida", relembra, revelando mais uma vez surpreendentes trejeitos de menina.


Estilo acanhado

    A apresentadora Jaqueline Petkovic começou a trabalhar ainda pequena. No início da adolescência, estampou capas de revistas para jovens e fez diversos comerciais. "Só me chamavam para trabalhos que exaltassem a minha beleza", reclama. Sempre tímida e um tanto quanto conservadora, ela se recusava a fazer ensaios fotográficos de lingerie ou comerciais com cenas de beijo. Ela conta que, certa vez, foi convidada a fazer uma propaganda do chocolate Batom, da Garoto. Ao chegar ao estúdio descobriu que teria de dar um beijo na boca de um garoto, também contratado para fazer o comercial. Desesperada com a situação, Jaqueline saiu do set de gravação e foi até a sala onde os pais das crianças aguardavam os filhos gritando que não iria dar beijo na boca de ninguém. "Fiz um escândalo. Minha mãe morreu de vergonha", lembra.
    Hoje, Jaqueline se mostra bem mais desinibida. Falante e sempre sorridente, ela diz que conversa e brinca com as crianças que participam do programa para deixá-las à vontade. O que mais impressiona a apresentadora são as diferentes reações do público ao vê-la de perto. Segundo ela, na maior parte das vezes, a curiosidade gira em torno de seu cabelo louríssimo. Sempre que podem, as meninas dão um jeito de pegar nas madeixas da apresentadora. "Elas dizem que parece com algodão", exagera. Jaqueline lembra que, quando era pequena, também era fascinada pelo cabelo louro da Xuxa. "Eu ficava reparando no cabelo, nas roupas, no jeito dela", recorda.

A Gazeta


Giardini guarda semelhanças com seus personagens

    Em pouco mais de cinco anos de carreira na Globo, a atriz Eliane Giardini desenvolveu uma teoria bastante curiosa sobre escalação de elenco. Para ela, a direção da emissora escala os atores de acordo com o perfil dos personagens. Foi assim em 1993, quando o diretor Luiz Fernando Carvalho a convidou para interpretar uma mulher submissa e recatada em Renascer. Quase seis anos depois, a atriz foi convidada para assumir o papel de uma bem-humorada professora de dança que começa a namorar um homem bem mais novo para desespero da filha em Andando nas Nuvens. "Sempre que me chamam para um trabalho, morro de curiosidade para saber que imagem estão projetando de mim naquele momento", admite.
    De fato, as semelhanças entre atriz e personagem são muitas. A exemplo de Janete, Eliane também enfrentou problemas com as filhas, quando começou a namorar um homem mais jovem. Depois de 24 anos de casada, ela se separou do ator Paulo Betti em dezembro de 1997. Pouco tempo depois, a atriz de 46 anos já começava a namorar o ator Ernani Jr., de 29. As filhas Juliana, de 22 anos, e Mariana, de 18, torceram o nariz para a atitude da mãe. "No começo, elas ficaram desapontadas. Acho que elas preferiam que eu estivesse namorando o Chico Buarque", brinca.
    Na ampla cobertura em que mora no bairro do Itanhangá, na zona oeste do Rio, Eliane desfruta do que considera o melhor momento da carreira. O sofrimento e a submissão já fazem parte do passado. A exemplo da personagem de Benedito Ruy Barbosa, Eliane também se transformou numa mulher determinada e atraente. De lá para cá, ela já repetiu o sucesso em Explode Coração, de 95, e A Indomada, de 97. Mas nem sempre foi assim. No início, o único papel que Eliane Giardini sabia desempenhar era o de esposa dedicada e mãe de família. Hoje, ela já até se arrisca a enveredar pela inusitada carreira de roteirista de tevê. "Se soubesse que só alcançaria o sucesso aos 40, teria tido mais filhos. Sabe lá o que é chegar nesta idade conseguindo as primeiras capas de revista?", orgulha-se.
    - O que você achou de ser escalada para o papel de uma mulher que se apaixona por um homem mais novo?
    - A direção da novela já escala os personagens de acordo com o perfil que eles fazem dos atores. Eles sabem que não temos tempo suficiente para fazer laboratório ou coisa parecida. Se tem um personagem que é sovina, por exemplo, eles vão atrás de um ator que tem fama de sovina. Às vezes, o que você acha que pode ser um elogio não passa de um tapa na cara. No caso da Janete, é a primeira vez que faço o papel de uma mulher que namora um homem mais novo. Tem tudo a ver comigo. A única diferença é o fato de o Ernani Jr. não ser um malandrão como o Átila de Andando nas Nuvens...
    - Então, você não acredita em coincidência ou coisa parecida?
    - Não. A tevê investe na imagem que eles próprios fazem dos atores. Sempre que me chamam para um trabalho, fico curiosa em saber que imagem estou projetando naquele momento. Mas novela é assim mesmo. Não dá para ninguém fazer laboratório. Você vai aprimorando o papel à medida que os capítulos chegam em casa. Por isso, eles acham mais fácil ir atrás de imagens já prontas. Para não correr riscos desnecessários, escolhe-se a atriz mais próxima de determinado papel. Essa é a regra. Mas, em tevê, tudo pode acontecer...
    - Você também enfrentou algum tipo de dificuldade quando assumiu o namoro com um homem mais jovem?
    - Bastante. Havia acabado de me separar do Paulo quando conheci o Ernani na peça A Dama do Serrado. Éramos amigos, ríamos muito e, quando percebemos, já estávamos juntos. Nunca passou pela minha cabeça namorar alguém mais jovem. Morria de vergonha de andar com ele na rua. Se estava de mãos dadas com ele, largava ao entrar num shopping. Uma vez, uma fotógrafa virou para a mim e disse: "Eliane, abraça seu filho". Quase morri. Afinal, sou 17 anos mais velha, mas não pareço a mãe dele. Foi constrangedor. Parecia até que estava cometendo adultério...
    - O Paulo Betti estreou na tevê antes de você e obteve sucesso imediato. Isso chegou a atrapalhar a relação do casal?
    - Tínhamos uma vida muito estável, como atores de teatro em São Paulo, quando ele veio para o Rio e começou a fazer sucesso na tevê. Infelizmente, começamos a ter essa disparidade dentro de casa. Foi horrível. Era chato quando pediam autógrafos para ele na rua e me ignoravam. Depois de um certo tempo, passei a escamotear a situação. Dizia que preferia fazer teatro. Vivia me considerando vítima das circunstâncias. Até o dia em que deixei de me sentir vítima e passei a encarar a situação de frente. Investi na carreira de tevê e fiquei conhecida. Foi aí que o casamento dançou...
    - Você costumava dizer que, se não fizesse sucesso até os 40 anos, procuraria outra atividade. Você já descartou essa possibilidade?
    - Sim. Na verdade, isso era mais um desabafo que qualquer outra coisa. Houve momentos em que até pensei em ter outras atividades, como paisagismo e arquitetura, mas não queria admitir minha derrota. Vivia uma situação insatisfatória, porque minha carreira não deslanchava e já havia me conformado com o papel de mãe de família. A chance de retomar minha carreira fortaleceu a auto-estima como atriz. O processo de separação foi longo e doloroso, mas tenho a certeza de que tomamos a decisão certa.
    - Como você avalia os papéis que são oferecidos às atrizes com mais de 40 anos na tevê?
    - Acho que a situação melhorou muito. Eu chegava a pensar que não ia ter muita coisa boa para fazer em tevê depois de uma certa idade. Afinal, toda novela vive de romances e namoricos. O resto é periférico. Como normalmente o amor está condicionado ao manequim 40, achei que estava fadada a fazer o papel da mãe chorona a vida inteira. De uns tempos para cá, no entanto, houve uma maior reavaliação do que as mulheres podem fazer depois dos 40 anos, quando normalmente já cumpriram os afazeres de mãe e os filhos já cresceram. Dei uma baita sorte neste sentido. Felizmente, não tenho do que me queixar.
    - Você acha que o papel de uma mulher como a Janete, que conquistou a independência financeira aos 40 anos, pode servir de exemplo para o público que assiste à novela?
    - Espero que sim. Afinal, tudo o que passa na tevê tem essa responsabilidade. É por isso que fico contente quando meus personagens têm algo a dizer para o público. Quando o personagem age de modo correto, fico feliz. Quando age de modo incorreto, fico preocupada. No caso da Janete, ela é uma personagem muito moderna. Trabalha fora, sustenta sozinha a filha adolescente e leva o público feminino a se indagar sobre o papel do homem dentro de casa. Além disso, sou do tipo que se vê no supermercado, na fila do banco e, hoje em dia, é difícil encontrar alguém assim. Talvez por isso as mulheres se identifiquem tanto comigo. O que existe ainda muito são as mulheres rebolativas que se prestam ao papel de símbolo sexual. São poucas aquelas que têm coragem de expor idéias.
    - O que você mais gosta do trabalho como atriz de novela?
    - O que mais gosto em novelas é o fato de não saber o que vai acontecer com personagem daqui para frente. É bacana receber um bloco de capítulos a cada semana e ser surpreendida pelo autor. Aliás, estou adorando trabalhar com o Euclydes Marinho. O texto dele é suave, criativo e inteligente. Mesmo assim, meu papel ainda não teve a visibilidade que eu gostaria. Mas tudo bem. Este é o percurso natural das novelas. Já estou acostumada. Na época de Renascer, tirei leite de pedra, mas valeu a pena. Foi a grande chance da minha carreira.
    - Como surgiu a idéia de escrever roteiros para um seriado de tevê?
    - Há algum tempo, comecei a escrever uma história meio por acaso. Tomei gosto pela coisa e, pouco tempo depois, já não sabia o formato que aquilo podia ter. A história é exatamente sobre um personagem que gostaria de fazer. É a história das mulheres da minha geração, que foram preparadas para um casamento perfeito. Só que, aos 40 anos, a família já está criada e você não tem muito o que fazer. Acho que essa idade é uma segunda adolescência. No começo, pensei que fosse uma peça de teatro. Hoje, estou convencida de que é um seriado de tevê. Quando tenho uma idéia, sento ao computador e começo a escrever. Nesta brincadeira toda, já escrevi 12 episódios.
    - Você já pensou na possibilidade de levar esse projeto ao conhecimento do Daniel Filho?
    - Sem dúvida. Antes, não cogitava. Mas minhas filhas elogiaram tanto o projeto que comecei a ficar impressionada. Afinal, elas são muito rigorosas e fizeram críticas à beça. Pouco depois, mostrei os roteiros para a Denise Saraceni. Antes de diretora de tevê, ela é uma grande amiga e, como tal, não deixaria que eu pagasse mico na tevê. Ela leu o roteiro e disse: "Manda bala, minha amiga..." Na semana passada, tomei coragem e mostrei para o Daniel. As pessoas levaram essa idéia mais a sério do que eu. Para mim, não passava de uma grande brincadeira e nada mais. Modéstia à parte, já estou achando que escrevo melhor que muito diálogo que ouço na tevê. Acho que levo jeito para a coisa.


Aprendiz de dançarina

    A atriz Eliane Giardini estava terminando de excursionar pelo país com a peça A Dama do Serrado quando recebeu um convite do diretor-geral de criação da Globo, Daniel Filho. Era para interpretar a Janete, de Andando nas Nuvens. Assim que soube que a personagem era uma exímia dançarina de salão, Eliane entrou em pânico. Afinal, estava oito quilos acima do peso e queria exibir boa forma no vídeo. Disposta a reverter a situação, começou a fazer dieta, ginástica e natação. Como se não bastasse, passou a se tratar com medicina ortomolecular. "De segunda a sábado, fico nos grelhados e saladas. No entanto, reservo o domingo para as excentricidades gastronômicas", diverte-se.
    Fazer dieta, no entanto, não era suficiente para interpretar o papel. Além de exibir uma silhueta adequada ao personagem, Eliane tinha de demonstrar certa intimidade com passos e ritmos variados. Para não fazer feio durante as gravações, a atriz resolveu fazer um curso intensivo com o professor de dança de salão Jaime Arôxa. Quando soube que ia dançar tango, por exemplo, pensou que bastava olhar para o lado e esticar o braço. O tempo, no entanto, mostrou o quanto a atriz estava enganada. "Pensei até em pedir uma dublê para as cenas mais difíceis, mas achei que podia dar conta do recado. Mesmo assim, o que eu dançava nas festinhas não tinha nada a ver com dança de salão", reconhece.
    Passado o susto inicial, Eliane confessa que até gosta quando tem de aprender alguma coisa para compor um personagem. Depois que passou a freqüentar academias de dança, a atriz conheceu de perto "milhares de Janetes" que descobrem na dança de salão quase uma terapia. Para tanto, pessoas solitárias se produzem e enfeitam em busca de futuros relacionamentos. Na esperança de dar maior veracidade às cenas em que Janete aparece dançando, Eliane sugeriu que o diretor Dênis Carvalho trabalhasse com freqüentadores assíduos do local. "Não queria que a academia de dança se transformasse no clipe musical da novela. Gostei da idéia de mostrar pessoas comuns dançando", observa.


Tenacidade cinematográfica

    A primeira vez que Eliane Giardini pisou num set de filmagens foi da maneira mais inusitada possível. Aos 17 anos, quando ainda morava com os pais e os três irmãos em Sorocaba, cidade em que nasceu no interior de São Paulo, ela foi convidada por um tio a participar das filmagens de Os Mais Violentos Dias do Vale do Piancó. Mesmo tendo de prestar vestibular para o Curso de Filosofia, Eliane Giardini resolveu conciliar o horário dos estudos com o das filmagens. A despretensiosa estréia da atriz no cinema, porém, não alcançou o sucesso esperado. "O filme ficou tão pouco tempo em cartaz que, na época, não cheguei a assisti-lo", recorda.
    No ano passado, Eliane Giardini teve a oportunidade de voltar às telas. No entanto, a experiência também não foi das melhores. A exemplo do malsucedido Os Mais Violentos Dias do Vale do Piancó, O Amor Está No Ar, de Hamilton Vaz, também não repercutiu o esperado. O diretor morreu depois das filmagens e o longa demorou a ser finalizado pelos produtores. Mesmo assim, Eliane Giardini guarda boas recordações das cenas rodadas em Vitória, na capital do Espírito Santo, ao lado de Marcos Palmeira. "A história da radialista que descobre coisas novas ao se relacionar com um homem bem mais novo era bem legal", elogia.
    Ainda este ano, a atriz planeja desengavetar um projeto antigo. Há três anos, ela sonha em escrever o roteiro de De Braços Abertos, escrito por Maria Adelaide do Amaral, sobre a conturbada história de amor de um casal de jornalistas. O projeto surgiu em 1996, quando Maria Adelaide ofereceu o texto para Eliane montá-lo no teatro. Como a peça já tinha feito sucesso com Juca de Oliveira e Irene Ravache nos papéis principais, Eliane resolveu adaptá-la para o cinema. "Ainda não aprendi a produzir cinema. No teatro, você monta um espetáculo com R$ 40 mil. No cinema, você não faz nada por menos de R$ 1 milhão", assusta-se.

A Gazeta


Ela sai de cena para dar à luz

    Denise Fraga não pára de falar nos filhos. Mãe de Nino, de 1 ano e meio, acaba de deixar, provisoriamente, o humorístico Zorra Total, da Globo. Motivo: falta um mês para Pedro, seu segundo filho, nascer. "Vou ali ter meu filho e volto já", despediu-se, no ar. A atriz deve ficar três meses fora da TV. A volta será no novo horário do programa. Tão rápido quanto surgiu, o Zorra foi mudado das noites de quinta-feira para as de sábado.
    Com voz mansa, Denise tem o bom humor de suas personagens.Após a passagem de três anos pelo SBT, voltou à Globo há um ano. Aportou no mal-sucedido Vida ao Vivo Show de onde saiu para fazer o quadro Retrato Falado, em que interpreta uma história real contada por um anônimo, com supervisão de Guel Arraes e texto de Adriana Falcão. A idéia foi do marido, o cineasta Luiz Villaça, com quem Denise vive em São Paulo. Nesse período, ela também foi a fogosa mulher do padeiro da minissérie O Auto da Compadecida.
    Fã do infantil Castelo Rá-Tim-Bum, Denise explica que não foi por causa dos personagens do programa que batizou seus filhos de Nino e Pedro. "Só faltam a Biba e o Zeca", brinca.
    Estado - Você vai dar um tempo e volta já?
    Denise Fraga - É isso mesmo. É uma pena, porque está sendo tão bacana... O nosso quadro é a maior audiência do programa. Estamos superempolgados. Logo agora, que começamos a amaciar o movimento do trem, chegou a hora da parada. Mas eu sabia que ia ser assim, porque já comecei a gravar grávida.
    Estado - O programa foi feito às pressas, não foi?
    Denise - Foi. Eu fiquei besta de ver. Achava que não ia dar tempo. Estava acabando de gravar o Vida ao Vivo Show, já no quinto mês de gravidez, quando Manga (Carlos Manga, diretor de Núcleo da Globo) me chamou. Ele falou da idéia de fazer uma feira do humor, uma colcha de retalhos em que cada um faria a sua parte, e eu me entusiasmei. A conversa foi: "O que você quer fazer e com quem?" Isso abre um mundo de possibilidades. Na TV, é uma coisa rara ter um trabalho assim, em que você pode imprimir sua visão do cotidiano, fazendo um humor em que acredita.
    Estado - Para vocês, não seria melhor ter mais tempo para desenvolver o quadro?
    Denise - Sem dúvida. Tivemos um mês e meio para fazer tudo. Foi muito rápido.
    Estado - Já há uma polêmica sobre o programa. O Chico Anysio disse que o humor de vocês é elitista, que não atinge o grande público.
    Denise - Soube disso pelo jornal. Não sei exatamente o que ele falou. Eu só acho uma coisa: a peça Trair e Coçar, com a qual fiquei mais de seis anos em cartaz, me ensinou que existe um caminho universal para o humor. Uma história pode atingir do menino de 5 anos até sua avó, de 80, do homem num carro importado ao que anda de ônibus. Não há departamentos para a boa piada. Nisso, o Chaplin era o rei: fez o mundo inteiro rir, independentemente de classe social, idade etc.
    Estado - Qual o diferencial do seu quadro?
    Denise - Essa coisa do depoimento das pessoas reais. Isso põe nossa fonte de inspiração ali do lado. A gente mostra a matéria prima. E depois faz ao nosso modo, claro, caricaturando um pouco. É interessante ver o personagem e o ator, lado a lado. Porque nem o melhor ator do mundo faria aquele personagem melhor que a própria pessoa. A vida real é sempre mais interessante. O legal é mostrar como você capta o personagem e faz uma leitura dele. Estou sendo muito profunda?
    Estado - O que vai fazer nesse período fora da TV?
    Denise - Vou ter meu filho, ora (risos). Quando o Nino tinha dois meses, eu e o Luiz fizemos o filme Por Trás do Pano, que vai ser lançado em agosto. Eu amamentava no set, de 4 em 4 horas. Agora, no lançamento, vou amamentar o Pedro. Devo ficar fora da TV uns três meses. Só aí o bebê entra num ritmo de mamada, né? Porque no primeiro mês é enlouquecedor: eles mamam quando querem. E você fica lá, de mãe, com a leiteria aberta.
    Estado - Você fala como uma mãezona.
    Denise - Estou adorando esse papel. É engraçado, quando você vira mãe, se transforma numa criatura que às 4 horas está trocando fralda, feliz. Vem também o leite, sei lá de onde. É um pacote novo, enorme, que entregam na sua casa. Muda muito a vida, para melhor.
    Estado - Isso reflete no trabalho da atriz?
    Denise - Eu acho que sim. Tudo reflete, pois você não existe separadamente. É ótimo trabalhar em São Paulo, com o Luiz. A gente tem uma afinidade artística, além da pessoal. É inspirador trabalhar com ele, ainda mais nessa fase de filhos e trabalho. Tudo acontece junto, é uma grande fertilidade, sabe? A câmera capta esse estado de espírto. Isso vai ao ar.
    Estado - Vai gravar o quadro para mostrar para o Pedro, daqui a alguns anos?
    Denise - Toda hora eu penso no que ele vai achar do quadro. Eu gravo, pensando nele. Adoraria ver alguma coisa que minha mãe fez, pensando em mim, numa época em que estivesse na barriga dela.
    Estado - Que nota você dá para a mãe Denise?
    Denise - Mãe sempre dá nota 5 para ela mesma. Outro dia vi um psicólogo citando Freud. Ele dizia que não importa como você educa, vai educar mal. Uma vez mãe, não tem mais jeito: você vai se perguntar "estou sendo uma boa mãe?" no café da manhã, no almoço, no chuveiro, o tempo todo.
    Estado - Talvez só o fato de se fazer a pergunta indique que você é uma boa mãe.
    Denise - Pois é. Esse psicólogo dizia também que você precisa ter essa consciência de que faz o melhor que pode, sendo uma mãe que trabalha. E isso é importante não só para você, mas para seu filho também. Quando a Globo me chamou, entrei numa crise enorme. E aí vi que, se não fosse, talvez deixasse de produzir coisas das quais meu filho se orgulharia depois.
    Estado - Como vê hoje o Vida ao Vivo Show?
    Denise - A idéia do programa, de juntar humor e jornalismo, ficção e realidade, em situações cotidianas, é muito interessante. Aprendi uma coisa sobre improviso, que foi muito produtiva. Às vezes dava bons resultados, mas eu sempre acho o improviso perigoso. Você ganha em vivacidade, mas perde em acabamento. É melhor parecer improviso uma coisa que não é. Na base do improviso, você perde um pouco o personagem.
    Estado - Por isso o programa foi mal recebido pela crítica?
    Denise - Não sei. Eu vinha na ponte aérea tentando entender por que. Se bem que dava bom ibope. O saldo para mim foi positivo. Mas minha lembrança do Vida ao Vivo está ligada às dificuldades de levar meu filho ao Rio. Eu o levava de uma rotina boa para um hotel. Era uma odisséia, porque tinha de levar muitos apetrechos.
    Estado - Que avaliação faz de sua passagem pelo SBT?
    Denise - Eu adorei trabalhar lá. Tive o privilégio de estar numa boa hora, em que todos estavam animados com o núcleo de dramaturgia. Falava-se de projetos, minisséries, etc. Mas do mesmo jeito que tudo se ergueu, tudo ruiu. O pensamento da emissora era muito imediato. E para você sedimentar algo, tem de ter paciência. Acho que não houve essa sabedoria no SBT. Os donos de TV deveriam ter o compromisso de saber que se trata de um veículo perigosíssimo, de educação nacional. Eles não poderiam deixar a gente chegar a esse mar de falta de cultura e qualidade na programação. Desse jeito não se constrói um país decente. Estou pensando no meu filho. Ou melhor, nos meus filhos.

OESP


Seriados conhecem seus destinos

    Os anunciantes estão dando uma olhada nesta semana no que as principais redes de Televisão dos Estados Unidos planejam para sua programação para o Outono de 1999. Em uma série de anúncios, a NBC foi a primeira a noticiar o que pretende acrescentar – e cortar.


NBC: Mais Jesse, sem Homicide

    A rede norte-americana concedeu uma prorrogação para dois sitcoms que estavam em dúvida – Jesse e Veronica's Closet (ambas apresentadas no Brasil pelo Canal Warner). Outros não tiveram tanta sorte. A NBC cancelou Caroline in the City ("Tudo por um Gato", no Multishow), Homicide: Life on the Street e NewsRadio (Sony).
   NewsRadio foi bem-recebido pela crítica, mas amaldiçoado com baixa audiência, devido à morte do ator Phil Hartman e, mais recentemente, à prisão em Los Angeles do ator Andy Dick, por dirigir embriagado e estar portando drogas.
    A NBC está anunciando cinco novos dramas e duas novas comédias. Contando com a força de Law & Order ("Lei & Ordem", apresentado pelo USA brasileiro), está ordenando um spinoff (uma nova série derivada de uma já existente) que vai abordar crimes particularmente hediondos. O novo seriado será chamado Law & Order: Special Victims Unit. Os atores do seriado original são esperados para figurar constantemente na nova série.
    O criador de ER (Sony), John Wells – cujo Trinity (também da Sony) ano passado foi um fracasso – está adicionando dois novos seriados ao seu trabalho. The West Wing será estrelada por Martin Sheen como o Presidente dos Estados Unidos e Rob Lowe como um assistente da Casa Branca. Third Watch, à la ER, mostra uma equipe de salvamento em Nova York. A série está programada para passar nas noites de domingo nos Estados Unidos. O presidente da NBC West Coast, Scott Sassa, diz que considera Third Watch como a melhor série que a rede tem a oferecer.
    Citando o desejo de substituir Homicide com um seriado que possa atrair mais as mulheres, a NBC escolheu Cold Feet – uma comédia-dramática sobre três casais em várias fases do relacionamento.
    O quinto drama, Freaks and Geeks, é uma série de uma hora sobre dois irmãos adolescentes em uma high school suburbana.
    Como comédia, a NBC escolheu o The Mike O'Malley Show, a história de um solteiro de 30 anos que percebe que seus dias de festa estão terminando. E Stark Raving Mad, uma série sobre um escritor de terror e seu editor, será apresentada entre Frasier (USA) e ER nas quintas-feiras à noite nos Estados Unidos.

O que os compradores de anúncio dizem 

    Os executivos da NBC dizem que estabilidade é a palavra-chave na sua nova programação. Eles dizem que estão fazendo poucas mudanças para minimizar a confusão para os espectadores. É algo que eles correm risco ao fazer, devido à recente queda de audiência, causada em parte pelo final de Seinfeld (Sony).
    Enquanto pessoas com acessos a informações sigilosas na Avenida Madison em Nova York estão segurando as críticas à programação, alguns dizem que eles aplaudem o fim do que consideram "comédias açucaradas". Anunciantes estão procurando por conceitos que sejam diferentes, fora das fórmulas batidas.
    Algum marqueteiros também louvam a NBC por contra-programar em muitas frentes, ao invés de atacar diretamente a competição. A única decisão gerando questionamentos afiados é a idéia de colocar o spinoff de Law & Order às segundas às 9 da noite nos Estados Unidos.
    "Quem eles pensam que vai assistir a isto (nesse horário)?, perguntou Stacey Lynn Koerner, vice-presidente de pesquisa de transmissão para a TN Media. "Todos os homens estarão assistindo ao futebol, e todas as mulheres estarão assistindo a Ally (McBeal), na Fox (também faz parte da programação da Fox brasileira), ou Safe Harbor (na WB americana). "A menos que eles estejam esperando atingir um público mais velho, eu penso que é uma escolha curiosa."


ABC: Novo Spin na programação de terça-feira

    Estabilidade não é um problema para a ABC. Executivos da rede norte-americana estão mudando seus seriados das oito da noite em seis dos sete dias. Para reforçar sua programação de terça à noite, a rede anunciou que planeja substituir Home Improvement – que leva ao ar seu último episódio no dia 25 de maio nos Estados Unidos – por Spin City ("Limpando a Barra", Sony e Multishow). O seriado será seguido por Dharma & Greg (Fox), e provavelmente por It's Like, You Know... (seriado estrelado por Jennifer Grey de Dirty Dancing) e Sports Night (Sony).
   Two Guys, a Girl and a Pizza Place (nomeado pela Fox brasileira como "Três é Demais") será apresentado nas noites de quarta-feira nos Estados Unidos. The Norm Show e Oh, Grow Up provavelmente virão após.
    A ABC fará concorrência nas quintas à noite, pondo o seriado de improvisação Whose Line Is It Anyway em competição direta com Friends da NBC. A nova comédia Then Came You deve vir logo após, seguida por Wasteland, o novo drama de Kevin Williamson, o criador Dawson's Creek (Sony).
    Muitos seriados de sexta-feira foram cortados, incluindo Brother's Keeper, Two of a Kind e Vengeance Unlimited (os dois últimos são apresentados no Canal Warner brasileiro). A programação de sexta-feira da ABC provavelmente terá Hughleys ("Os Hughleys", Fox), Boy Meets World e Sabrina the Teenage Witch (apresentado no Brasil pelo canal infantil Nickelodeon), uma nova comédia intitulada Odd Man Out e o eterno 20/20.
    David E. Kelley, produtor de Ally McBeal, da Fox, criou um novo drama de detetive, chamado Snoops. É para fazer concorrência nos domingos às 9 da noite com a série popular da Fox, The X-Files.
    Ao total, a ABC encomendou duas novas comédias e três novos dramas.


The King of Queens ainda reinará na CBS

CBS: o tribunal não totalmente em sessão

    É três e três para a CBS – três novas comédias, três novos dramas – para o Outono de 99. E metade desses seriados têm temas que envolvem as profissões legais. Mas a rede não planeja anunciar a ordem de sua programação até quarta-feira.
    No lado humorístico, há Ladies' Man, uma comédia sobre um sujeito sozinho em uma casa cheia de mulheres (estrelada pelo ator Alfred Molina). A CBS também está favorável a Love or Money, que conta a história de um zelador que tem um caso com a filha de uma família rica que vive no edifício em que trabalha. A terceira nova comédia encomendada é Work with Me, estrelando Nancy Travis e Kevin Pollack, como advogados casados que trabalham juntos.
    Os três dramas novos da CBS são Now and Again, que mostra a história de um homem morto em um acidente e que ganha um novo corpo, mais jovem, do governo; Judging Amy, sobre uma mãe solteira e juíza que volta a morar na casa da mãe com a filha; e Family Law, sobre a luta de uma advogada para reconstruir sua firma, depois que seu marido vai embora, levando todos os seus clientes.
    Dos sete seriados que a CBS encomendou no último outono, só dois voltarão para uma segunda temporada: Martial Law (Fox) e The King of Queens (Sony).


WB: Mais drama, todas as noites

    A estratégia de programação de outono da WB norte-americana vai mudar o dia de duas séries dramáticas na segunda temporada e acrescentar uma outra noite de programação, às sextas-feiras.
    Em setembro, Felicity (Sony) deve mudar para os domingos à noite e Charmed para as quintas. A rede encomendou seis novas séries de uma hora – uma para cada noite de programação. A que deve aparecer nas noites de sexta é uma comédia de animação chamada The Downtowners.
   Roswell, Angel, Jack and Jill, Safe Harbor e Popular são as outras cinco séries novas – todas dramas. A WB escolheu Roswell depois da Fox americana ter determinado que não terá espaço para um seriado sobre a vida numa high school. A WB encomendou uma temporada completa e planeja apresentá-la depois de Dawson's Creek nas quartas.
    Os seriados que não estarão voltando na WB americana no outono incluem Smart Guy, Sister, Sister (apresentado no Brasil pela Nickelodeon), The Wayans Bros e a, talvez apropriadamente chamada, Unhappy Ever After.

Colaboração: Roberta Martins


Vilã marca nova fase de Suzy Rêgo

    O eterno ar de boa moça sempre credenciou a atriz Suzy Rêgo para fazer na tevê tipos politicamente corretos. Ela coleciona papéis de jovens independentes e bem-sucedidas desde que estreou em "Salvador da Pátria", de 1989. O mais próximo que chegou de um personagem "outsider" havia sido quando interpretou uma prostituta na peça "Sauna", dirigida por Wolf Maya. Até que surgiu a oportunidade de interpretar um papel diametralmente oposto: em "Louca Paixão", ela vive a presidiária Vera Soares, amiga traiçoeira da protagonista Letícia Moraes, interpretada por Karina Barum. E a atração foi tal que encorajou Suzy a trocar a Globo pela Record. "Os atores vivem à cata de desafios. Pessoalmente, estava atrás de um papel que enriquecesse um pouco o meu currículo na tevê", justifica.
    Para Suzy, Vera não passa de uma mulher passional que faz um desfalque na empresa em que trabalha para agradar ao namorado. "Só praticou o crime por força das circunstâncias", acredita. Mas a atriz ficou espantada ao constatar que o caso de sua personagem em "Louca Paixão" não é isolado. Mesmo ficcional, Vera Soares encontra inúmeras correspondentes no sistema carcerário brasileiro. Juntamente com as demais atrizes que compõem o núcleo do presídio da novela, Suzy Rêgo resolveu conhecer de perto o dia-a-dia das detentas do Carandiru, um dos maiores presídios de São Paulo. Lá, conversou com algumas presas, descobriu que não são poucos os casos de mulheres que entram para o mundo do crime influenciadas pelos namorados e, de quebra, aprendeu gírias novas. Segundo algumas detentas, "isquear" e "dar pano", por exemplo, significam "colocar lenha na fogueira" e "pôr panos quentes", respectivamente. No entanto, nada espantou tanto a atriz quanto o amplo conhecimento que as presas do Carandiru demonstraram ter do Código Penal Brasileiro. "Elas só falam dos crimes através dos números das leis", completa.
    Com seis novelas no currículo, Suzy Rêgo não esconde a satisfação por estar interpretando um papel atípico na carreira. O convite para trabalhar em "Louca Paixão" surgiu depois de gravar as últimas cenas de "Era Uma Vez...", na Globo. Logo após ser sondada pelo diretor de programação e operações da Record, José Paulo Vallone, Suzy Rêgo também foi convidada pelo diretor Dênis Carvalho para integrar o elenco de "Andando nas Nuvens". A atriz até que tentou, mas não conseguiu conciliar as gravações da novela com o espetáculo "Caixa 2", em cartaz há quase dois anos em São Paulo. Já devidamente contratada pela Record, Suzy ficou ainda mais satisfeita ao saber que estava sendo cotada pela emissora desde os tempos de "Estrela de Fogo". "Isso faz bem para o ego de qualquer artista", gaba-se.
    Atualmente, Suzy Rêgo não mede palavras ao elogiar a iniciativa da Record de investir em novelas. "Infelizmente, o SBT não conseguiu levar o núcleo de teledramaturgia adiante", lamenta. Na emissora de Sílvio Santos, Suzy chegou a interpretar uma cantora de cabaré na novela "Sangue do Meu Sangue", de Vicente Sesso. O personagem, porém, não emplacou e a participação da atriz ficou reduzida a uma mera ponta de luxo. Mesmo assim, ela permaneceu na emissora por mais dois anos. O tempo suficiente para trabalhar ainda em "E Agora, Lulu?" e "O Cunhado", humorísticos que não chegaram sequer a ser exibidos. "Na pior das hipóteses, realizei o sonho de trabalhar com o diretor Nílton Travesso", consola-se.

A Gazeta





Júlia Lemmertz, em divertidos clichês da ex-mulher

    Há três meses, a polivalente Júlia Lemmertz vem revelando ao público televisivo uma faceta novidadeira em seu currículo de atriz: a de perua. E como se não bastasse ser adepta do silicone e da futilidade, a personagem Lúcia Helena, que está diariamente na trama de Euclydes Marinho, Andando nas Nuvens, carrega outra sina, a de ex- mulher. Para não contrariar o folclore que toda mulher fútil teve um marido bonitão, Lúcia Helena conta com o charmosérrimo Marcos Palmeira em sua biografia. Ele é o pai de sua filha Constancinha, de 11 anos, vivida por Gabriela Martins. Nada mal para uma perua.
    “Só que a Lúcia Helena na realidade é uma mulher imatura. Ela teve um único homem na vida e só. Pensa que é descolada, mas no fundo ela é atolada”, defende Júlia, que não aparecia em novelas desde Zazá, em 97, quando interpretou Fabiana, um mix de mocinha e vilã no enredo criado por Lauro César Muniz.
    Vítima da síndrome da eterna juventude, Lúcia Helena não resistiu e aumentou os seios com uma generosa dose de silicone. Mas que não se iludam os fãs, pois, segundo Júlia, ela terá uma futura crise e... vai tirar o que acreditava ser um fetiche eficiente para reconquistar o ex-marido.
    Persistência - Os seios artificiais foram apenas um dos incontáveis artifícios de que se utiliza para chamar a atenção de Chico Mota, que só tem olhos para a coleguinha Júlia Montana (Débora Bloch).
    Lúcia Helena, como a maioria das ex-mulheres, quer mesmo que o maridão volte para o seu lar. No caso, a casa da sogra, dona Judite (Nicette Bruno). Em troca de manter a neta Constancinha embaixo de suas asas, dona Judite acaba suportando os chiliques da nora. “A Lúcia Helena faz e desfaz da sogra, mas ela tolera, porque na verdade quer é corujar o filho. Afinal de contas, na ficção ou na realidade, as mães querem ter os filhos sempre próximos”, argumenta Nicette Bruno.
    Apesar da tolerância da sogra, a perua, que vive infernizando a vida do ex ligando para a redação do Diário Carioca nas horas mais impróprias, é mesmo uma mulher instável. É Júlia Lemmertz quem admite: “ela é um produto de nosso tempo”. Afinal, até a década de 80 não era nada comum que ex-mulheres e ex-maridos saracoteassem pelas tramas noveleiras. Toda história terminava unindo os casais em ritmo de final feliz.
    Feliz é o que Lúcia Helena tenta ser. Mas para buscar esse ideal, a personagem que vem roubando horas e horas da concorrida agenda de trabalho de Júlia Lemmertz lança mão do humor. Aliás, é justamente o humor que permeia Andando nas Nuvens, a novela que vem mantendo uma média de 30 pontos de audiência, com picos de 35, como o registrado na quarta-feira, 5 de maio.
    Também Nicette Bruno concorda que é essa pitada de humor que vem trazendo leveza e graça aos diálogos da novela. Júlia e Nicette fazem bom uso do tom engraçado na hora das gravações. “A Nicette tem aquele pique de atriz formada em teatro, de chegar no estúdio já preparada. Ela mantém aquela força genuína e fresca de quem freqüenta assiduamente os palcos e ensaia as cenas antes. Isso ajuda demais, porque entramos aquecidas para gravar e as nossas cenas rolam com agilidade e muita diversão”, conta Júlia, que desde garota compartilha da compahia de Nicette, que foi uma grande amiga de Lilian Lemmertz, a também atriz e mãe de Júlia, falecida em 1986.
    Lembrando que Lúcia Helena é uma mulher meio maluca e que não pode ser levada muito a sério, Júlia garante que sua personagem vai trazer cenas hilariantes daqui para frente. “Afinal, é uma fina comédia.”
    Poder - Satisfeita com a personagem de Andando nas Nuvens, Júlia não vê contradição em atuar na telinha, na telona e nos palcos ao mesmo tempo. É o seu caso, agora. Ela larga a peruca e os peitos de Lúcia Helena para encarar Olga no espetáculo As Três Irmãs, de Chekhov, que termina a temporada em Salvador este mês . Paralelamente, ela divide com o marido, Alexandre Borges, cenas provocantes no longa Um Copo de Cólera, dirigido por Aloizio Abranches. E no dia 26 estará repetindo a dobradinha com Alexandre em Antes Que A Vida Nos Separe, o primeiro filme do publicitário José Zaragoza.
    “Não posso negar o poder que a tevê tem, especialmente no que diz respeito às novelas. Claro que por conta disso há um desgaste desse produto. Mas acredito na renovação. A minissérie O Auto da Compadecida é um ótimo exemplo disso”, argumenta.
    Mas Júlia insiste que a televisão brasileira não pode ficar atenta somente à questão mercadológica. “Porque não é banalizando que a tevê vai melhorar. E como não sou uma cifra, sou uma atriz, creio no trabalho de bons atores, de bons diretores, que poderão reverter esse quadro.”


O sonho do casal: viver de cinema

    Nem a filhota de Júlia, fruto de seu primeiro casamento com o produtor de TV Álvaro Osório, escapou de outra sina familiar: o cinema.
    Pois a pequena Luíza, que segundo a mãe “anda mais encantada com programas como Muvuca e Casseta & Planeta e desenhos da tevê a cabo”, também integrou o elenco do longa Um Copo de Cólera , adaptado do livro de Raduan Nassar, em cartaz em algumas capitais brasileiras. Aos 11 anos, a garota mora com Júlia e Alexandre Borges no Rio e, como comenta a mãe, não é telemaníaca. “Ela gosta de estudar (Luíza cursa a 5ª série).”
    Se a aparição de Luíza foi discretíssima, não se pode dizer o mesmo do casal protagonista. Aliás, coincidências à parte, Júlia estreou aos 13 anos no cinema, em um filme de Walter Hugo Khouri, dublando a mãe Lilian.
    À flor da pele - O filme, ousado esteticamente, traz o casal nu em muitas sequências sexuais. O duelo de corpos encontra reflexo em outro duelo: o de diálogos. Neuroticamente, os personagens discutem utilizando a linguagem do livro e transam com a mesma intensidade.
    Unanimidade da dupla: não foi um trabalho fácil. “Me emociono até agora ao rever o filme e confirmar que tive um insight corajoso”, defende Júlia. “ Me sinto orgulhoso em ter dado a cara para bater, chegar perto do universo da palavra de Raduan e pensar que talvez daqui a dez anos Um Copo de Cólera seja entendido, como Terra em Transe, de Glauber Rocha”, orgulha-se Alexandre. E é ele quem arremata: “É um inferno no paraíso”, referindo-se ao teor do trabalho que juntou mais uma vez o casal em cena.
    Atuar com Júlia, para Alex, é um orgulho e um prazer. “Sou super fã da Júlia. E nada melhor que atuar ao lado de uma atriz que exige, que desafia, que não compete, mas que acrescenta.” O rebate de Júlia é no mesmo tom. “É um luxo contracenar com ele, pois é um grande ator.”
    Apesar das melosas, mas consistentes declarações, ambos fazem questão de ressaltar que não se apóiam no casamento para seguir a trajetória profissional que incluiu a atuação de Júlia em Tiradentes, de Oswaldo Caldeira.
    Nesse caminho, Alex estará em breve no filme Senhorita Simpson, de Bruno Barreto, na pele do jogador de futebol Acácio. “Ele é uma espécie de semi-deus que tenta conquistar a professora de inglês, no caso, interpretada por Amy Irving.”
    Antes que a produção da LC Barreto chegue ao circuito nacional – a previsão é setembro – , os dois estarão em Antes Que a Vida nos Separe, um drama urbano em que o par divide cenas com Marco Ricca, Norton Nascimento e Beth Goffman.
    Sonho - Viver junto, trabalhar junto. Taí uma dobradinha que não estressa o casal, que na telinha foram parceiros – irmãos, mais precisamente – apenas em Zazá.
    Casados há sete anos, Júlia e Alexandre vivem em clima de harmonia amorosa. Questionados milhares de vezes sobre ciúmes, cantadas, assédios, eles já superaram tais etapas, que fazem parte da rotina de qualquer casamento, e já pulam para outro item: o trabalho. E é para esse vértice que convergem as aspirações de ambos. Ela diz que tem como sonho viver de cinema. Ele também.
    Júlia, que um dia pensou em ser veterinária, tem certeza que fará todos os malabarismos para se manter como atriz. “É por isso que gosto tanto de, entre tantas tarefas, apresentar o programa Revista do Cinema Brasileiro. É uma forma de me manter informada e divulgar o cinema nacional. ”


O maridão Alexandre, arrasando em ‘Mulher’

    Recém-saído do sedutor e ambicioso Nélio, dono da produtora responsável pelo lançamento de Lucinha (Carolina Ferraz) como modelo, em Pecado Capital, o ator Alexandre Borges não fica fora da telinha.
    Com um pouco mais de tempo livre, Alexandre passa a intensificar seus cuidados na preparação do personagem João Pedro, o igualmente charmoso – porém recatado – médico da clínica Machado de Alencar, em Mulher.
    E que se prepare o time feminino de telespectadoras porque cenas prá lá de calientes invadirão os próximos episódios do seriado. Tudo por conta da aproximação do médico com a dra. Cris (Patrícia Pillar). “Vamos revelar o lado romântico dele. É uma faceta que só às vezes surge, em um ou outro detalhe. É um crescente de emoções que vai desaguar no primeiro beijo, que aliás, já foi gravado”, adianta José Alvarenga, diretor geral de Mulher.
    Mas não é só beijo que vai rolar entre João Pedro e Cris. A paixão vai levá-los para a cama. E é justamente a cena da transa que está tirando o sossego da equipe do seriado. “Convidamos a jovem escritora Adriana Falcão para dar um arremate feminino ao episódio que mostrará os dois transando”, conta Alvarenga, lembrando que tudo está previsto entre os episódios 16 e 20.
    Preocupado em fugir de qualquer extravagância sensacionalista, Alvarenga acredita que compor a tal cena será mais um desafio, em que tesão e beleza não poderão estar ausentes. “Pensamos em alguns filmes como referência. O Destino Bate à Sua Porta seria um deles”, sinaliza o diretor do seriado, que tem mantido média de 20 pontos de audiência.
    Passado condena - Se a porção romântica de João Pedro vai encontrar seu espaço, seu passado familiar vai incomodá-lo um pouco. “Isso irá acontecer quando ele reencontra a ex-mulher, que provavelmente será interpretada por Cláudia Raia, e a filha”, adianta Alvarenga.
    Mesmo assim, o dedicado médico, que se mantém fiel à causa dos menos favorecidos, vai superar este reencontro e mostrar que mesmo traumatizado com esse antigo amor, vai conseguir fazer Cris feliz.
    “João Pedro é um personagem trabalhoso. Não é nada simples dar o tom a este homem, que mesmo tendo uma mulher linda e inteligente como a Cris a seu lado, se mantém contido e até frio ”, argumenta Alexandre.
    Entusiasmado com o seu papel, o ator ressalta que o seriado tem, entre tantos outros méritos, “o de mostrar um outro olhar para a medicina brasileira”.
    Polivalente - Tal qual a mulher, Alexandre também está simultaneamente na tevê e no cinema. Isso porque está de férias do teatro, onde iniciou sua carreira no grupo Boi Voador, depois atuou em Ham-let, dirigido por Zé Celso Martinez Corrêa, e como rei Cláudio acabou casando com a rainha Gertrudes (Júlia Lemmertz) . Juntos fizeram também Eu Sei Que Vou Te Amar.
    Sobre a televisão, nenhuma restrição. Apenas a constatação: “A tevê tem o mérito de levar divertimento a pessoas que não têm condições de sair de casa para assistir a um espetáculo. Isso sem falar na projeção. Por isso é um dos compromissos mais sérios para nós atores”.

JT


Ela está com a bola toda

    Sabrina Parlatore, musa da MTV e atração à parte da nova programação esportiva da Band, está com tudo. Há oito anos na estrada, primeiro como modelo e agora como apresentadora, ela não dá a mínima para fama, dinheiro e badalação. "Engraçado porque eu não consigo ter essa sensação do tipo: `ah, agora eu estourei'", diz. Mas a estrela da vez não nega que o sucesso faz bem ao ego. "Não me importo de me elogiarem por causa da beleza, mas gosto que reconheçam o meu trabalho", continua. Como todo artista em evidência, Sabrina reclama de falta de tempo para levar vida normal, curtir o namorado, o ex-VJ Gastão Moreira, com quem está há três anos, fazer ginástica, concluir a faculdade de comunicação e marcar compromissos com amigos sem ter de desmarcar depois, por causa de trabalho. Por conta do corre-corre, Sabrina teve síndrome do pânico e foi parar no divã. Mas reagiu para aproveitar a boa maré: prepara-se para lançar produtos com a sua marca, estuda um projeto para atuar no cinema e revela que o seu sonho mesmo é cantar. "Não tenho pressa."

Estado - Como foi a estréia na Band?
Sabrina Parlatore - Foi bacana, mas um pouco tensa porque tive de preencher o horário de um outro programa que não ficou pronto, acho que era o Aquecimento, e acabei ficando uma hora e meia no ar. O combinado era que meu programa tivesse trinta ou quarenta minutos. Estou sentindo falta de uma platéia mais animada, comunicativa. Foi tudo muito improvisado, de última hora, não tinha texto, perguntas, nada, só eu com um tema na cabeça para desenvolver na hora. Quero ser orientada. Por não dominar o tema, preciso de direção. Mas foi a primeira vez e a audiência foi ótima, algo em torno de 6 pontos no Ibope.

Estado - A sua ida para a Band foi de um dia para o outro?
Sabrina - Pois é, fui chamada numa sexta-feira e, na segunda, dia do lançamento da programação de domingo, assinei o contrato.

Estado - Qual foi a motivação para aceitar o convite da Band?
Sabrina - O que me fez tomar a decisão foi o fato de eles estarem prontos. Sondagem teve de monte, da Cultura, da Record, do SBT, mas ficavam protelando. Os diretores diziam que eu já estava contratada, mas não tinham previsão para nada e não davam retorno. Falavam mais para a mídia do que para mim.

Estado - Esse ano tem sido de muito trabalho e você até contratou o empresário Marcos Saraiva para cuidar dos seus negócios. Como se sente?
Sabrina - Está uma loucura. Não quero isso para mim daqui a um tempo, ficar nesse desespero todo. Poxa, o Gastão me convidou para ir ao cinema, no domingo, e a gente combinou de ir na segunda, que eu não tenho aula na faculdade. Na segunda de manhã, abri a agenda e vi que tinha um evento para apresentar. Faz parte, mas é chato. Preciso ter minha vida, namorar, ter lazer, fazer ginástica, que eu parei totalmente por falta de tempo. Ainda tenho a faculdade. No semestre que vem, acho que terei de trancar a matrícula. Não faço só TV, faço muita coisa de moda, publicidade.

Estado - Essa é a vida de quem vira estrela.
Sabrina - Engraçado porque eu não consigo sentir isso. Não penso: "ah, agora eu estourei". Sou mais assediada, é claro, mas fama, para mim, não quer dizer muita coisa.

Estado - Assusta?
Sabrina - Um pouco porque é muita solicitação, dia e noite. Não está sobrando quase nada para a minha vida particular.

Estado - Como o Gastão lida com isso?
Sabrina - Está superfeliz, me deu apoio para eu ir para a Band. Ele está acostumado, é do meio.

Estado - Quem você ouve quando tem de tomar decisão?
Sabrina - O Gastão, minha mãe e meu pai. São as pessoas em quem mais confio, que querem o meu bem. Depois, meu empresário.

Estado - Você pensa em casamento?
Sabrina - Eu e Gastão pensamos em casar, mas não no papel. A gente quer morar junto. Isso até facilitaria nossos encontros. Quando eu vou para a casa dele, tenho de levar roupa, pensar no dia seguinte. Mas agora não daria para a gente morar um no apartamento do outro porque são pequenos. Temos de procurar um terceiro e isso leva tempo.

Estado - O que você faz com o dinheiro que ganha?
Sabrina - Não é tanto. Já comprei o meu apartamento, tenho um dinheiro guardado, até dá para comprar outro. Mas não quero gastar.

Estado - Você é consumista?
Sabrina - Nem um pouco. Gasto mais com comida, pago quanto for para receber os pratos prontos em casa, pela comodidade.

Estado - E com a aparência?
Sabrina - Nunca fui de ir a cabeleireiro, de comprar muitas roupas.

Estado - Mas você não tem um sonho que o dinheiro possa comprar?
Sabrina - Quero viajar o mundo inteiro, ter dinheiro para comer bem, viver bem. Não tenho megasonhos de consumo, tipo carros luxuosos. Tenho o meu Corsinha e está bom. Um dia, vou trocá-lo, mas não por um Mercedes.

Estado - Você faz muitas amizades fora da TV?
Sabrina - É difícil, porque as pessoas acham que você não é merecedora da amizade delas, que você tem amigos melhores. Normalmente, exaltam o profissional da TV. No meio, é bacana conhecer artistas, o pessoal das bandas, mas aí, o problema é que todo mundo está sempre na correria. É pena, porque adoro ficar horas conversando com as pessoas.

Estado - E o status de musa, de símbolo sexual?
Sabrina - É engraçado, mas não sou mais do que ninguém.

Estado - Você vai posar nua?
Sabrina - Já pintou convite, mas não tenho a menor vontade. É preciso tomar cuidado, pois há fotos muito vulgares e outras muito legais. O ensaio da Milla Christye com o Bob Wolfenson, em preto e branco, eu adorei. Não gosto quando fica muito explícito. Não tem a ver comigo, morro de vergonha. Agora, se fosse para fazer iria cobrar bem, seria por dinheiro. Como não tenho grandes ambições, estou ganhando o meu dinheirinho aos poucos e está tudo bem.

Estado - Hoje, tudo é descartável. Pensando nisso, você não sente que tem de aproveitar a fase ao máximo?
Sabrina - Sem dúvida. Quando eu era modelo, sempre sonhava em ser capa de algumas revistas. Então, estou realizando isso agora, mas é porque eu realmente gosto desse trabalho, de fazer coisas bonitas. Não me importo de me elogiarem por causa da beleza, mas gosto que reconheçam o meu trabalho. Sempre estudei, pois sempre soube que a vida de modelo é passageira. Até quis parar uma época e foi quando a MTV pintou na minha vida.

Estado - Você pensa em investir em outras áreas artísticas?
Sabrina - Esse meio é uma bola de neve, você acaba sendo convidado para fazer muita coisa. Já fui convidada para uma minissérie, na Record, um filme. Não tenho vontade de fazer novela, mas uma participação num filme eu já acho legal.

Estado - Pretende lançar produtos com a sua marca?
Sabrina - Quero, justamente porque o forte do meu empresário é o licenciamento de produtos. Ainda não há nada, mas a idéia é lançar uma linha de papelaria, com cadernos, estojos.

Estado - Você já ficou muito ressentida com a imprensa. Fez as pazes?
Sabrina - Pois é, tive de aprender a lidar melhor com a imprensa. Houve uma época em que eu estava triste e dizia que se publicassem alguma coisa eu processava. Graças a Deus, não tive mais problemas.

Estado - Você faz terapia?
Sabrina - Desde o ano passado, quando tive síndrome do pânico. Estava estressada, doente. Tive de fazer tratamento com remédios e já estou diminuindo a dose. A terapia é maravilhosa, dá uma orientação quando você acumula coisas e fica perdida.

Estado - Aonde quer chegar?
Sabrina - Não sei. Eu nem sei do que realmente gosto. O que tenho é muita vontade de cantar. Eu sempre canto no programa, tenho vontade de fazer um som sofisticado, tipo Sade. É um projeto a longo prazo, não tenho pressa. Gosto muito de trabalhar por trás das câmeras também.

Estado - O que diria às meninas que querem ser a Sabrina?
Sabrina - Comecei muito cedo, aos 16 anos. Não me arrependo, só acho que não aproveitei a minha adolescência. Assumi responsabilidades e tive de amadurecer muito cedo. Tanto é que, com 23 anos, estava estressada. Acho que os adolescentes têm de curtir mais a escola, os amigos, as festas. É absurdo meninas de 11 anos deixando a escola para trabalhar, serem modelos. É legal trabalhar, mas sem perder essa fase, porque passa rápido e, quando você se dá conta, já foi.

OESP


Thalma de Freitas, o pulo da gata

    A extrovertida Thalma de Freitas não se cansa de festejar o que considera um salto na sua carreira: o papel da estagiária de jornalismo Zezé em Andando nas Nuvens. Até então, a atriz de corpo escultural e voz aveludada só havia vivido domésticas, uma escrava e uma cantora iniciante. "Rolou um upgrade. Pela primeira vez ganhei uma personagem que não tem um universo limitado", comemora a atriz de 25 anos entre plantas e fotos que decoram a sala de seu apartamento na Gávea, zona sul do Rio.
    Para Thalma, o que mais a agrada na personagem Zezé, criada por Euclydes Marinho para a novela das sete da Globo, é a possibilidade de oscilar entre o drama, o romantismo e a comédia, o que ela tem feito sem maiores problemas, conquistando definitivamente o público.
    A batalhadora estagiária do Correio Carioca é constantemente assediada pelo pegajoso Wagner Macieira, chefe de redação interpretado por Hugo Carvana. Conivente com a situação para segurar o emprego, Zezé ganha em troca pautas bobas do chefe.
    Com personalidade forte e bem diferente de sua personagem, a atriz carioca torce para que Zezé tome uma atitude. "Ela deveria processar o chefe por assédio sexual", protesta Thalma.
    Apesar da indignação com a passividade de Zezé, a atriz acredita que o papel é a oportunidade de mostrar o que aprendeu no teatro e na tevê.
    Thalma entrou para a turma de Oswaldo Montenegro aos 18 anos e logo foi escolhida para o musical Hair, com direção de Jorge Fernando e Cláudia Raia no elenco.
    A peça serviu para Thalma estrear na novela Vira-Lata, em 1996, como a empregada Dolores. Na seqüência, a atriz fez a escrava Caetana em Xica da Silva, na Manchete, e as minisséries globais Dona Flor e     Seus Dois Maridos, como a cantora Marilda, e Labirinto, em que viveu a doméstica Glorinha.
    Embora acredite que Zezé poderia servir de gancho para que sejam discutidos o assédio sexual e a questão da ética no jornalismo, a atriz não faz grandes projeções em torno do destino da personagem, que para ela depende principalmente da audiência. "Não crio expectativas para não me frustrar. Faço o que o autor escreve e o diretor manda", afirma. Na verdade, Thalma confessa que não tem sequer televisão em casa e que precisa urgentemente de um aparelho para acompanhar melhor seu desempenho em Andando nas Nuvens.
    A atriz admite que se acha meio perdida nas cenas que grava no fictício Correio Carioca. Com vários figurantes, a idéia é imprimir nas cenas de redação um ritmo parecido com Plantão Médico, seriado que se passa em um hospital e mostra profissionais em movimento constante. "Não descobri como falar o texto, interagir com os personagens e ainda achar o ângulo certo para a câmara", assume a atriz. Por isso, Thalma aproveita as gravações para acompanhar o trabalho dos experientes Hugo Carvana e Antônio Pedro - que interpreta o pernóstico colunista Jacques Delon. "Trabalhar com os dois é uma bênção. Aprendo com eles em cena", revela a atriz, que se impressiona com os improvisos de Antônio Pedro. "Ele muda o texto minutos antes da gravação", espanta-se.
    Mas se a carreira de atriz está em pleno desenvolvimento - já que além de Andando nas Nuvens, ela se prepara para estrear no cinema com o filme O Xangô de Baker Street -, o trabalho como cantora entrou em colapso. Contratada pela Sony Music em 1996 para realizar três discos, a atriz gravou apenas um álbum que não tem previsão de lançamento.
    Nem mesmo o fato de ter interpretado uma cantora em Dona Flor e seus dois maridos fez o disco Thalma - todo baseado na dance music - sair da geladeira da gravadora. "O problema é que meu diretor artístico Jorge Davidson saiu da Sony e fiquei desprotegida. É a gravadora que tem de investir em mim e não o contrário", revolta-se Thalma.
    Se por um lado a atriz se preocupa em não parecer uma cantora frustrada que fica falando mal de gravadora, Thalma faz questão de deixar claro que o fato de ser negra não é empecilho para sua carreira. Para ela, a dificuldade para conseguir trabalhos é a mesma enfrentada por suas inúmeras amigas loiras de olhos azuis, que têm centenas de clones parecidos. "A verdade é que o Brasil ainda não tem um número substantivo de bons atores negros", acredita a atriz.


Instantâneas

    * Thalma tem contrato por obra com a Globo. A exemplo dos atores mais jovens, ela acredita que é melhor ter liberdade para escolher os trabalhos que quer do que ficar presa a um contrato. Depois que acabar a novela, Thalma deve ir para a Europa fazer cursos de inglês e dramaturgia.
    * A atriz concorreu em 1998 com o clipe da música Tanta Coisa como o vídeo de revelação na MTV. A direção e a produção foram assinadas pelo namorado chileno Diego Dussuel, que atualmente mora com Thalma no Rio.
    * A atriz pretende ainda este ano montar um show musical com seu pai, o maestro e arranjador Laércio de Freitas.
    * A personagem com que Thalma mais se identificou foi Marilda, em Dona Flor e seus Dois Maridos. "Era uma espécie de alter-ego, já que ela era uma cantora que queria se dar bem".
    * Um dos maiores ídolos da atriz é Tony Tornado. O ator também participa de Andando nas Nuvens, no papel de Tião Alemão, o dono do café Samba Berlim. "Ninguém reconhece o valor do Tony. Além de um ator maravilhoso, foi ele quem trouxe a soul music para o Brasil", alerta Thalma.

A Gazeta


Sede de romantismo

    Depois de sete anos longe das novelas, a atriz Malu Mader volta ao gênero no papel da cortesã Ester de Força De Um Desejo, a nova novela das 6 da Globo, que estréia amanhã. Na história de época, a musa de Gilberto Braga volta a fazer par romântico com Fábio Assunção, com quem contracenou em Labirinto (1998), seu mais recente trabalho na TV.
    Para a atriz de 32 anos, a produção significa o "retorno ao encanto da profissão", como costuma dizer. Isso porque ela acredita que trabalhou demais dos 16 aos 20 anos. "Chegou um momento em que estava desencantada com a minha vida", diz. "Queria levar uma vida real, ter filhos, essas coisas." Quis e os teve. João está com 4 anos e Antônio, com 1 ano e meio. Ambos são frutos do casamento de quase dez anos com Tony Belloto, guitarrista do grupo Titãs.
    Malu Mader começou a virar habitué das histórias de Gilberto Braga com Corpo a Corpo (1984), em que fazia par romântico com Lauro Corona. A consagração da parceria com o novelista veio dois anos depois, com a minissérie Anos Dourados. A imagem de romântica, firmada pela produção ambientada nos anos 50, não chegou a ser abalada com o papel de noiva virgem que trai o marido na lua-de-mel, em O Dono do Mundo (1991). Ela caprichou no estilo em Anos Rebeldes (1992).
    Desde a época em que resolveu dar um tempo das novelas, até sua volta, Malu Mader chegou a fazer episódios das séries A Comédia da Vida Privada e A Vida Como Ela É. Sua volta em grande estilo foi preparada com o seriado A Justiceira (1997). Mal começou a filmar, no entanto, Malu descobriu que estava grávida do segundo filho, o que terminou por causar mal-estar entre a atriz e o atual diretor da Central Globo de Criação, Daniel Filho, que havia criado o seriado especialmente para a atriz brilhar. Com a gravidez, o projeto foi encurtado.
    Hoje, tudo isso são águas passadas, garante a atriz. Ela se diz uma pessoa de sorte por estar voltando nessa novela. "Ester é do tipo que suspira por amor", afirma. "Isso é encantador."

Estado
- Depois de Paula, em Labirinto, agora Ester, em Força de um Desejo. As prostitutas estão perseguindo você?
Malu Mader - Em comum, elas só têm a profissão. Mas Ester não está mais na ativa. É uma mulher que só transa com o homem que ela escolhe, por prazer. Ester virou prostituta por causa de sua origem pobre, mas é uma pessoa boa. Já Paula era cínica, sem moral, sem compromisso com a ética. Ester, por ser uma cortesã, me permite fazer uma heroína atípica. Ao mesmo tempo, é romântica, suspira e desmaia de amor. Isso é encantador.

Estado - Você ficou sete anos sem fazer novela. O que acha de voltar numa produção de época?
Malu - Desde a minissérie Anos Dourados não via um texto tão romântico. Quando li os capítulos de Força de um Desejo, fiquei emocionada com a força da história. Tive muita sorte de pegar essa trama ao voltar às novelas. Os personagens são bem definidos, você sabe quem é o vilão e quem é o mocinho.

Estado - Atualmente, as novelas não mostram bem essa diferença?
Malu - Não tenho visto muito, mas acho que as coisas estão um pouco dúbias. Sempre fui noveleira. Coincidentemente, desde que comecei a trabalhar na televisão e, principalmente, a fazer novelas, passei a ver menos. Não sei bem por que, mas não tenho tido vontade. Mas Força de um Desejo eu veria, mesmo que não estivesse no elenco. Iria ter bastante vontade de ver porque sinto que há um grande entusiasmo ao fazê-la e isso vai aparecer na tela.

Estado - Então, o problema das novelas é a falta de entusiasmo da equipe?
Malu - É o seguinte: muita gente acha que é só ir para a TV. Eu sou de uma época em que se fazia o Tablado (conceituado curso de teatro, no Rio), em que a gente se envolvia nos projetos com paixão e entusiasmo. Às vezes, parece que o pessoal está só batendo o ponto. A tendência da maioria dos atores é achar que fazer novela não é algo importante. Eu mesma, pode ser que já tenha trabalhado por conveniência. Nem sempre a gente consegue ficar totalmente envolvida num projeto. Desta vez, o que sinto é um grande envolvimento de todos. Da minha parte, acho que há um retorno ao encanto da profissão.

Estado - Por quê? Por acaso, você estava desencantada?
Malu -- Admito que vivi momentos menos apaixonantes. Dos 16 aos 20 e poucos anos, eu trabalhei sem parar. Chegou um momento em que estava desencantada com a minha vida. Eu queria ter uma vida real, poder sair, almoçar com a família, ser mais caseira e, principalmente, ter filhos.

Estado - E agora?
Malu - Agora me preparei para voltar à loucura porque deu saudade de trabalhar. Acho até que vai ser bom para as crianças, porque eu fico muito grudada nelas. Mesmo agora, vou fazer o possível para continuar levando ou buscando os dois no colégio. Na verdade, é mais difícil levar, porque não gosto de acordar cedo.

Estado - Depois da gravidez, você recuperou sua forma facilmente?
Malu - Mais ou menos. Na minha primeira gravidez, engordei 14 quilos, mas na segunda, foram 23. Aí, eu realmente precisei entrar na dieta, porque sou atriz. Mas não gosto de malhar. Vivo tendo de disciplinar-me. Quando consigo ficar bem, relaxo, aí tenho de fechar a boca outra vez. Aliás, estou sentindo que estou precisando fechar a boca outra vez.

Estado - O que acha de repetir o par romântico de Labirinto?
Malu - Repetir pares faz parte desse processo. Os exemplos de Tarcísio Meira e Glória Menezes, Regina Duarte e Cláudio Marzo estão aí. Mas, nesse caso, foi mesmo coincidência. Fábio foi convidado, apaixonou-se pela história e quis fazer. Eu estava escalada para a novela das sete (Andando nas Nuvens), mas a produção atrasou, eu tive uns problemas e não pude fazer.

Estado - E nisso, acabou em mais uma novela do Gilberto Braga?
Malu - Isso é uma coincidência feliz da minha vida. Como já conheço Gilberto Braga e somos amigos, tenho segurança de estar participando de uma novela dele.

Estado - Por serem amigos, você costuma falar com ele quando acha que algo não vai bem com uma personagem sua?
Malu - Até me sentiria à vontade para falar com Gilberto, se fosse o caso, mas não gosto de usar a nossa amizade para esse tipo de coisa.

Estado - Por ter ficado tanto tempo sem fazer novela você se sentiu "enferrujada" ao voltar?
Malu - Quando fiz Labirinto, senti uma certa dificuldade com o volume de cenas que tinha de gravar. Admito que fiquei estressada. Agora, como já fiz um aquecimento com a minissérie, está mais fácil. Acho que isso é muito comum em qualquer trabalho. Sempre se sente uma certa dificuldade quando se volta depois de um tempo parado.

Estado - Gostou do seu visual para a novela?
Malu - Gostei e já me acostumei. Quando sugeriram que eu tivesse o cabelo mais comprido, achei curioso. Eles colam cabelo no seu cabelo. Estava precisando chegar duas horas antes do início das gravações para arrumar-me. Agora, já levo só uma hora e meia (risos). Se eu tivesse de cortar o cabelo bem curtinho, teria mais dificuldade para adaptar-me, porque sempre usei cabelos longos.

Estado - Você e Tony Belloto vão fazer dez anos de casados. Como vai o casamento?
Malu - Realmente, ele é um cara especial. Tony cresce no dia-a-dia. É até chato ficar falando, mas ele é a minha cara-metade. Gosto muito dele, cada vez mais.

Estado - Os dois são muito assediados. Como fica o ciúmes?
Malu - Sou ciumenta e acho que quem gosta tem o medo de perder. Mas mudei, porque amadureci e não exerço mais o ciúmes. Já fui de armar barraco, mas o ciúme é nefasto. Tony é tranqüilão. Ele já tinha essa maturidade quando nos conhecemos e, na verdade, foi ele que acabou por instaurar essa situação. Hoje, jamais vou me importar se ele der uma palheta para uma fã. Quando estou no ar, às vezes nos reunimos e vemos o programa juntos sem o menor problema. Nos damos liberdade e isso é fundamental na vida.

OESP



O humor casual de Júlia Lemmertz

    A atriz Júlia Lemmertz levou um susto ao ler a sinopse de Andando Nas Nuvens. Segundo ela, a personagem Lúcia Helena não passava de uma "perua" de 40 anos que resolve morar com a sogra só para se reaproximar do ex-marido, por quem continua apaixonada. Convicta de que não tinha nada a ver com a personagem, Júlia tentou pleitear outro papel na novela das sete. Acabou, no entanto, sendo convencida a aceitar o convite pelo próprio autor, Euclydes Marinho, que decidiu rejuvenescer a personagem para que Júlia pudesse interpretá-la. "No começo, achei que não fosse dar certo. Mas é tão raro estrear um autor que nunca escreveu novela, que resolvi dar um voto de confiança para o Euclydes", justifica.
    Além disso, Júlia sentiu-se atraída pela possibilidade de interpretar o primeiro tipo engraçado da carreira. Nos trabalhos anteriores, ela se revezou entre heroínas sofridas, como em Guerra Sem Fim, da Manchete, e vilãs maquiavélicas, caso de Zazá, da Globo. Atualmente, ela dispõe de bons motivos para exercitar a veia cômica. Afinal, Lúcia Helena é uma neurótica assumida que, até hoje, acredita que foi abandonada pelo marido por causa de indesejáveis "pés-de-galinha". Para reconquistá-lo, não hesita sequer em colocar silicone nos seios. "Quando penso na velhice, rezo para que ela venha com saúde física e mental. Não me preocupo com rugas e acho difícil entrar na faca algum dia", garante.
    Aos 36 anos, Júlia Lemmertz realmente não tem porque se preocupar. Com 1,78 m de altura e 60 quilos, a atriz não sofre para manter a boa forma. Embora tenha parado de fazer ginástica, procura sempre dar uma volta em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, ou pedalar na bicicleta ergométrica. Os exercícios visam dar fôlego à atriz que, atualmente, concilia as gravações de Andando Nas Nuvens com a peça As Três Irmãs, texto de Anton Tchekhov montado por Henrique Diaz. "Não faço distinção entre cinema, teatro ou tevê. O problema é que, na tevê, você faz duas cenas bacanas e só. Novela é um trabalho muito descartável", lamenta.
    - Por que você hesitou em aceitar o papel de Lúcia Helena em Andando Nas Nuvens?
    - Quando li a sinopse, achei que não tinha nada a ver com a personagem. Somos diametralmente opostas. Além do mais, segundo a sinopse, a Lúcia Helena teria bem mais de 40 anos. Ela era uma mulher que vivia "recauchutando" uma coisinha aqui e outra ali. Na mesma hora, falei com o Dênis Carvalho que não ia dar certo. Mesmo assim, ele resolveu arriscar. Para falar a verdade, fui convencida a fazer a novela pelo próprio Euclydes Marinho. Gosto muito das coisas que ele escreveu, como Ciranda Cirandinha e Malu Mulher. Ele sabe como retratar o difícil relacionamento a dois.
    - O que mais chamou sua atenção na personagem Lúcia Helena?
    - A Lúcia é uma mulher imatura emocionalmente, que alimenta uma fixação quase infantil pelo Chico Mota. Ela também é muito destrambelhada no que diz respeito à estética. Não pensa em outra coisa na vida além de fazer plástica ou colocar silicone nos seios. Ela só aumentou o número do sutiã porque sabe que o Chico gosta de mulher de peito grande. Até hoje ela pensa que o marido só saiu de casa por causa dos "pés-de-galinha". Nunca estive tão longe de uma personagem quanto estou agora. Por isso mesmo, interpretar esse papel tem sido um parto a fórceps.
    - Você teve alguma preocupação especial na hora de compor a personagem?
    - Esta foi a primeira vez que não tive qualquer preocupação em compor personagem ou fazer laboratório. Decidi que não ia perder tempo para descobrir porque a Lúcia Helena age desta forma. Além disso, não me inspirei em ninguém para interpretá-la. Mesmo porque não conheço ninguém tão destrambelhada quanto a Lúcia Helena. Sei que existem mulheres que vivem em função das aparências, mas não quis dar nenhuma forma particular a ela. O que sei é que ela é muito espontânea. Estou me divertindo muito com a Lúcia Helena. Novela foi feita mesmo para divertir. A idéia de ficar chorando nove meses não faz a minha cabeça.
    - Qual é a expectativa de interpretar o primeiro personagem cômico de sua carreira?
    - Nunca pensei em fazer comédia na tevê. Acho até que esta é uma vontade específica da Globo, que me convidou para interpretar esse personagem. A emissora, às vezes, tem a mania de rotular os atores. "Bem, esses são atores cômicos... Já aqueles são atores dramáticos..." O convite para fazer a Lúcia Helena está servindo para eu desenvolver outras facetas. No entanto, não vejo isso como a grande oportunidade da minha vida para mostrar meu lado cômico. De jeito nenhum. Se o resultado está engraçado no vídeo é porque estou me divertindo um bocado fazendo esse papel.
    - Mas a chance de interpretar um tipo engraçado não representa um diferencial numa carreira marcada por heroínas sofridas e vilãs maquiavélicas?
    - Acho que sim. Mesmo porque fazer rir é mais difícil do que fazer chorar. Justamente porque não existe uma técnica específica. É dom mesmo. Além do mais, você tem de arriscar sempre. A Fabiana, de Zazá, por exemplo, começou a novela como mocinha ingênua e terminou como megera. Particularmente, adorei. Afinal, já fiz muita mocinha sofrida na tevê. Desta vez, resolvi não alimentar expectativas quanto ao futuro da personagem. Ela vai terminar com o Chico? Sinceramente, não quero saber...
    - Por quê?
    - Porque você se esforça, faz e acontece e nem sempre é correspondido nas expectativas. Às vezes, a audiência da novela está ruim, o autor se vê obrigado a mudar o perfil dos personagens e assim por diante. Você se transforma numa mera engrenagem dentro de uma máquina de moer carne. Mas existem outras compensações. O ritmo ágil da tevê obriga o ator a ficar mais esperto no teatro ou no cinema. É claro que, se fizesse só tevê, me sentiria infeliz. Mas uma coisa completa a outra. Afinal, tudo é trabalho. Não gosto de fazer distinção entre uma coisa e outra. Nem consigo me imaginar fazendo qualquer coisa por dinheiro ou por obrigação. Faço porque é o que gosto de fazer.
    - Você trabalha numa profissão que privilegia muito o lado estético. A idéia de envelhecer não chega a assustar?
    - Não paro muito para pensar sobre a velhice. Não dá para achar que vou viver eternamente ou coisa parecida. Não vou, nem quero. Que vantagem levo nisso? Quero envelhecer com saúde, ter os meus filhos e netos e assim por diante. Atualmente, caminho, nado e malho eventualmente, porque sei que isso é importante na minha carreira. Mas não faço isso por uma preocupação estética e sim porque quero viver com saúde. Isso sem falar que não sou astronauta. Não vivo num foguete. A lei da gravidade está aí. Chega uma hora em que tudo começa a cair. Não fico grilada com esse negócio de plástica. Pelo contrário. Se tivesse algum defeito grave que atrapalhasse minha carreira, até faria. Caso contrário, não entro na faca, não.
    - Em 97, você enfrentou a maratona de gravar Zazá por quase 11 meses. Que avaliação você faz da novela?
    - Apesar de todo o corre-corre, gostei de fazer Zazá. E por um motivo muito simples. Tive o prazer de contracenar com a Fernanda Montenegro. Sem dúvida, gravei para caramba, mas a gente se divertia à beça nos bastidores. Confesso que, quando a novela acabou, me senti aliviada. Depois de um trabalho longo como Zazá, é legal você ficar um tempo sem aparecer no vídeo. Neste período, fiz apenas um episódio do Mulher e outro do Você Decide. A Globo foi ótima porque me liberou para fazer outros trabalhos. Chegou a minha vez de retribuir a gentileza.
    - Como você faz para conciliar as gravações da novela com outros compromissos profissionais, como teatro e cinema?
    - Fiquei praticamente um ano sem fazer novela. Chega uma hora em que a direção da emissora começa a cobrar sua participação num trabalho mais longo. Afinal, novela ainda é o principal produto da casa. Quando recebi o convite para trabalhar em Andando nas Nuvens, expliquei ao Dênis que estava excursionando com a peça As Três Irmãs. A Globo sempre foi muito aberta quanto a isso. Eles nunca criaram caso. Sempre deu para conciliar as coisas. Se tiver que fazer um malabarismo qualquer, eu faço. Quando me disponho a fazer alguma coisa, quero fazer direito. Afinal, se não fosse essa novela, seria a próxima. Novela não termina nunca. O problema é que, numa novela, você só faz três ou quatro cenas bacanas. O resto é enrolação mesmo...
    - A Globo nunca torceu o nariz por você já estar apresentando o programa A Revista do Cinema Brasileiro, na Rede Brasil, há quase quatro anos?
    - Acho até que eles já se esqueceram disso... Para falar a verdade, eles me liberaram para fazer esse trabalho. Na época, o presidente da TVE mandou um fax pedindo autorização para o Boni. O programa é exclusivamente sobre cinema nacional. Ele não concorre diretamente com nenhum outro produto da Globo. Outro dia, fui contar e vi que, nesta brincadeira, já gravei 158 programas. Já tentei sair algumas vezes, mas nunca consegui. Sempre fico com saudades do programa e volto correndo para lá, derrama-se.


Dupla dinâmica

    Em 1990, Júlia Lemmertz resolveu fazer um teste para o filme Mil e Uma, da cineasta Susana Moraes. A atriz perdeu o papel de protagonista para Giovanna Gold, mas teve a oportunidade de conhecer o ator Alexandre Borges. Três anos depois, os dois voltaram a se encontrar na peça Ham-let, de José Celso Martinez Corrêa. Na ocasião, Júlia foi convidada pelo diretor Marcos Schetmann para trabalhar na novela Guerra Sem Fim, da Manchete. Na mesma hora, lembrou de recomendar o então amigo Alexandre Borges ao diretor da novela. "Desde aquele dia, rolou uma profunda empatia entre a gente", recorda.
    Desde então, Júlia Lemmertz e Alexandre Borges não se separaram mais. Na tevê, trabalharam juntos nas novelas Quem é Você e Zazá, da Globo, e na minissérie Mangueira: Amor à Primeira Vista, do Multishow. No teatro, não foi diferente. Depois de Ham-let, os dois emplacaram a peça Eu Sei que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor, e excursionaram por 45 dias pela Alemanha e Portugal. Este ano, Júlia morreu de saudades do fiel companheiro quando começou a ensaiar a peça As Três Irmãs. "Tudo o que ele fala é muito pertinente. Amadureci barbaramente depois que comecei a trabalhar com ele", elogia.
    Casada há cinco anos, Júlia assegura que nunca fez qualquer tipo de exigência para trabalhar ao lado do marido. Mesmo assim, ela torce para que a parceria seja retomada na minissérie Amor que Fica, a seqüência de Mangueira: Amor à Primeira Vista, que o cineasta Marcos Altberg está produzindo para o Multishow. Enquanto a minissérie não sai do papel, Júlia adianta que gostaria de ter outro filho assim que a novela Andando nas Nuvens chegar ao fim. "Minha filha, Luíza, de 10 anos, está louca para ter um irmãozinho. Além disso, já tenho certeza de que quero envelhecer ao lado do Alexandre", derrama-se.


Tela de sucessos

    A precoce Júlia Lemmertz nunca pestanejou na hora de responder sobre o que gostaria de ser quando crescesse. Filha dos atores Lílian Lemmertz e Linneu Dias, ela praticamente cresceu entre as coxias do teatro e os sets de filmagem. Já aos seis anos, acompanhava a mãe aos ensaios da peça Esperando Godot, de Samuel Beckett. De tanto assistir ao espetáculo, já sabia o texto de cor e salteado. Aos oito, porém, estreou no cinema. Em Cordélia, Cordélia, de Rodolfo Nanni, Júlia interpretou a versão infantil da personagem da mãe, uma secretária dividida entre o amor do patrão e de um vendedor de carros. "Outro dia, aluguei esta fita na locadora e fiquei maluca. De fato, nós éramos muito parecidas", compara.
    De lá para cá, Júlia procurou contrabalançar a carreira entre o teatro e o cinema. Só no ano passado, participou de dois espetáculos teatrais - Eu Sei que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor, e As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, - e quatro filmes. Por conta disso, precisou se desdobrar para interpretar os mais diferentes papéis em A Hora Mágica, Tiradentes, Um Copo de Cólera e Até que a Vida nos Separe. O entusiasmo com a sétima arte é tanto, que a atriz não pensou duas vezes na hora de tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar na finalização de Um Copo de Cólera, de Aluízio Abranches. "Não me arrependo de nada do que fiz. Sinto orgulho de cada fotograma do filme", enfatiza.
    Considerada uma das atrizes mais assíduas da nova fase do cinema nacional, Júlia não deve sair de cartaz tão cedo. Atualmente, ela pode ser vista como a mulher do inconfidente Joaquim José da Silva Xavier no filme Tiradentes ou como uma jornalista que trava um intenso embate sexual com um intelectual no filme Um Copo de Cólera. Até o final do ano, Júlia Lemmertz volta às telas no filme Até que a Vida Nos Separe, de José Zaragoza. Desta vez, ela interpreta uma bem-sucedida publicitária que vive às turras com um investidor da Bolsa de Valores. "Sempre gostei de conciliar teatro, tevê e cinema. Não deixa de ser cansativo, mas é uma maneira divertida de me reciclar profissionalmente", acredita.

Correio de Cuiabá


Talk não é mais Show

    As avaliações de fevereiro para as audiências dos programas de entrevistas diários não são nada boas nos Estados Unidos. Apenas um programa não perdeu espectadores desde fevereiro de 1998, com significante declínio. Jenny Jones teve uma baixa de 18%, Rosie O'Donnell perdeu 16%, Montel Williams está indo para os 17%, e até mesmo a poderosa Oprah Winfrey está caindo 18%.
    Jerry Springer, o chamado "Ratinho Americano" está deslizando nos 10% de declínio. Somente 'Judge Judy' (Juiz Judy) não perdeu audiência.
    "O gênero de talk-show, durante muito tempo, foi a força predominante da programação diária da televisão", nos diz Bill Carroll da Katz Television. Aqui no Brasil, por baixo, eles poderiam ser comparados às novelas diárias, que também estão decaindo.
    Embora a audiência diária tenha aumentado para os talk shows americanos, os programas de entrevistas perderam audiência porque o público migrou para outros gêneros. Sem contar que alguns espectadores migraram para TV a cabo.
    Judge Judy é um tipo de tribunal, onde se resolvem vários tipos de casos. Judy está claramente numa audiência crescente com 60% das pesquisas realizadas de Fevereiro de 98 para cá, e já conquistou 9.9 milhões de espectadores nos últimos meses.
    Toda game-show dura pouco tempo sendo reprisado nas redeas americanas, com exceção de Wheel of Fortune (Roda da Fortuna) e Jeopardy!. Com o tremendo sucesso do show, a Juíza Judy Sheindlin exigiu a renegociação do contrato com o produtor do show. (O porta voz da distribuidora recusou comentário).
    Entre os competidores de Judy está Howie Mandel, que não deverá ter nova temporada. Mas os programas em reprise estão em busca da linha de entrevista de Roseanne, baixo avaliado, e Donny & Marie, que poderá voltar na próxima temporada.
    Desde 1994 está acontecendo uma erosão na audiência dos talk shows. O programa de Oprah, por exemplo, está decaindo desde a temporada de 92, isso quem fala é o analista Marc Berman, da revista SELTEL TV. O que nota-se é que ano passado foi o ano mais severo para os programas de entrevistas.
    Outro tipo de programa de entrevistas que está decaindo é o dos bastidores da TV, como "Real TV", "Hard Copy", e o estreante "Martha Stewart Living", que tiveram queda de audiência de 20 %.


Teletubbies: enfim uma mania inocente

    Respondem por Tinky Winky, Dipsy, Laa-Laa e Po os novos heróis dos brasileiros de um a cinco anos de idade. Protagonistas do Teletubbies, o programa que começa a preencher a lacuna aberta na Rede Globo pela falta de atrações condizentes com a mentalidade pré-escolar, o quarteto aparece na televisão 60 minutos por dia, no programa de Angélica, desde 11 de janeiro. Cria da produtora inglesa Ragdoll Productions, a série acumula um mérito inédito entre as atrações infantis da emissora: diverte, encanta e educa, sem apelar para o erotismo ou para a violência.
    Erotização, violência e consumismo incentivados pela televisão macularam a reputação das emissoras e criaram nos pais uma aversão quase intransponível aos programas infantis. “Não vejo em quê eles contribuem para a cidadania e a criatividade das crianças”, afirma a bióloga Glória Malavoglia, mãe de Júlia e Laura.
    Crítica feroz dos programas pilotados por loiras de figurinos justos e curtos, Glória só liga a televisão para que as filhas vejam alguns desenhos do Cartoon Network e os programas da TV Cultura. Os Teletubbies, porém, não são reprovados por seu crivo.
    O sucesso do programa pode ser medido por seu crescimento dentro da grade de programação da Globo. Inicialmente exibido de segunda à sexta das 8h30 às 9h, logo ganhou mais uma faixa, das 10h30 às 11h e, desde o começo deste mês, a reprise de um episódio antecede ao programa da Xuxa, aos sábados, das 8h30 às 9h. Este último acréscimo aconteceu, segundo a divulgação da emissora no Rio de Janeiro, porque o Ibope dobra nos quase 30 minutos em que o quarteto está no ar.
    Inimigos adultos - Roliços, meigos e alegres, os Teletubbies prendem a atenção das crianças porque imitam a linguagem, o gestual e as brincadeiras dos bebês de um ano aos pré-escolares de cinco anos de idade. Esse sucesso fez com que os personagens se tornassem alvo da ira de adultos, principalmente em sites da Internet – normalmente apócrifos e irresponsáveis, como tantos outros que existem na rede. Mas há também os sites oficiais, que reforçam o caráter educativo do programa, como o da BBC inglesa (www.bbc.co.uk/education/teletubbies). Para alívio dos pais, porém, a mensagem subliminar do programa não é nociva.
    A pedido do JT, a professora de psicologia clínica da Universidade de São Paulo (USP) e doutora em psicologia Leila Cury Tardivo assistiu à série e concluiu que ela é adequada à primeira infância. “Tive a impressão de que foi feita por psicólogos e educadores”, diz Leila. “Os bonecos são carinhosos, gostam de se tocar, como as crianças dessa idade. E o programa usa as cores preferidas nessa faixa etária, é bonito, bem-feito e se vale da repetição, o que é necessário para que a criança aprenda.”
    Isentos da culpa de estimular o erótico, os Teletubbies pecam pelo extremo oposto, a negação do sexo. “Os bonecos são assexuados, o que dificulta a identificação com o próprio sexo”, afirma Leila. Embora não se visualize as diferenças sexuais entre os bebês eletrônicos, Tinky Winky e Dipsy são apresentados como meninos, e Laa-Laa e Po, como meninas.
    Por usar uma bolsinha, Tinky Winky foi alvo de uma campanha nos EUA contra o programa, que alegava que o personagem trazia uma mensagem subliminar gay. Isso introduziu os telespectadores no debate sobre preconceito. “É verdade que vão tirar o Tinky Winky porque ele é gay?”, pergunta Mayara Zolko, sete anos, que virou atração na escola ao levar uma réplica de Po de 50 centímetros de altura, trazida dos EUA.
    Prêmios - Produzida em 1997 e inicialmente exibida na BBC, Teletubbies é apresentada em 23 países e já coleciona prêmios. Ganhou seis só na Grã-Bretanha, entre os quais o Third British Academy Children’s Awards, o de melhor programa pré-escolar. Outro atestado de qualidade é o reconhecimento das redes educativas, o que a Ragdoll desfruta. Um exemplo é a TV Cultura brasileira, que adquiriu episódios de outra série produzida pela produtora inglesa, a Tote TV, ainda sem data para estrear.
    Um dos elogios unânimes à série é o incentivo para que a criança explore o mundo. Por meio de códigos sonoros e visuais, ela é estimulada a perceber quando algo novo vai aparecer, o que ajuda no desenvolvimento do raciocínio lógico. Mas é na hora em que a barriga dos bonecos se transforma numa tela de televisão que o programa ganha sua porção educativa.
    Os inserts, produzidos em cada país onde é exibida a série (leia na página ao lado), mostram crianças desenvolvendo atividades comuns à sua idade – como alimentar patos e galinhas, dar banhos em pôneis e cachorros, brincar no zoológico, ir ao dentista, ajudar os pais a construir pipas ou cozinhar.
    Fanatismo - Para a psicóloga Leila, as novelinhas com crianças reais são louváveis também por valorizar os relacionamentos familiares, já que muitas cenas unem pais e filhos. Preenchendo a tantos quesitos básicos à aceitação infantil, os Teletubbies têm tudo para se alastrar em escolas e lares como a coqueluche do ano – e este é seu perigo. “É bom não se deixar fanatizar pelos bonecos, evitando que a criança brinque só disso.”
    A solução encontrada pelo produtor Almir Rosa é negociar com a filha, Ana, de quatro anos, que ela assista ao programa em troca de também ir ao teatro ou escutar um bom disco. No mesmo caminho segue a arquiteta Miriam Zolko, mãe de Mayara. “Acho importante que minha filha tenha acesso a todo tipo de informação para poder escolher o que prefere ver”, pondera Miriam.

JT


Ela faz a comédia da mãe ingênua

    Recentemente, uma das cenas mais comoventes da novela Suave Veneno foi protagonizada por Eva Todor. Como a ingênua e bondosa Maria do Carmo, mãe de Uálber (Diogo Vilela), ela defendeu como uma leoa o filho gay, que estava sendo alvo de chacota na rua ao fazer seu show de levitação.
    Apesar de ter o sucesso como uma constante na carreira iniciada aos 14 anos, Eva admite que nunca lhe pediram tantos autógrafos na rua. Como todos os personagens da novela de Aguinaldo Silva, a dócil Maria do Carmo está para revelar-se não tão dócil. Na opinião da atriz, a virada ocorrerá com a chegada de Genival, o marido desaparecido, interpretado por Jorge Dória. No início, Maria do Carmo vai produzir-se toda para reencontrá-lo. Depois, ficará decepcionada ao perceber que ele só está interessado no sucesso do filho.
    A possibilidade de uma virada romântica da personagem não agrada à atriz. "Nunca beijei em cena e não vai ser agora que vou fazer isso", afirma. "Não tenho mais idade." Foram os maridos que dificultaram os beijos da ficção. Eva foi casada duas vezes. A primeira vez com Luiz Guilherme, por 22 anos. Dois anos e meio após sua morte, casou-se com Paulo Nolding, com quem viveu por 25 anos. Está viúva há oito. Não teve filhos. Hoje, diz que não se sente solitária, apesar de viver só. "Tenho meu trabalho", afirma.
    No apartamento onde mora há 45 anos, no Flamengo (zona sul do Rio), vive cercada de mimos dos empregados e vizinhos. Vaidosa, não revela a idade, apesar de dizer que fez questão de envelhecer, ao contrário das atrizes "que insistem no papel de bonitonas que namoram meninos."
    Se suas personagens na TV têm sempre um lado cômico, é porque a atriz gosta de cultivar o jeito "taralhoca", como ela diz. "Isso faz parte do estilo Eva Todor que criei."
    Estado - No início da novela, Aguinaldo Silva disse que nenhum personagem seria o que parecia ser. Isso vale também para a Maria do Carmo?
    Eva Todor - Aguinaldo é um grande escritor e escreve muito bem para mulheres. Não tenho a pretensão de ser uma grande personagem na novela dele. Mas, como Maria do Carmo se revelou importante, tenho a impressão de que ela não é bem o que parece ser. É meiga, "taralhoca", abilolada e cegueta porque não percebe como o filho Uálber é. Se percebe, não diz, por amor ou respeito. De repente, surge o marido desaparecido. Aí é que ela pode vir a mudar. Vai produzir-se toda para sair atrás dele.
    Estado - Seria outra Carlota (a provocante personagem de Betty Faria) na história?
    Eva - Não! Ela se produz de outro modo. É só mais um pouco bonitinha, com um vestido vermelho. Na verdade, ela é louca pelo filho, que é um superfilho. Ela é tudo na vida dele. Ele só quer saber da mãe, nem se importa com outros tipos de amor. E vai ser contra o reencontro dela com o pai. Ela vai pedir a ele que seja tolerante com o retorno do pai.
    Estado - Vem aí uma virada romântica para a Maria do Carmo?
    Eva - Não tenho mais idade para isso. Ela vai perceber que o marido está de olho no sucesso do filho e é aí que ela vai mudar. Ela vai rebelar-se contra esse marido, virar uma mulher autoritária e violenta. Essa é a minha impressão.
    Estado - O que a senhora mais gosta de fazer: uma "taralhoca" ou uma autoritária?
    Eva - Gosto das duas coisas porque gosto de transições. Não gosto de papéis de uma faceta só porque não despertam interesse no público.
    Estado - A senhora costuma sempre fazer "taralhocas", não?
    Eva - Já me disseram que na Globo há um computador que ajuda a montar elencos. Quando há uma personagem de meia-idade, cheirosa, arrumadinha e maluca, surge logo o nome Eva Todor. Pode ser que essa carapuça me sirva. Na verdade, acho que é uma característica de tudo o que fiz desde os meus 14 anos, quando comecei. Criei o gênero Eva Todor, que é meio maluca, meio ingênua, pode virar leoa e tem um lado sentimental. Sou uma comediante, não atriz dramática.
    Estado - A senhora gosta de ser identificada como "taralhoca"?
    Eva - Gosto, porque criei o tipo. Já fiz muito papel de menina doida, ousada, mas nunca de mulher vamp. Um dia, meu primeiro marido, que administrava minha carreira, falou que estava na hora de parar de fazer as meninas e passei logo a fazer as velhas, personagens que tinham mais idade do que eu.
    Estado - Não estranhou a diferença?
    Eva - Não, foi bom. Nada me ocorreu como ocorre com atrizes de hoje, que são bonitas e, aos 40 anos, passam a fazer o tipo da dona que corre atrás de menino de 20. Não faz o meu gênero.
    Estado - E se pintasse um romance, na novela?
    Eva - Deus me livre. Não quero nem em novela nem fora de cena, porque não gosto. Não combina. Tive um marido por 22 anos e outro por 25. Nunca abandonei ninguém, nem ninguém me abandonou. Os dois apenas fizeram a sujeira de morrer.
    Estado - Quem está com disposição para encarar uma novela não pode recusar-se a namorar.
    Eva - Sou uma pessoa só, mas não sinto solidão. Tenho vários empregados que são como minha família. Todos cuidam muito bem de mim. Além disso, tenho meu trabalho. Deus permita que possa sempre trabalhar e a Globo me queira sempre trabalhando.
    Estado - Mas a idéia de Maria do Carmo viver um romance com o ex-marido (Jorge Dória) não lhe agrada?
    Eva - Eu não toparia, mesmo. Jamais beijei alguém em cena e não vai ser agora que vou beijar. O próprio Jorge Dória foi meu contratado numa companhia de teatro por seis anos, atuou como galã e eu nunca o beijei.
    Estado - Foi por causa dos maridos?
    Eva - Eles não deixavam e eu também não queria.
    Estado - Mas, agora, a senhora não tem mais marido.
    Eva - Mas agora estou muito velha para isso.
    Estado - As atrizes reclamam que, depois de uma certa idade, é difícil ter personagens para elas na TV.
    Eva - É porque elas não envelhecem, não sabem envelhecer. Eu envelheço. No teatro, você pode escolher o papel mais adequado à sua idade. Mas o pessoal da Globo foi muito paternal comigo. Eles me chamaram para ser funcionária. Sou muito amparada, querida e prestigiada. Eles me chamam para trabalhar, então, o que vou fazer no teatro? Chatear-me?
    Estado - A senhora gostaria que o autor fizesse Uálber assumir o homossexualismo para discutir essa questão?
    Eva - Sim, acho isso interessante. Não há porque ter preconceito contra isso. Conheço vários homossexuais e são pessoas muito corretas.
    Estado - Em Torre de Babel o autor Silvio de Abreu não pôde manter o casal homossexual por causa da reação negativa do público. O que acha disso?
    Eva - Duas mulheres chocam mais que dois homens juntos. Não sei. Prefiro homem, nesse caso, a mulher. Não censuro, aceitaria até. Mas não sei o motivo, acho que um casal feminino é mais berrante, chama mais atenção.
    Estado - Como tem sido a reação das pessoas diante de Maria do Carmo?
    Eva - Pela reação na rua, ela é um sucesso. Nas situações mais embaraçosas, junta gente e não dou conta de dar atenção a todos. Outro dia, estava num shopping e uma pessoa me pediu autógrafo. De repente, juntou tanta gente que fui recuando até que o segurança de uma loja puxou-me para dentro e fechou a porta. Isso é uma confirmação de sucesso, mas não gosto quando ocorre, porque magoa quem fica do lado de fora. Os fãs não fazem mal, no caso só atrapalharam uma compra que eu ia fazer.
    Estado - A senhora começou a carreira artística aos 14 anos. É mais fácil começar com essa idade agora do que foi na sua época?
    Eva - Agora está mais difícil porque há muita concorrência. Na minha época, não era comum mocinhas no teatro. Não sofri o preconceito que outras moças sofreram porque minha família aceitou bem, apesar de eu ser filha única. Então, como não havia essa invasão de jovens que há hoje, chamei atenção. Tudo é uma questão de talento, beleza, mas também de sorte. Eu diria que sorte representa 90% disso.

OESP


Doherty agora leva uma vida "encantada"

    Shannen Doherty, que os tablóides do começo da década declaravam estar levando uma vida de longas festas e comportamento irregular, deixou esse negro período de Barrados no Baile para trás. Ela tem um novo seriado de sucesso na Warner, chamado Charmed (no Brasil, é apresentado pela Sony), e Doherty, 27, diz que hoje é uma pessoa diferente.
    "Eu aprendi tanto sobre quem eu sou e o que eu quero; então, de uma maneira estranha eu estou feliz de ter passado por isto", diz, em uma entrevista no seu trailer, decorado com fotografias de sua família. "Eu penso que isso me fez uma pessoa mais forte e melhor".
   Charmed (quintas, às 10 da noite) conta a história de três irmãs que são bruxas, co-estrelada por Alyssa Milano (Who's the Boss?) e Holly Marie Combs (Picket Fences).
   Charmed está empatado com Buffy the Vampire Slayer como o segundo programa (atrás de Sétimo Céu) mais assistido no canal Warner nos Estados Unidos, entre espectadores de 18 a 49 anos. Pega 100% da audiência dessa idade que assiste ao líder Dawson's Creek.
    Os espectadores gostam da relação entre as irmãs, Doherty diz. "É uma série tipo 'girl power'. É divertido, e nós não nos levamos muito sério."
    A atriz não se lembra tanto da era Barrados no Baile. ("Isso foi há muito tempo atrás"). Mas conversa alegremente sobre Charmed. "Eu trabalho com duas grandes atrizes que são meninas engraçadas, opiniosas, fortes e realmente boas. Nós somos como irmãs de verdade".
    O produtor executivo de Charmed, Brad Kern, leu sobre o passado de Doherty e "preparou-se para uma batalha", mas diz que isso não aconteceu. "Eu ainda tenho que testemunhar o que eu li sobre isto. Shannen é uma excelente profissional... Tudo aconteceu quando ela era jovem. Eu provavelmente também era assim, mas ninguém noticiou, porque eu não era uma celebridade."
    Doherty, que foi casada brevemente com Ashley Hamilton durante Barrados no Baile, namorou no último verão o diretor Rob Weiss (Amongst Friends), mas diz que essa relação acabou.
    Ela confirma que fez muita meditação depois que ela e a Spelling Television concordaram em separar os caminhos.
    "Não trabalhar muito durante os últimos cinco anos foi realmente importante para mim", ela diz. Ela passou o tempo tocando violão, estudando fotografia e viajando. (Ela planeja visitar Belize com sua colega Combs.)
    "Eu precisei juntar meus pedaços, enfocar em quem eu era e quem eu queria ser e como eu queria me conduzir. Eu não penso que você possa fazer isso, quando você é consumido pelo trabalho todo dia, porque isso lhe dá uma desculpa para esconder-se dentro de si mesmo".
    E quem é Shannen Doherty agora?
    "Alguém que realmente é dedicado ao seu trabalho, e alguém que aprecia as coisas... Eu gosto de levantar de manhã às cinco horas e ter um trabalho para ir. Eu gosto das pessoas que eu tenho em minha vida. Eu sou alguém com muita paz interior, alguém que cresceu muito."
    O sucesso é mais doce na segunda vez? "Sucesso é doce a qualquer hora", ela diz. "Perceber que há pessoas que gostam de você e que querem lhe apoiar, é sempre maravilhoso."
    "Apenas lembre que amanhã eles podem lhe odiar."


Lindsay Price, de Barrados no Baile, conta o que acontece nas gravações

    A atriz Lindsay Price, de Barrados no Baile, diz que não é difícil fingir que está atraída pelo astro do seriado, Ian Ziering.
    Price entrou para o elenco da série da Fox (no Brasil, apresentado pela TeleUno e pela Rede Globo) no meio da última temporada como Janet, uma jornalista séria que está começando a se apaixonar pelo personagem de Ziering, Steve. "Ian realmente não é o tipo que eu normalmente me interesso, mas eu gosto tanto dele", ela disse em um chat da TV Guide Online. "É difícil dizer se eu me interessaria por ele se nós não trabalhássemos juntos e se ele não fosse casado. Eu tento não pensar nisto."
    De acordo com Price, Ziering é muito engraçado. "Nós estávamos fazendo uma cena no parque e ele deveria rolar uma colina", ela disse. "Ao invés de dizer sua fala, ele aparece com a boca cheia de grama, e diz: 'parece um cão de caça'. Trabalhar com ele é sempre assim."
    Ziering é o que mais prega peça nos outros durante as gravações. "Nós temos uma cômoda no estúdio, e ele enche cada das gavetas com um limo sujo", Price diz. "Ele dirá: 'vai abrir aquela gaveta lá' e haverá um limo realmente sujo dentro.".
    Mas acontece que Price não precisa de Ziering para fazê-la rir. "Eu sinto muita cócega", ela confessa. "De fato, o maquiador do seriado precisa me segurar quando está tentando colocar pó no meu pescoço e no meu rosto." — Susan Campbell Beachy.


Sete vezes Céu

    Sentimental? Com certeza. Melodramático? Talvez. Mas se você não é um fã de Sétimo Céu ainda, aqui está uma razão para acreditar.
    Catherine Hicks está deitada sobre os travesseiros de uma cama de hospital no estúdio de Sétimo Céu, em Santa Monica, Califórnia, embalando um minúsculo bebê em cada braço. Ela sorri calorosamente, enquanto escuta uma calma serenata que vem dos seis atores que fazem sua família na série. É o tema do The Mary Tyler Moore Show, mas de alguma forma, funciona como um hino para a nova mamãe também.
    "You're going to make it after all" (você vai conseguir no fim das contas), o elenco canta, cuidando para não despertar os bebês que estão dormindo. O diretor Burt Brinckerhoff sussurra ao seu assistente: "eu não quero dizer 'corta', porque isto está tão bom". Aparentemente os atores sentem a mesma coisa. Eles continuam cantando suavemente, mesmo depois das câmeras pararem de gravar.
    No glamouroso mundo dos dramas de televisão, Sétimo Céu se destaca como um oásis de normalidade, uma celebração de uma família saudável e amorosa, composta de uma dona-de-casa (Hicks), um pai-pastor (Stephen Collins), cinco crianças, gêmeos recém-nascidos e um cachorro chamado Happy. Para um número crescente de americanos, esta série da Warner norte-americana se tornou um encantadora opção para as noites de segunda-feira (no Brasil, é apresentada pelo canal TeleUno, nos sábados e domingos, às 11 da manhã), uma que pais podem compartilhar com seus filhos. É um seriado sentimental sobre amor, confiança e fé. Mas Sétimo Céu não é apenas uma série religiosa. Ela trata regularmente de assuntos como vícios, abuso doméstico e gravidez em adolescentes sem pregar ou ser pudica.
    "Todos nós que assistimos, vemos a isto como nosso pequeno segredo", diz Robert Thompson, diretor do Centro para o Estudo da Televisão Popular da Universidade de Syracuse. Sétimo Céu nunca fez tanto sucesso na mídia, como a celebrada série da Warner, Felicity. A audiência da série tem crescido gradualmente, graças, em grande parte, à propaganda boca-à-boca. O episódio do dia oito de fevereiro, sobre o nascimento dos gêmeos, teve a maior audiência, nos Estados Unidos, de um programa da Warner, empatando com Suddenly Susan e Mad About You.


José Wilker: "Minha vaidade é querer ser eterno"

    José Wilker não é mais o mesmo. Pelo menos em cena. Acostumado a defender tipos irônicos e desfrutáveis, o ator abriu mão de sua marca para interpretar o atormentado Waldomiro Cerqueira, o imperador do mármore em Suave Veneno, novela das 8, da Globo. "Daniel Filho (o diretor) disse que eu teria de dobrar a espinha, perder o charme", afirma.
    Aos 54 anos e uma carreira que começou aos 12, quando saiu de Juazeiro do Norte (CE), Wilker trabalha por prazer, por isso encontra tempo para dedicar-se a muitas atividades, como atuar, dirigir o Sai de Baixo, escrever artigos e produzir cinema. "Nunca pensei em ser ator", diz. "Sou o preguiçoso que mais trabalha no mundo." De jeans, boné e um maço de cigarro sempre à mão, Wilker recebeu o Estado num dia de gravação do Sai de Baixo, em São Paulo, para falar da volta às novelas e de seus projetos. "Queria ser eterno."
    Estado - Você vinha se limitando a rápidas aparições na TV. O que o levou a participar de uma novela, na íntegra?
    José Wilker - Adorei o tolinho do Waldomiro. Ele é um coitado, sofredor, que se deixa machucar. Com ele, mexo com algo que usei muito pouco na carreira, o romantismo. Antes de Waldomiro, em três anos só havia feito uma ponta em Salsa e Merengue (1997), do meu compadre Miguel Falabella, um capítulo de uma novela que nem me lembro o nome (Anjo de Mim, 97) e episódios de A Justiceira e Mulher. Estava fazendo cinema e escrevendo artigos, apresentando um programa no Telecine (Net) e dirigindo o Sai de Baixo. Sempre encontro tempo para o que me dá prazer. Pedi um tempo à Globo. Não queria fazer um trabalho por obrigação.
    Estado - Tornou-se comum convocar atores às pressas para salvar uma novela. Há uma crise de galãs ou de talentos?
    Wilker - Paulo Ubiratan (diretor da Globo morto no ano passado) me escalou algumas vezes com esse papo. "Há um personagem indefensável que tem de ser feito por você, para dar uma esquentada." Na verdade, a profissão de ator virou uma vitrine tão atraente por causa da TV que as pessoas querem fazer sucesso antes da experiência e, aí, surgem atores aos montes. Não são atores: apenas desinibidos. Quando você exige a prova dos nove, eles não têm o que oferecer. Então, é preciso recorrer a quem está há 20 anos batalhando.
    Estado - Qual é o desafio ao fazer Waldomiro?
    Wilker - No começo, era difícil apagar o meu jeito. Daniel Filho dizia que eu tinha de dobrar a espinha, perder o charme. Era estranho, mas agora estou à vontade.
    Estado - O que incomodava?
    Wilker - Antes, numa cena como a da morte de Inês (Glória Pires), eu ficaria morrendo de vergonha por ter de expor os sentimentos. Mas ali, eu me descabelei em cena, chorei exageradamente. É assustador, pois sou irônico, debochado, incapaz de levar a sério dois segundos de conversa. É incontrolável. Mas acho que estou fazendo Waldomiro direitinho.
    Estado - O sotaque nordestino do personagem é natural, ao contrário do que se vê na TV.
    Wilker - Isso é porque nasci no Ceará e cresci em Pernambuco. Aprendi com "mainha" o sotaque nordestino que emprestei a Waldomiro. Na TV, só o usei duas vezes, em Renascer (1993) e agora. Sempre recusei papel de nordestino. Há 30 anos, quando cheguei ao Rio, pensava que, se começasse a fazer esse tipo, não faria outro. Em Suave Veneno, discutiu-se muito se o personagem teria sotaque ou não. Daniel Filho ficou meio desesperado com Meu Bem-Querer, pois o público reclamou. Muitos atores fazem o sotaque de uma cidadezinha chamada Globo, que não tem a ver com nenhuma cidade do País. Disse a ele que o texto de Aguinaldo Silva pedia sotaque. Acrescentei uma ou outra coisa, que me vieram à memória. Foi algo natural.
    Estado - Você é muito ocupado. Quando decora suas falas?
    Wilker - Quando chego ao estúdio, 15 segundos antes de gravar. Aí, eu as esqueço no segundo seguinte. Às vezes recebo 70 páginas, leio-as uma vez e guardo. No dia da gravação, releio no ensaio. Quando termina tudo, deixo Waldomiro no cabide do camarim.
    Estado - Você costuma conversar com os autores?
    Wilker - Nunca. Para mim, cada cena é como se fosse a novela inteira. Quando as cenas são boas, eu me divirto. Se não, esqueço, finjo que não as fiz. Sei, no geral, para onde o autor vai, mas não me preocupo. Sabia apenas que Waldomiro é um cara rico, que abre mão de tudo porque se apaixona. Perde tudo, mas tenta equilibrar-se. Quanto ao resto, eu me deixo surpreender.
    Estado - Sendo diretor, como é sua relação com os diretores?
    Wilker - Como ator, sou de um jeito. Como diretor, de outro. Dizem que sou insuportável, porque tudo o que eu me permito como ator, proibo como diretor. Os diretores são meus amigos, como Daniel Filho, Ricardo Waddington, que começou comigo, escondido do Daniel. Quando dirijo, sou chato. Sou capaz de ensaiar 12 horas, para desespero de alguns atores, que odeiam. Sou muito disciplinado. Como ator, sei que o comboio tem a velocidade do navio mais lento. Como não quero cair na lentidão, tento ajudar o outro ator a fazer cada vez melhor o seu trabalho, pois será bom para mim também. Não é generosidade.
    Estado - O que acha do elenco de Suave Veneno?
    Wilker - É muito bom o trabalho de Letícia Spiller. Ela foi massacrada pela imprensa e, de repente, surpreendeu-me pela maturidade. Com apenas 23 anos, ouviu tudo com a cabeça erguida e, em seguida, reavaliou o que estava fazendo. Hoje, acho que ela faz um dos melhores trabalhos dessa novela.
    Estado - Você tem pretensões como diretor na Globo?
    Wilker - Já dirigi novela e um departamento inteiro de dramaturgia, na Manchete. Esse carma eu já paguei. Sai de Baixo é um programa que me diverte. É teatro. Faço uma peça por semana, com gente que gosto. Agora, dirigir novelas, ser responsável por um grupo, não há a menor chance. Não tenho temperamento. O cara fica enfiado 12 horas numa gravação. Dirigir novela não é meio de vida, é de morte.
    Estado - Mas Sai de Baixo já lhe deu dor de cabeça.
    Wilker - A questão é que o melhor do Sai de Baixo está no palco, não nas páginas policiais. Muita coisa foi inventada. Falabella adorava inventar e depois ficava rindo. Se você me vê dirigindo o programa, vai ver que eu acabo xingando a todos.
    Estado - Fora o trabalho, o que gosta de fazer?
    Wilker - Sou o preguiçoso que mais trabalha no mundo. Se deixarem, durmo o dia todo, vejo filmes ou escuto música. Sou muito caseiro. Quando saio, é com as minhas filhas. Estou solteiro. Fiz uma casa do jeito que gosto, com livros, filmes, discos e espaço. Às vezes, recebo amigos. Cozinho, mas apelo para bufês. Faço comida para minhas filhas, que são carinhosas e não vão criticar-me.
    Estado - Você é vaidoso?
    Wilker - A minha vaidade é querer ser eterno. Nunca fiz plástica, gosto de sentir o tempo passando na minha cara. Mas, de vez em quando, malho. É uma forma de forçar a eternidade. Tenho uma professora que me põe para malhar em casa. Mas estrago muito do que ela faz, porque eu me alimento erradamente, fumo e trabalho sem horários.
    Estado - O que acha da teledramaturgia atual?
    Wilker - Uma novela lida com três coisas: mostrar o quanto é complicado uma pessoa ficar com quem deseja, saber quem é o responsável ou quem matou. Essas são as questões da dramaturgia, desde que ela surgiu. A TV, às vezes, se precipita. Tudo bem que há muito dinheiro em jogo e, por isso, pinta uma inquietação no ar. No caso de Torre de Babel, que foi toda alterada, houve erros. Silvio de Abreu acertou ao abordar uma relação dita alternativa em A PróximaVítima. Antes de pôr em primeiro plano o homossexualismo dos personagens, ele pôs sua simpatia, o que Aguinaldo faz nessa novela, com Uálber (Diogo Vilela). Ele não levanta uma bandeira com o personagem, mas vai mostrando Uálber aos poucos, para o resto vir tranqüilamente. Não dá para querer resultado no dia seguinte.
    Estado - Por que Suave Veneno não tem obtido uma boa audiência?
    Wilker - A expectativa da Globo era de que se chegasse aos 40 pontos depois do carnaval. Não dá isso (está na média de 36), mas mesmo assim há milhões de espectadores vendo esse troço.
    Estado - E outros projetos?
    Wilker - Eu e um amigo, Roberto Manga, que morou quinze anos em Nova York, montamos uma produtora de cinema. Em outubro, vamos começar a rodar um filme, do qual também serei o diretor. É um documentário sobre bossa nova que também será um seriado para a TV, um songbook, um disco, um livro e assim por diante. Estamos produzindo para quem quiser comprar. Mas estamos de olho no mercado externo. Bossa Nova mostrará uma grande festa que ocorrerá em setembro, no Copacabana Palace. De lá sairá o material do projeto.
    Estado - Como é o José Wilker pai?
    Wilker - Sou excessivamente liberal. Mas não tinha outro jeito, por respeito à pessoa que sou. Não posso privar minhas filhas desse tipo de conquista, que é delas também.
    Estado - Há a possibilidade de uma de suas filhas seguir sua carreira?
    Wilker - Provavelmente não. A mais velha, Mariana, de 18 anos (filha de Renèe de Vielmond), cursa Psicologia e não quer nem saber. A mais nova, Isabel, de 13 anos (de Mônica Torres), quer fazer high school fora do Brasil e não mostrou desejo de seguir a profissão de atriz, ainda que na escola tenha feito duas peças. Ela tem uma presença cênica fantástica. Se quiser, vou incentivar, como incentivo a mais velha a fazer Psicologia. Mas a decisão é dela. Não gosto e não penso nessa coisa de pai que fica prendendo demais. Escolhi o meu caminho e que elas façam o mesmo.
    Estado - Quando você decidiu ser ator?
    Wilker - Saí de casa com 12 anos e nunca planejei nada, tudo foi por acaso. Ser ator nunca foi um sonho. Até hoje.

OESP


Ela é a nova versão de Lolita

    A paulista Mariana Ximenes, de 17 anos, leva a vida que muito adolescente sonhar em ter. Mora sozinha, bem longe dos pais, tem emprego e já começa a saborear o gostinho do sucesso. Como a recatada Celi de Andando nas Nuvens ela promete ser a revelação da novela das 7 da Globo. Pelo menos é nisso que está apostando o diretor-geral Dênis Carvalho.
    Na história, ela é uma espécie de Lolita. Criada entre freiras, Celi é comportada, mas com uma grande dose de sensualidade, da qual ainda não se deu conta. Despertará o amor de Thiago (Caio Blat) e terá de disputá-lo com Joana (Fernanda Souza). Despertará também a paixão de personagens mais velhos.
    Após deixar definitivamente o convento, ela começará uma nova fase, com direito a um figurino menos abotoado. A atriz ainda não sabe como será essa virada da personagem. Para preparar-se, está lendo Lolita, o clássico de Nabokov, que já teve duas versões para o cinema - ambas vistas pela atriz. "Celi tem pureza, mas é uma pimentinha", diz Mariana. "A sensualidade dela está concentrada no olhar."
    Namoro - A descoberta do corpo será a grande questão da personagem. Essa fase, comum a todo adolescente, também está sendo vivida pela atriz. No caso de Mariana, ficção e realidade estão ainda mais próximas. O intérprete de seu par romântico, o ator Caio Blat, era, até há dois meses, seu namorado fora do vídeo.
    Ela e Caio se conheceram em São Paulo. Namoraram por três anos. Nesse tempo, contracenaram em Fascinação, do SBT. Fizeram juntos os testes para a novela e ainda namoravam quando a gravação começou. "Sempre soubemos separar o lado pessoal do profissional", afirma. "Ele é especial para mim."
    Mariana torce para que o amor entre Celi e Thiago se realize. Se isso fará com que os dois atores voltem a envolver-se, "só o tempo vai dizer", diz. Agora, o que ela quer mesmo é dedicar-se ao que o autor Euclydes Marinho decidir. Mariana diz que está preparada para fazer cenas românticas. Já nudez, ela julga não ser necessária para a personagem. "De qualquer maneira, não posso fazer cenas fortes", diz ela, lembrando que é menor de idade.
    Determinação - Mas essa situação acaba no dia 26, quando faz aniversário. Tirar carteira de motorista será a primeira coisa que fará ao completar 18 anos. Taurina, com ascendente em Touro, ela nega ser uma pessoa teimosa. "Sou determinada, não uma cabeça dura", afirma, com um sorriso maroto.
    Seus pais conhecem bem sua determinação. Foi com 6 anos que ela decidiu que seria atriz. "Ninguém me levou a sério", conta. Sua mãe não permitiu que ela fizesse cursos por julgar que criança tem de levar vida de criança. Aos 12 anos, porém, Mariana bateu pé. "Só aí eles viram que era uma coisa séria."
    A partir de então, Mariana passou a freqüentar cursos, participou de algumas peças de teatro e fez trabalhos em publicidade. Foi num desses que conheceu Caio.
    A Globo a descobriu no ano passado. Fez um Você Decide e o especial de fim de ano de Sandy & Jr. Segundo a atriz, tudo estava certo para ela continuar no programa da dupla teen e iniciar a faculdade de cinema da FAAP, quando foi chamada para fazer o teste da novela.
    Reviravolta - "De repente, minha vida mudou", conta. "Tive de mudar-me para o Rio e trancar a faculdade, já que havia pago a primeira mensalidade." A família, ao mesmo tempo em que gostou da novidade, ficou triste pelo fato de a filha mais velha (Mariana tem um irmão de 16 anos) ir morar longe. Agora, ela diz que precisa aprender a conviver com a solidão, mas está gostando da experiência de morar só.
    Na nova cidade, adotou a rotina de dar um mergulho no mar de Ipanema, antes de sair para o trabalho - o hotel onde está hospedada pela emissora fica no bairro, pertinho da praia. Se a solidão aperta demais, ela se refugia nos livros e na música.
    Por causa das espinhas que teimam em aparecer no seu rosto, ela controla a alimentação. Tem de tomar cuidado também com as massas, doces e, principalmente, sorvetes, para não perder a boa forma. Afinal, ela não é nem um pouco chegada a uma ginástica. "Tenho preguiça", admite. Mariana conta que prefere praticar esporte a trancar-se numa academia. Já fez capoeira e está prestes a voltar a praticá-la.
    Tranqüilidade - "Estou de bem com a vida", afirma. Depois da novela, espera ser chamada para outros trabalhos. Seu sonho é fazer mais cinema. Ano passado, participou de Um Sonho no Caroço do Abacate, de Lucas Amberg, e diz que adorou a experiência.
    Ela sabe, porém, que terá de encontrar tempo para cumprir a promessa que fez ao pai: voltar a estudar. "Fiz a promessa - e vou cumprir, só não sei quando", diz. "Tenho consciência de que é preciso aperfeiçoar-se sempre." Dessa nova vida, o mais difícil, segundo ela, é não se deixar envolver pelo sucesso. "É preciso tomar muito cuidado para não perder o chão."

OESP


Plantão CoMédico

    Eles são seis jovens nova-iorquinos, bonitos e engraçados que não sabem exatamente o que fazer de suas vidas e carreiras. Embora as coisas não dêem sempre certo, protagonizam o seriado mais comentado dos EUA e do canal pago Sony, no Brasil, "Friends".
    A sitcom (comédia de costumes) está em seu quinto ano e é exibida todas as terças, às 20h. As histórias mostram o cotidiano de seis amigos em busca de melhores empregos, relacionamentos amorosos e de alguma outra coisa que nem eles mesmos sabem muito bem o que é.
A atual temporada fala do namoro que devia ser secreto de Chandler (Matthew Perry) e Monica (Courteney Cox).
    Cox adorou a idéia. "O relacionamento com Chandler é muito excitante, trouxe a tona o lado sexual de Monica e tornou todo o nosso trabalho mais divertido", diz.
    Paralelamente, a série mostra o fracasso do segundo casamento de Ross (David Schwimmer). Ele era apaixonado por Rachel (Jennifer Aniston) desde os tempos de escola e chegou a namorá-la.
    No dia de seu segundo casamento, quando Ross já achava que tinha se acostumado ao fato de que perdera Rachel, ela se declarou apaixonada por ele.
    Ross perdeu o autocontrole e, na hora de dizer o "sim" ao padre, trocou o nome de sua noiva pelo de Rachel. O casamento acabou antes de começar e Ross entrou em crise existencial, chegando a deixar o emprego.
    "Essa crise de meia-idade um pouco precoce do personagem é muito divertida", afirma Schwimmer.
O elenco se completa com Joey (Matt Le Blanc), um ator ruim que busca um bom emprego, sempre sem sucesso, e a neo-hippie Phoebe (Lisa Kudrow).
    Ela é uma versão melhorada da Magda do "Sai de Baixo", da Globo, e também luta para conseguir pagar as contas. A caracterização de Phoebe acabou gerando bons papéis no cinema, e Kudrow se tornou o membro de maior sucesso do elenco.
    Todos os seis se tornaram celebridades. David Schwimmer diz que foi quem teve mais dificuldades para aceitar o fato. "Levei tempo, mas estou finalmente conseguindo lidar com a idéia de ser uma celebridade", diz.
    Jennifer Aniston, seu par, sente-se mais à vontade. "É diferente para cada um, e a atitude conta muito. As pessoas te reconhecem, mas geralmente são muito gentis", conta.
    Agora que o caso entre Rachel e Ross parece ter sido abandonado pelos roteiristas da série, Rachel terá no próximo episódio um novo envolvimento amoroso. Ela sairá com o homem que está entrevistando para um emprego na loja em que trabalha.
    "Friends" é a mais popular entre as 25 séries que a Sony apresenta em seu horário nobre. É o programa que mais recebe e-mails (seguida pela atração adolescente "Dawson's Creek").
Na seção em que a home page oficial do canal Sony (www.sonytv.com.br) exibe biografias de astros, entre os cinco mais pedidos estão quatro "amigos".
    Jennifer Aniston está em primeiro lugar, seguida por Courteney Cox e Lisa Kudrow. Em quarto lugar está Matt Le Blanc, e só então surge Keri Russell, a estrela de "Felicity".
    "Cerca de 40% dos e-mails que recebemos falam sobre "Friends". O resto aborda os outros seriados do canal", explica Maria Ines Moane, diretora de operações da Sony.
    Nos EUA, a série é exibida pela rede NBC nas noites de quinta, antes de "Frasier" (mostrado no Brasil pelo USA) e "Plantão Médico" (Sony).
    Tornou-se a segunda maior audiência da temporada, com cerca de 20 milhões de telespectadores, atrás apenas do drama médico, visto semanalmente por 28 milhões de norte-americanos.
    Mas, enquanto "Plantão" tem maior audiência, a crítica especializada dos EUA aponta esta como a melhor temporada da série e afirma que, dessa vez, "Friends" é forte candidata ao Emmy, o Oscar da TV, de melhor série de comédia.
    O sucesso de "Friends" se deve principalmente ao trabalho dos produtores e roteiristas Martha Kauffman, David Crane e Kevin Bright.
    O trio é também responsável por "Veronica's Closet" e "Jesse", ambos exibidos no Brasil pelo canal Warner, e que estão entre os 20 mais assistidos nos EUA.

Folha SP


A verdadeira face do mágico mascarado

    O mágico que os outros mágicos chamam de traidor é um norte-americano de nome latino com uma conta bancária na casa dos milhões de dólares. Ele nasceu Leonard Montano, fez carreira como Val Valentino e ganhou fama internacional no papel de Mister M, o Misterioso Mascarado – conhecido no Brasil como “o inimigo número 1 dos mágicos”. É casado, tem 42 anos e mora em Las Vegas. Foi lá que tudo começou.
    Conta-se que Valentino fazia uns shows meio chinfrins em cassinos modestos do estado de Nevada. Seguia uma modesta carreira de mágico, sempre com pouco brilho. Até que, em 1997, foi descoberto pela Fox, uma das maiores redes de televisão dos Estados Unidos.
    A emissora já tinha tudo pronto: estúdio, cenário, assistentes e produtores. Faltava um mágico que se dispusesse a revelar os preciosos e bem-guardados segredos da profissão. Montano topou. Especula-se que ele faturou uma bolada de US$ 15 milhões. Ele nega. Diz que estão superfaturando o seu cachê e que o dinheiro nem pesou tanto assim na sua decisão.
    Jura Mister M que sua verdadeira intenção era promover a arte do ilusionismo. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ele afirma que o que fez foi ajudar os colegas, eles é que não reconhecem:
    – Há muitos mágicos que acham que não podem se desvincular dos velhos truques do passado, das velhas ilusões. Agora, com o meu programa, eles terão de pensar em novas idéias.
    Nenhum ilusionista parece concordar com Montano. Ele foi banido de todas as associações de mágicos dos Estados Unidos e chegou a receber ameaças de morte pelo telefone. Um casal de magos do Estado norte-americano de Virginia abriu um processo judicial contra a Fox. Em países como a Argentina, depois de uma única exibição do programa, houve tanto protesto que as emissoras acharam melhor expurgar Mister M.
    Nos Estados Unidos, a série, que se chamava Quebrando o Código dos Mágicos, tinha apenas quatro capítulos. Foi ao ar entre 1997 e 1998 e rendeu para a Fox uma audiência estupenda de 24 milhões de telespectadores. Desde o fim do programa e da revelação de sua verdadeira identidade no último episódio, Montano entrou numa maré baixa. Não consegue nem tirar coelho de cartola. Vem tentando emplacar um novo programa de TV, em que apresentaria novos números e não desvendaria nenhum truque tradicional. Até agora, ninguém se interessou.

Zero Hora


Faustão comemora uma década de `Domingão'

    O dia é 26 de março de 1989. O polêmico apresentador Fausto Silva está em ascensão. Após passar pela Gazeta, Record e Bandeirantes, ele leva sua irreverência à Globo, para imprimir um tom menos formal à programação de domingo. A parada é dura: tentar competir com Silvio Santos, senhor absoluto dos domingos.

    Hoje, a história é outra. Faustão comemora 10 anos de seu Domingão do Faustão. Seu adversário não é mais Silvio Santos (atualmente, muito mais um empresário), é Gugu Liberato, do Domingo Legal. Se Fausto conseguiu ultrapassar a audiência do dono do SBT, com Gugu a disputa pelo ibope é acirrada. Na maior parte dos dias do ano passado, a Globo levou a melhor. Nas duas últimas semanas, porém, foi Gugu quem liderou.

    Em 522 programas, Faustão apresentou cerca de 800 pegadinhas e 7 mil videocassetadas. As melhores serão reprisadas hoje, no especial de aniversário. Além de estrear o novo cenário (com video wall, dois palcos e um espaço livre de 14 metros para Faustão andar à vontade), a atração terá seis horas de duração - duas a mais que o habitual. Começa às 14h45.

    Foi preparada, por exemplo, uma "pegadinha" gigante: numa igreja, só um dos 80 convidados de um casamento não sabe da armação. Quando alguém pergunta se há alguma objeção à união, ele é acusado de ter um caso com a noiva.

    A festa terá também a participação de Leonardo, um dos cantores mais assíduos nesses 10 anos. O recordista, Lulu Santos, será homenageado com um clipe, que mostra as transformações do programa pelas diferentes exibições do cantor por anos a fio. Também estarão no palco Alexandre Pires, Ivete Sangalo e Carla Visi. Certamente, alguém vai lembrar de homenagear Lara, a filha de Faustão, que completa hoje um ano de vida.

    Faustão tem contrato com a emissora até março de 2003. Segundo ele, uma cláusula lhe assegura o poder de vetar o que não quiser apresentar. Há também um código de ética criado em maio pelo diretor-geral Alberto Luchetti. A atenção especial, garantem Faustão e Luchetti, é para que não voltem a ocorrer "derrapadas", como ambos classificam os episódios ocorridos em 97, que ficaram conhecidos como Latininho e sushi erótico.

    Estado - O programa chega ao seu 10º aniversário. Que avaliação você faz desse período?

    Fausto Silva - Se não parar para pensar, eu nem acredito. Passou voando. Bom, consegui mostrar, ao longo desses 10 anos, que sei fazer TV convencional. Se eu estivesse até agora no Perdidos na Noite, ficaria eternamente rotulado de alternativo. Soube fazer a anti-televisão, a TV contestadora, mas a convencional também. Foi um grande desafio fazer um programa universal, destinado a todas as classes sociais, a todas as idades. Ainda mais disputando com Silvio Santos, que era o rei de todos os tempos do vídeo brasileiro. 

    Estado - Hoje, a concorrência é acirrada entre você e Gugu, do SBT. Como define o estilo dele?

    Faustão - É adequado à emissora dele, que é popular. Nós nunca devemos fazer como Gugu, até porque nesse estilo ele é insuperável. O nosso é outro. É preciso fazer tudo sempre com bom gosto. Às vezes, a pessoa se preocupa tanto com a concorrência que não faz o que sabe.

    Estado - Foi o que ocorreu nos episódios do Latininho e do sushi erótico?

    Faustão - Foi. Tivemos só duas derrapadas - e até hoje todo mundo fala nisso. Mas o índice é muito baixo: fizemos mais de 500 programas, com dois desvios de rota. Quando entrei no titanic dessas derrapadas, eu me senti constrangido. Agora, não. Tenho tranqüilidade total: Alberto Luchetti (diretor) é muito ligado nisso.

    Estado - O que acha da discussão sobre ética na TV?

    Faustão - Cabe aos profissionais da TV elevar o nível. Se deixarmos descambar, abrimos espaço para a volta da censura. No meu caso, baixar o nível é também desrespeito à minha inteligência. Tenho consciência do meu talento. Minha personalidade artística foi formada muito antes da Globo, com irreverência e humor.

    Estado - O programa exibiu uma foto com uma suposta imagem do fantasma do cantor João Paulo. Você se sente à vontade apresentando este tipo de tema, sobrenatural?

    Faustão - Não gosto, não me sinto bem. Respeito quem gosta, mas não é minha praia. Especialmente para domingo, não acho legal.

    Estado - Muita gente comenta que você elogia todo artista que vai ao Domingão. Todo mundo é sensacional, tanto no pessoal quanto no profissional?

    Faustão - Você queria o quê? É uma homenagem, o cara é meu convidado e vou falar: "Está aqui esta m. de ator. Não sei como veio aqui esse imbecil. A mãe quis fazer um aborto, mas desistiu..." Não dá.

    Estado - Você poderia ser um pouco mais imparcial.

    Faustão - Nenhum outro faz mais críticas do que eu. Pessoas com razoável sensibilidade e inteligência mediana percebem. Eu falo com ironia: "Ele é um monstro sagrado, um obelisco da televisão, 50 milhões de discos vendidos numa semana." As pessoas não percebem quando você vai usar sutileza.

    Estado - Como define o programa?

    Faustão - O Domingão é o primeiro programa de auditório a tratar de política, de comportamento, sem perder o humor. Já abrimos espaço para o Betinho, para temas como tensão pré-menstrual, consciência negra, etc. Mas também há muita abobrinha.

    Estado - No ano passado, o especial de número 500, com os melhores momentos, deu a impressão de que você era mais escrachado nos primeiros anos. Você concorda?

    Faustão - Pode ser. No ano passado, havia muito sobre o que falar, não sobrava espaço para humor. Mas às vezes eu resgato esse lado do escracho. Há duas semanas, por exemplo, fiz o Julio Iglesias sentar no chão e cantar mostrando o lado do rosto que ele não gosta de exibir. Eu falei para ele, "Você não foi goleiro, não tinha de pular dos dois lados?" Mais Perdidos, impossível.

    Estado - Depende do seu estado de humor?

    Faustão - Totalmente. Há dias em que você está melhor, outros em que está pior. Várias vezes fiquei de mau humor no ar. E eu posso fazer isso: não sou um personagem, como era o Chacrinha.

    Estado - Como vê o fato de ir ao ar aos domingos?

    Faustão - Domingo é o pior dia da semana. Porque quem está em casa no domingo é o cara doente ou sem dinheiro. Quem não tem dinheiro, fica em casa, abraçado na TV. Por isso, o que me importa é a crítica do vendedor de cachorro-quente, da dona de casa, do frentista. São eles que vêem TV aos domingos.

    Estado - Quais os momentos mais divertidos?

    Faustão - Foram muitos. Dercy Gonçalves rendeu alguns. Em novembro, ela se queixou do "salário de paquita" que ganhava na Globo. Também lembro do Tim Maia convidando o público para ir ver seu show. Eu perguntei na hora: "E você, vai?" (risos) Consegui revelações: Roberto Carlos falou de deficientes físicos, de assumir filhos, de política, de superstição. Assuntos que ele nunca havia conversado com ninguém. Pelé abordou sua intimidade. Com inteligência, você descontrai o cara e ele diz tudo o que você quer.

    Estado - O que mudou no programa nesses 10 anos?

    Faustão - No começo, havia muitos quadros gravados, como os games Jogo da Velha, Sexolândia, Controle Remoto. Aí, enjoou e a atração passou a ser totalmente apresentado ao vivo. Ele é um grande supermercado. Você tem de ter novidades para vender.

    Estado - Hoje, o elenco da Globo participa bastante.

    Faustão - Isso é legal para mostrar o lado humano do ator. Desmistificou-se aquela imagem de que o artista não tem liberdade na Globo. É interessante mostrar a casa, a vida das pessoas. Quem ganha dinheiro por meio do trabalho, do talento, não tem por que ter vergonha de mostrar a casa.

    Estado - Você abre sua casa?

    Faustão - Eu não, mas isso é questão de estilo. Há quem goste, muitas pessoas perseguiram o sucesso de forma neurótica, obcecada. Eu não. Sou artista só aos domingos, na TV. Talvez pelo fato de ter sido jornalista, tenho uma visão diferente. Para mim, é melhor estar com amigos que fazendo shows por aí. Ao contrário de outros apresentadores, que têm parque, fazem boneco, eu só trabalho na TV. Prefiro uma vida mais tranqüila.

    Estado - Você passa a semana com sua mulher e sua filha?

    Faustão - É, e com meus amigos também. Gosto de promover reuniões lá em casa, com os amigos do futebol. Consigo reunir, na mesma mesa, Zagallo, Wanderley Luxemburgo, Scolari, Candinho, Leão, Rivellino, Raí. Todos batendo papo e comendo pizza.

    Estado - A festas, você vai?

    Faustão - Não. Eu não bebo. E, em festa, todo mundo fica passando a mão suada no gordo que não bebe. No Caçulinha, que é baixinho, dão tapa na cabeça. Em gordo, é tapa nas costas. Quando eu era repórter, era estilingue, ninguém me convidava para festa nenhuma. Agora, me convidam. Por quê? Não tem nada a ver. Não gosto de badalação. Detesto este tipo de coisa.

    Estado - Por causa do assédio?

    Faustão - Não. Eu vou a shoppings, saio normalmente. Perguntam "Tudo bem?", e eu respondo "Tudo bem". Não me pedindo dinheiro emprestado, tudo ótimo. Noventa por cento das pessoas são muito simpáticas. É minha profissão: se não gostasse disso, ia ser guarda-noturno.

    Estado - Você viaja ao exterior para ter mais privacidade?

    Faustão - É, também por causa disso. Posso tomar sorvete tranqüilo. Empurro o carrinho da minha filha sem problema. O danado é que sempre há aquele fã folgado que esbarra em você e acha que foi o primeiro e único a encontrá-lo e faz aquele tipo de pergunta simpática: "Até aqui você me persegue?"

    Estado - Você passa bastante tempo com sua filha?

    Faustão - Todo dia. Jane Fonda não lançou um vídeo de ginástica? Então, eu estou desenvolvendo um sobre como fazer criança dormir. Colo de gordinho é insuperável.

    Estado - Ela mudou sua vida?

    Faustão - Depois que a gente tem um filho, tem mais preocupação com o futuro, com a saúde e com o trabalho. Só quem passa pela experiência sabe o que é. Esse negócio de sucesso é muito bonito, mas você não pode viver em função disso. No cemitério está cheio de caras de sucesso. Quero uma vida mais simples que um copo d'água.

OESP


Todos os olhos em Monica

    Uma estimativa de 70 milhões de pessoas assistiram a parte ou a toda a entrevista de Monica Lewinsky na noite de 3 de março, na rede americana de Televisão ABC. A entrevista foi considerada o programa de notícias de maior audiência de todos os tempos.
    O programa de duas horas, apresentado no horário nobre, mostrou a "suprema inquiridora" Barbara Walters instigando a mais famosa ex-estagiária do mundo a revelar todos os detalhes sobre o seu mais famoso ex-namorado, o presidente dos Estados Unidos.
    Lewinsky, 25, alternava risadinhas e choros enquanto falava sobre o escândalo conhecido como Sexgate que quase derrubou o presidente Clinton.
    Embora a entrevista tenha mostrado poucas explosões (graças ao ainda válido acordo de imunidade de Lewinsky com Kenneth Starr), apenas a promessa de ver Monica — frente a frente — foi o suficiente para muitos, muitos americanos.
    O programa, uma edição especial do 20/20, conseguiu um índice de 33.9 pontos, segundo o Nielsen Media Research (cada ponto eqüivale a 994 mil lares).
    Ainda mais impressionante, 47% de todas os aparelhos de TV ligados das nove às onze da noite (EST/PST) sintonizavam a entrevista de Walters e Monica, segundo uma estimativa do Nielsen.
    Entretanto, não parece que Lewinsky vai superar a entrevista de Oprah Winfrey com o excêntrico Michael Jackson. Este programa teve um índice de 39.3 pontos. Mas tecnicamente Jacko não estava em evidência, e Monica está, por isso leva a coroa de programa de notícias de maior audiência.
    O programa deve mostrar-se uma mina para Lewinsky — suas semi-conta-tudo memórias, Monica's Story, chegou nas livrarias no dia quatro de Março e pela manhã já era o número um na livraria online Amazon.com.
    Críticas ao especial da ABC foram do efusivo ao impressionante e ao perplexo. Considere:
    "Você é a bomba!", do co-apresentador Star Jones de Walters' View para — quem mais? — Walters.
    "Nenhum ser humano provavelmente poderia ter feito uma entrevista melhor do que Walters fez, ou mesmo chegar perto.", Tom Shales, Washington Post.
    "Não houve novos detalhes suculentos suficientes.", Michele Greppi, New York Post.
    Então, o que o futuro guarda para Monica? Bom, na manhã de Quarta-feira (dia três de Março), ela recebeu uma oferta do talk show matinal de Walters, The View.
    A Venerável estendeu um convite para juntar-se ao seu staff. O show está entrevistando pessoas na faixa dos 20 anos, desde a prisão da funcionária Debbie Matenopoulos.


Imagem e auto-estima

    Os magos da televisão brasileira, responsáveis por milagrosas fórmulas de produzir audiência, deveriam prestar atenção aos resultados da pesquisa A mulher retratada pela TV feita na segunda quinzena de fevereiro pelo instituto paulista CPM-Market Research. Isso, é claro, se não quiserem perder preciosos pontos no Ibope nos próximos anos. O levantamento, que buscou a opinião de mulheres paulistas de 15 a 54 anos sobre o que é exibido na televisão, destrói o mito de que o sexo feminino se identifica com programas fúteis vespertinos ou com as fêmeas fatais protagonistas das novelas das oito.
    Para início de conversa, a pesquisa - que teve uma parte quantitativa, ouvindo por telefone 253 mulheres das classes A,B e C, e uma qualitativa, com discussões em três grupos de cerca de dez entrevistadas de diferentes perfis sócio-econômicos - mostrou que essas mulheres nem assistem mais tanta novela assim. A média é de dois capítulos por semana. Das entrevistadas, 51% disseram que diminuíram o hábito de ver TV nos últimos três anos. Esses números batem com outros, do Ibope, segundo os quais a audiência média das donas de casa caiu oito pontos em São Paulo nos últimos sete anos, passando de 24% para 22% do total de aparelhos ligados, e dez pontos no Rio, no mesmo período.
    Não precisa ser especialista para notar a relação entre essa queda de audiência e o número crescente de mulheres ingressando no mercado de trabalho - hoje, segundo o IBGE, elas são 40% da população economicamente ativa. O que chama a atenção, porém, nessa pesquisa da CPM-Market Research, é a postura crítica das mulheres em relação à programação da TV. "Elas não se identificam com o modelo feminino que lhes é apresentado", resume a responsável pela pesquisa, Oriana Monarca White.
    Os resultados não deixam dúvidas quanto a isso: 79% das entrevistadas consideram que a programação atual transmite uma imagem de mulher que não é a verdadeira, 76% acham que essa programação não atende de forma adequada às necessidades da mulher, para 74% ela agrada mais ao homem do que à mulher. E ainda: 88% consideram que a programação erotiza as meninas antes do tempo e 59% acreditam que a mulher retratada não tem a ver com ela própria. Entre as características femininas que, na opinião das entrevistadas, deveriam ser valorizadas e que não o são pela TV estão a inteligência, o lado batalhador, a competência, a informação, a força/segurança, nessa ordem.
    A pesquisa foi encomendada pelo Grupo TVer, ONG criada pela ex-deputada e psicóloga Marta Suplicy com o objetivo de analisar o conteúdo da televisão no Brasil e de que forma as emissoras estão exercendo a sua responsabilidade social. Para Marta, as mulheres fazem uma análise equilibrada da televisão, ressaltando os aspectos positivos e negativos. "Elas deixam claro que a TV é um bom entretenimento, tem alguns programas informativos, mas a maioria não se sente respondida em suas indagações", diz Marta. Um aspecto que chamou a atenção dela foi a reivindicação de um papel mais ativo da TV na educação dos filhos. "Ou seja, as mulheres querem ajuda da TV para educar os filhos e não o que julgam que acontece hoje, que é a destruição da ingenuidade infantil e a promoção da erotização precoce."
    Outra preocupação muito presente nos grupos de discussão, lembra Marta, é a falta de informação sobre Aids na programação das tevês convivendo com um grande estímulo à troca de parceiros. "Quem faz a televisão acha que a mulher quer apenas relaxar e ela está muito preocupada com informação÷."
    Baseada em sua experiência clínica, a psicanalista Ana Cristina Olmos, especializada em infância e adolescência e integrante do Grupo TVer, acha muito importante que os modelos femininos retratados na TV sejam discutidos. Embora a televisão, segundo ela, não seja responsável por tornar alguém doente, ela ÷pode ajudar a agravar certos quadros patológicos e mascarar sintomas de depressão, por exemplo. "Alguns pais podem achar natural que a criança passe horas fechada em seu mundo, dependente da TV", explica. De acordo com Ana Olmos, "através do mecanismo psíquico de identificação, a criança internaliza os modelos que recebe, e que são matéria-prima para seu desenvolvimento psicológico e sua construção como adulto." No caso das meninas, elas podem vir a internalizar os modelos da mulher-objeto sexual, "esquelética e glamourizada", que estão muito longe da realidade da maioria das mulheres e, com isso, terem problemas de baixa auto-estima.
    TIAZINHA - A pesquisa perguntou às mulheres quais artistas refletiriam a imagem positiva, mais próxima da realidade delas, e quais seriam a imagem do modelo negativo, com o qual elas não se identificam. Na lista das positivas surgiram os nomes de Fernanda Montenegro, Fátima Bernardes, Regina Casé, Glória Maria e as mulheres do seriado Mulher da Rede Globo (Patrícia Pillar, Eva Wilma). E das negativas os de Tiazinha, as mulheres dos comerciais 0-900, as mulheres da piscina do Gugu e Carla Perez (com a ressalva de que é vista como batalhadora). As primeiras estariam identificadas com orgulho nacional, sucesso, autenticidade, superação do racismo, humildade. A segunda lista representaria tudo aquilo que as mulheres odeiam: sexo pelo sexo, mulher tratada com desrespeito, péssimo exemplo para as mulheres jovens, mulher despedaçada em partes do corpo, deturpação da sexualidade.
    A pesquisa também traz à tona a fórmula de um programa ideal para o público feminino. Seria ele exibido às 20h, 21h (mais tarde todas estão dormindo porque têm de acordar cedo para trabalhar e à tarde estão em pleno expediente), diário, uma espécie de telejornal comentado com um pouco de Fantástico, Opinião Nacional e Silvia Poppovic.

A TV, o bem e o mal
O que as mulheres pensam da programação atual da televisão (amostra geral):

88% - Incentiva as meninas a serem mais sensuais, erotizando-as antes do tempo
87% - Mostra tanta cena de sexo que já se tornou coisa normal
79% - Não transmite a imagem da mulher real, verdadeira
76% --Não atende de forma adequada às necessidades da mulher;
75% - Não ajuda na formação sexual das crianças
74% - Agrada mais ao homem do que à mulher

Outras opiniões a respeito da programação da TV:

69% - Tem programas para todos os gostos
64% - Estimula a pessoa a refletir sobre os problemas reais do dia a dia
62% - É uma ótima distração
55% - É relaxante
53% - Valoriza a mulher
47% - Deixa a mulher mais culta
41% - Quando mostra mulheres inteligentes e cultas, são feias ou masculinizadas
41% - A programação atual tem a ver comigo

Pontos positivos da televisão (pesquisa qualitativa):

- Informa a sociedade
- Relaxa, distrai - companheira
- Opção de lazer barato
- Informa sobre produtos, serviços
- Exibe programas (educativos, documentários, filmes, minisséries)

Pontos negativos:

- Manipula a sociedade (idéias, estilo - dita moda)
- Choca (violência, miséria, sexo, realidade crua, sensacionalista)
- Vicia, acomoda
- Impõe o consumo
- Expõe assuntos em horários não apropriados, dificulta educação dos filhos
- Exibe a mulher como objeto sexual

JB


Ally dá a Jane Krakowski uma 'mina de ouro'

    O rosto é familiar. Aqueles olhos grandes. Aquele cabelo loiro encaracolado.
    Ela é Jane Krakowski, que interpreta a secretária de Ally McBeal na série da Fox. Krakowski descreve Elaine Vassal com "uma mina de ouro para um personagem." Ela credita ao criador David Kelley por fazer a todos no programa "personagens completos e com mudanças."
    "Todos os personagens são completos e perfeitos" diz ela. "Eu acho que isso os tornam muito interessantes, de fazer e de assistir."
    Ela tem uma pequena participação em um novo filme chamado 'Go', que vai ser feito em março.
    Krakowski, que apareceu em muitos shows da Broadway, começou a mostrar interesse em atuar desde pequena. "Meus parentes se envolveram em uma comunidade teatral em Montville, Nova Jersey", diz ela. "Ao invés de me arranjarem uma babá, eles me levavam com eles. Eu via eles se divertindo, eles estavam fazendo uma peça que ia ser apresentada na Broadway e isso foi uma experiência muito boa
para mim."
    Ela começou como Dançarina, leia agora uma entrevista com a atriz.
    P: Você sempre quis ser cantora e atriz?
    Krakowski: A minha vontade antes era de ser dançarina. Eu treinava bastante. Eu pensava que queria ser dançarina até eu me formar e percebi que eu não tinha disciplina e corpo para realmente entrar para o mundo profissional.
    P: Como você se envolveu no mundo do show business?
K: Eu fui contratada para fazer alguns comerciais, e achei fascinante poder fazer outras pessoas. Eu estava cantando na Broadway. Meu agente me ligou e disse que que tinha uma boa notícia e uma má notícia. "A boa notícia é que você conseguiu o seu primeiro show na Broadway e a má é que vai ter de ser em patins." Eu começei a perder a voz. Eu fui para uma terapia vocal e reaprendi a falar e cantar.
    P: Além de "Starlight Express" e "Company" quais outros shows da Broadway você esteve?
    K: Um dos mais criativos foi "Grand Hotel". Você raramente cria um novo musical atualmente. Nós começamos do nada, com praticamente nenhum script. Nós lemos o livro e improvisamos. O show nasceu de muitos processos. Fez sucesso e eu ganhei um Tony. Foi uma grande experiência para mim, principalmente por ter sido na Broadway.
    P: Como dos musicais da Broadway você foi parar na TV e nos filmes?
    K: Eu estava fazendo "Once Upon a Mattress". Então eu fiz entrevistas para o papel em 'Ally McBeal' e consegui, e depois consegui um papel no filme 'Dance With Me' na mesma semana. Então peguei uma mala e fui fazer 'Ally McBeal'.
P: Qual foi a mudança que 'Ally McBeal' trouxe para a sua vida?
    K: Eu não tomo nada como certeza, aproveito enquanto tenho, um dia isso pode acabar. Quando 'Ally McBeal' ganhou um globo de ouro no ano passado, eu ainda estava de carro alugado. Eu ainda estou com um apartamento alugado e uma TV, mas comprei um carro.
    P: Você nunca pensou em ter uma nome artístico?
    K: Por muito tempo sim. Mas eu não podia aparecer sem ter alguma coisa que não fosse minha. Quando eu estava em 'Grand Hotel', Tommy Tune costumava me ligar me perguntando se eu não tinha pensado em algum nome. Ele pensava que eu precisava. Nunca cheguei em nenhum lugar com isso. Eu acho que você pode manter seu nome original, a sua idade e ter sucesso.


A Verdade sobre o Arquivo-X

    O quê você faz se uma série de Tv sempre bem sucedida começa a perder audiência e começa a
confundir as pessoas? Muda.
    "Meu homem ideal é quem lê o jornal todo dia e brinca bastante consigo mesmo."
    Uma fonte perto da Fox falou para o New York Daily que Cris Carter declarou que o show caiu por causa do filme, que deixou todos mais confusos do intrigados.
    A razão pela qual ainda assistimos o show é de ver se ainda é possível Scully ficar com Mulder ou para ver Mulder pegar uma nave espacial com uma alienígena de três tetas. Você não?
    Indiferente, essa 'fonte' contou para o jornal que o show vai sair do ar em um capítulo especial de duas horas onde supostamente Scully entra em uma caverna e finalmente acredita que não estamos sozinhos no
universo.
    "Tem um homem verde checando minhas calças com seus olhos de raio- x", Scully confiantemente lamenta na primeira parte do show.
    Em outras palavras, o show vai ser inteiramente baseado em alienígenas.
    A estrutura básica das duas partes acontece no descobrimento de alienígenas sem face que são suspeitos para os terráqueos. Talvez eles sejam os únicos por que eles estão assustados dos outros terráqueos que, consequentemente, vem usando a raça humana como incubadores para seu bem.
    Nós ainda temos de saber o que realmente aconteceu com a irmã de Mulder e a verdade identidade do Agente Alex Krycek. Oh, e dois personagens chaves vão ser assassinados também.
    "Muitas coisas vão ser resolvidas nessa segunda parte", a fonte diz.
Então, o quê você acha? Isso vai ser bom?


Debra Messing diz que "Will & Grace" é muito parecida com ela

    Uma jovem atriz com apenas cinco anos de experiência iria sair correndo ao aparecer a oportunidade de fazer um série de TV. Mas Debra Messing não é uma delas.

    Os produtores de "Will & Grace" da emissora NBC tiveram de insistir muito para ela aceitar fazer a neurótica Grace Adler, oposto de Eric McCcormack que faz Will Truman, seria uma ótima carreira.

    Ela só iria fazer por mais seis meses, e trabalhar 18 horas por dia  num papel na peça "Prey". "Eu estava tão exausta e me senti bem ao fazer essa decisão tão importante. Eu estava confusa e ainda lamentava a minha saída de ‘Prey’. Eu precisava limpar a minha cabeça e fazer logo o que viria a seguir." Diz a extrovertida e ‘encaracolada’ (natural) Debra Messing em sua casa em San Fernando Valley, California.

    Mas os criadores e produtores executivos da série, Max Mutchnick e David Kohan, começaram a fazer mais pressão em cima dela. "Eles estavam querendo muito fazer essa série, então eles foram para minha casa com uma garrafa de vodka e me deixaram bêbada. Nós ficamos falando por três horas; eles ouviram toda as minhas preocupações. E deu certo! A última coisa que eu sei, eu virei Grace!" Debra diz, dando risada.

    A atriz, que tem um talento natural para a comédia e um sorriso de um-milhão de dólares, participou da série "Ned & Stacey" (1995 a 1997) onde fazia Dr. Beth Lookner, participou de "Seinfeld". Ela também participou da série "NYPD Blue" fazendo Dana.

    Uma das poucas séries que estrearam e que fizeram bastante sucesso em 1998. "Will & Grace" tem uma história totalmente diferente das outras séries; o show se passa em Manhattan onde uma mulher (Grace) divide o aprtamento com um gay (Will). Debra Messing faz uma desenhesista de interiores; McCormak faz um advogado bem sucedido. Eles são velhos conhecidos, e muito amigos mas ambos sabem que nunca vão ficar íntimos. Sem romance, sem preocupação, mas eles são alma gêmeas. Will é organizado e sensível e Grace é leviana e desorganizada.

    Messing ainda diz que ela e Grace tem muitas coisas em comum: "Eu sou agitada e neurótica e um pouco esnobe. No meu último apartamento, meu telefone foi cancelado oito vezes por que esqueci de pagar a conta. Em um fim de semana, a força e o telefone foram cancelados no mesmo dia!"

    Debra talvez seja um pouco esquecida e desligada, mas com certeza é uma pessoa muito inteligente. A atriz fez uma das melhores faculdades dos E.U.A a New York University e lá fez por três anos um programa de graduação.

    Lá ela encontrou Daniel Zelman, ator e roterista, e seu noivo. O casal ficaram juntos por sete anos mas só ficaram noivos no último verão. Ele é muito lógico, e "extraordinariamente inteligente" diz Messing. "Ele sempre me desafia e sempre fica no meu pé. Nós gostamos de debater política, nós gostamos de brincar."

    Filha de uma cantora que cresceu em Nova Jersey e Rhode Island, e todo o seu talento apontava pra uma comédia musical, Messing quase se tornou uma estrela da "overnight". Depois de dois anos de teatro na NYU, ela fez sua estréia como a mulher de Keanu Reeves no filme "A Walk in the Clouds". Ela nunca havia pisado num set de filmagem.

    ‘No primeiro dia de filmagem, quando eles disseram, ‘Ação!’ eu ia começar; mas eles ficavam dizendo, ‘Debra você perdeu a sua marca’E eu dizia, ‘Tá bom, o que é uma marca?’.Então eles explicaram que é um pequeno pedaço de papel no chão onde o ator deveria ficar para a câmera poder focalizá-lo melhor. Keanu foi tão paciente comigo. Ele disse; ‘Faça isso só quando for preciso’.Então ele me levou para jantar para comemorarmos o meu primeiro dia."

    Depois de aparecer em um comercial da Clairol (dizendo "You Make Me Feel Like a Natural Woman") que ficou no ar por três anos, Messing foi convidada para participar de "NYPD Blue" e "Seinfeld". Em um episódio final do show ‘Yada, Yada" ela ganhou uma fala que era assim; "um dos comentários mais racistas que eu já ouvi na televisão" ela diz, "Eu quase não participei por que eu estava tão preocupada com a minha família (judáica) .....eu disse uma piada de dentista.... Depois eu disse quem precisa deles - sem mencionar os pretos...eu me lembro de ter ficado horrorizada por ter dito aquela fala, mas a audiência subiu, e a Julia Louis - Dreyfus virou e falou pra mim: ‘Funcionou!’.

    Depois veio o seu papel na série ‘Will & Grace’ e Woody Allen ficou tão impressionado com Debra que fez um papel para ela em seu novo filme, "Celebrity".

    Quando foi para o Jay Leno no "The Tonight Show" com seu anel de noivado ela disse; "Só estou tendo o momento da minha vida". Alguém discute o seu talento?


"Xena" e "Arquivo X" obtem grandes audiências

    "Xena: A princesa guerreira" dobrou a sua audiência nessa última semana. "Xena" foi para 13% entre as residências, enquanto entre os adultos entre 18-49 passou para 21%.

    "Arquivo X" foi para 15% entre as residências e entre os adultos de 18-49 teve 16%. Com rancor por não estar mais pontuando como antes a Fox decidiu ampliar o seu mercado, e aumentou em grande número: 90. "Arquivo X" foi integrado a mais 15 mercados, incluindo Philadelphia.

    "Xena", compatriota de "Hércules", conseguiu o terceiro lugar de audiência, vindo logo atrás de E.R

    "Star Trek: Deep Space Nine" conseguiu mais 3% de audiência em relação as outras semanas. Já "Baywatch" caiu 10% . As reprises de "Walker, Texas Ranger" e "NYPD Blue" cairam 8% e 3% rescpectivamente.

    A decepção ficou por conta do iniciante "V.I.P" da estrela Pamela Anderson que caiu mais 3%. "Mortal Combat Conquest" também não foi nada bem, caindo 6%.


Séries melhoram imagem de advogados

    As grandes séries "Law & Order" , "The Practice" e "Ally McBeal" estão fazendo o quê parecia impossível - estão conseguindo ‘humanizar’ os advogados e tornado - os agradáveis, personagens competentes.

    A televisão e o cinema estão causando muito impacto na imagem dos advogados, de acordo com os participantes a reunião de meio de ano da American Bar Association. Infelizmente para os advogados a imagem passada nem sempre é positiva.

    Enquanto algumas populares séries de TV conseguem convencer os telespectadores a pararem de pensar que todos os advogados são cruéis e desumanos, os comerciais na televisão podem ter exatamente o efeito contrário.

    Na sessão da ABA foi dito que os comerciais de televisão dá uma imagem e reforça que todos os advogados são gananciosos. E isso pode arruinar a carreira deles, destruindo suas chances de ganhar dinheiro.

    "Você pode até pensar que esses advogados conseguem suportar essa pressão e esses comerciais... mas isso é uma das piores coisas que eles podem ouvir." diz Stephen Daniels de Chicago, co-autor de um estudo pessoal de prejuízos de advogados no Texas.

    Muitas discussões nos encontros do ABA em Los Angeles foram baseadas no efeito que a televisão traz tanto para os advogados quanto para o público. Em uma dessas sessões, foi perguntado para os representantes quanto deles assistiram pelo menos um programa de TV que tinha advogados, e quase todos levantaram as mãos.

    Michael Asimow, autor de "Reel Justice: The Courtroom Goes to the Movies" e professor na Universidade da Califórnia, diz que as séries de televisão vem amenizando a imagem da profissão e dos próprios profissionais. Ele disse que foi feito um estudo junto os telespectadores de "L.A . Law" e mostrou que eles desenvolveram um opinião favorável dos advogados. "Isso tem um profundo impacto na atitude das pessoas.", Asimow diz.

    Ele disse que os advogados vem sendo mostrados de forma mais positiva na televisão do que no cinema, onde desde de 1980 eles vêm sendo postos como "caixa de sorissos". "Os advogados são mostrados nos filmes como "poderosos, egoístas, negativo.....e isso reflete na opinião do público." Asimow diz.

    Os advogados na televisão são mostrados como "amáveis e competentes" ele diz.

    Charles Rosenberg, advogado e consultor técnico de "L.A . Law", afirma que personagens mais humanos com quem o público pode simpatizar melhorará a imagens dos advogados.

    Daniels e Joanne Martin, autores de um estudo que examinou como os advogados do Texas plaintiffs ganham clientes, dizem que comerciais são chatos e passam a idéia de que os advogados não fazem seu trabalho direito.


Drew Carey: feliz por estar trabalhando duro

    "Eu não sou apenas um ator" Drew Carey insistiu. "Quando você sintoniza no meu programa nas quarta-feiras (quintas, no Brasil), na ABC (Warner, no Brasil), é o Drew aqui que está lá. O que você vê é quem eu sou."
    Quem ele é, é um camarada franco e divertido. Ele tembém admitiu, "Eu odeio meu corpo. Estou mais pesado agora do que sempre estive. Estou pesando 115."
    A repórter, da CNN, perguntou: "Por que você está sendo tão honesto".
    "Porque a honestidade liberta o cérebro,"ele respondeu instantâneamente. "Quando se fala em dieta, eu sou um fracasso. Cada noite eu digo a mim mesmo, eu vou começar o próximo dia com um  empurrão saudável; até ponho meu tênis de corrida em cima da pia, então quando escovo meus dentes, eu lembro. Ainda não faço isso."
    O que Carey está feliz é por sua série de TV. "Na última temporada, eles me deram um crédito de produtor supervisor, e me fizeram um segundo cheque. Agora, na quarta temporada, estou listado como um produtor executivo e somando uma quantia maior."


Trabalhar é bom

    Por que, com todo o trabalho que ele cavou para si mesmo -- incluindo uma segunda série, "Whose Line Is It Anyway?" -- Carey iria quere mais um chapéu para vestir?
    Ele explicou, "Se você é apenas a estrela do programa, você não pode ver as notas finais ou editar qualquer coisa no roteiro. Com este novo título, é parte do trabalho. Eu estou em todas as reuniões. Quanto mais eu aprendo, mais posso fazer.
    "Aprendi que não gosto das reuniões de produtores. Eles querem se sentar até terminar. Eles discutem sobre que tipo de suporte de panela, luvas ou roupa, e de que cor, azul ou branco, que deve ser usado na cena dois. Eles vão até o guarda-roupa do elenco, página por página, eu tento apenas não dormir."
    Entretanto, quando se fala sobre script e música, Carey volta à vida.
    Um episódio, no começo da temporada, focou na decisão de Drew de para de trabalhar em seu emprego. Daí, tendo sido chutado na temporada passada por sua noiva, ele estava procurando por algo novo em sua vida. Então deicdiu formar uma banda. Para aquele script, ele tocou acordeon, e ouviu alguns convidados que poderiam ser membros da banda.
   Ele está se divertindo muito nesta temporada. Está embalado.

CNN


TV Paga mantém penetração de 11%
IBOPE/SP

    Apesar da maior diversidade de canais, as TVs por assinatura apresentaram a mesma penetração nos domicílios que tinham um ano atrás, quando registraram 11%. Essa é a constatação da 4ª Pesquisa TV por assinatura realizada em 9 mercados em setembro de 1998. Pelo estudo anterior , de março de 1998, a penetração havia chegado a 12%. Dos 15.115 entrevistados pelo IBOPE, 86% não têm TV por assinatura, enquanto 11% revelaram ter. Desse total, 2% não têm TV em casa.
    Quando analisamos a penetração das TVs por assinatura nas classes sociais, o resultado é que não houve mudanças significativas em relação às pesquisas passadas. A TV paga está em 29% dos lares das classes A e B, 5% da classe C e 1% das classes D e E.
    Em São Paulo, a participação das TVs por assinatura caiu em relação a março de 1998 de 16% para 14%, voltando aos mesmos índices de setembro de 1997. No Rio de Janeiro, o número de lares assinantes vêm aumentando gradualmente há um ano, chegando a 10%. As maiores participações são observadas no Distrito Federal, onde as TVs pagas têm 18% de mercado, pouco menos que os 20% atingidos em setembro do ano passado.
    Entre os assinantes de TV paga, o sistema que teve maior participação continua sendo a Net, com 36%, embora venha perdendo share gradativamente desde março de 1997, quando obteve 40%. A Multicanal teve 28%, caindo do patamar de 32% indicados em março de 1998. O cenário pode ser alterado na próxima pesquisa com a união das duas marcas. A TVA saiu de 26% em março do ano passado, atingiu 29% em setembro, caiu para 22% em março deste ano e alavancou sua penetração para 25% em setembro de 1998.
    Para os residentes em domicílios com TV por assinatura, o Telecine mantém sua liderança como canal mais assistido, com 24%, número menor que o obtido no estudo anterior. Em seguida aparece o Discovery, com 22%, o Cartoon, com 19%, e o HBO, com 18%.
    O Cartoon, que vinha obtendo bons índices não só junto ao público de 10 a 14 anos quanto no de 30 a 39 anos, ampliou sua margem no primeiro, para 31%, e diminuiu no segundo, para 17%.
    A ESPN reduziu para menos da metade sua preferência entre os entrevistados de 15 a 19 anos e aumentou de 15% para 20% entre os assinantes com mais de 50 anos, e de 8% para 13% entre os de 25 a 29 anos.
    Tanto Cartoon quanto ESPN, Fox, Globonews, GNT, SporTV e TNT vêm cativando maior audiência do público com mais de 50 anos. A Sony está perdendo suas participações junto aos espectadores de 20 a 39 anos e ampliando seus índices entre os de 10 a 19 anos.
    A maior parte dos entrevistados (60%) revelou que é assinante há mais de um ano, enquanto 22% disseram que são assinantes entre 6 meses e um ano e 18%, há menos de 6 meses. Entre os assinantes, 12% confirmaram que alguma vez fizeram troca de fornecedor de TV por assinatura em seus domicílios, ou seja, cancelaram um sistema e contrataram outro.
    Entre os que atualmente não assinam nenhuma TV paga, 39% nunca tiveram TV por assinatura, mas gostariam de ter, 38% sabem o que é mas nunca pensaram em contratar, 17% não sabem o que é e 6% já tiveram mas cancelaram o serviço. Entre os que gostariam de ter uma assinatura, 42% são homens, 44% são das classes A e B, 53% têm entre 10 e 14 anos e 43% têm secundário, notadamente dos Estados do Rio de Janeiro (44%) e do Distrito Federal (43%).

 

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